Carolina Ferraz desabafa sobre experiência com "chip da beleza": entenda o que é
Promessas de benefícios estéticos popularizaram o uso de hormônios para mulheres sem necessidade de reposição. Entenda o caso
Por Redação Glamour
A promessa era mais disposição, pele revitalizada e até potencialização no ganho de massa magra e perda de gordura, mas o resultado foi bem diferente. Na última quinta-feira (17.07), a atriz Carolina Ferraz compartilhou no podcast MenoTalks, das jornalistas Silvia Ruiz e Mariliz Pereira Jorge, a sua experiência frustrante com o chip da beleza.
O implante, composto por hormônios como testosterona e gestrinona, é usado por muitas mulheres para amenizar os sintomas da menopausa. Porém, ele causou um desequilíbrio hormonal significativo na atriz. “Fiquei meio traumatizada”, confessou.
“Coloquei aquele chip da beleza, me entupiu de testosterona. Eu entrava no Uber e falava: ‘Hmm, bonitinho’. Falei: ‘Isso não está bom, a pessoa passa e você fala: ‘Hmmm’.’ Isso não sou eu, não está bom para mim”, revelou Carolina. “E você tem que ficar com o negócio seis meses, fiquei meio traumatizada”.
Ela ainda contou que, por conta da escolha do método, perdeu o período adequado para uma reposição hormonal tradicional, que poderia ter prevenido consequências mais sérias para a saúde, como a perda de massa óssea e muscular. “E eu perdi a janela de fazer a reposição no momento certo para não ter perda óssea, tanta perda de massa magra. Agora, estou retomando a reposição, já que o estrago por eu não ter feito já aconteceu. Então, deixa eu cuidar daqui para frente”.
Apesar do episódio negativo, Carolina reforçou que não é contra a reposição hormonal, apenas teve uma experiência mal sucedida. “Sou super a favor da reposição, eu apenas tive uma experiência muito infeliz com o chip”, conta ela.
A jornalista e co-apresentadora do podcast também comentou sobre a reposição feita por Carolina, apontando que ela não seguia o protocolo adequado, destacando a importância de prescrições individualizadas e baseadas em evidência científica. “Você não coloca um chip de gestrinona ou testosterona em uma mulher. Inclusive, a Anvisa tentou proibir, colocou uma legislação que exige muito mais cuidado para o médico poder prescrever. Não é disso que a gente está sentindo falta, é de estrogênio, o hormônio da mulher”.
Para entendendermos do que se trata o chip da beleza e como ele atua no organismo feminino, conversamos com a doutora em endocrinologia Lorena Lima Amato.
O que é o chip da beleza?
Trata-se de um dispositivo hormonal (mais especificamente um cilindro de silicone com poucos centímetros de altura e milímetros de largura), em geral, posicionado na altura do quadril e desenvolvido originalmente para evitar a gravidez e os desconfortos do ciclo menstrual.
Entretanto, o item passou a ser usado também para fins de reposição hormonal em mulheres com necessidade comprovada (ação regulamentada pela Anvisa) e, depois, para fins estéticos (o que não é reconhecido pelo órgão). Os benefícios seriam resultado do coquetel personalizado de hormônios contidos em cada um -- pode conter conter testosterona, estrogênio, gestrinona ou progesterona.
Quais são os principais riscos do chip da beleza?
"O risco do uso de hormônios para fins estéticos são vários. Primeiramente, se não havia uma deficiência hormonal, o uso de hormônios pode prejudicar a produção normal do organismo. Além disso, muitas vezes, para obter benefícios estéticos os hormônios têm que ser usados em doses supra fisiológicas, ou seja, acima do habitual, e isso certamente tem repercussões deletérias. Esses riscos dependem do hormônio utilizado, dose, e tempo de uso. As complicações podem ser várias, desde trombose a eventos cardiovasculares", explica Lorena Lima Amato, doutora em endocrinologia pela Universidade de São Paulo.
Quais os efeitos adversos?
Isso vai depender do hormônio utilizado, dose e tempo de uso. "Podem incluir acne, engrossamento da voz e aumento de pelos corporais (hirsutismo) em mulheres… Além do aumento de clitóris e queda de cabelo", afirma a médica. Além disso, há os riscos de trombose e cardiovasculares já citados.
"Bons médicos podem fazer acompanhamento adequado de terapia de reposição hormonal, que traz muitos benefícios aos pacientes quando bem indicada", diz Lorena.
O chip da beleza e o uso estético
A finalidade estética foi a responsável pelo burburinho da ferramenta. "O apelo por corpo padrão, com muitos músculos e pouca gordura, é atingido com hábitos saudáveis regulares como uma boa alimentação e prática de atividade física. Por isso, as pessoas buscam uma forma rápida ou mais fácil de tentar chegar lá. É o caso do uso dos hormônios desta forma. Os perigos são os riscos e efeitos colaterais já comentados. A medicina estética já existe, traz excelentes resultados com segurança à saúde. Mas hormônios não fazem parte da medicina estética", argumenta a especialista.
O que dizem os órgãos técnicos sobre uso de hormônios para fins estéticos?
A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) não reconhece os implantes de gestrinona como opção terapêutica para tratamento de endometriose, rebate o uso como anabolizante para fins estéticos e de aumento de desempenho físico e espera que as autoridades regulatórias passem a incluir a gestrinona na lista de substâncias sujeitas a controle especial no Brasil com consequente aumento da fiscalização do uso inadequado destes implantes hormonais no nosso país.
A justificativa é que ele não está de acordo com a padronização de medicamentos hormonais, por não ter aprovação de uso pelas diferentes agências regulatórias em diversos países e, principalmente, por não existirem evidências científicas de qualidade referentes à eficácia e segurança dos implantes de gestrinona.
No ano passado, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu a manipulação, comercialização, propaganda e uso de hormônios implantáveis manipulados, popularmente conhecidos como chips da beleza. A medida foi tomada após denúncias de entidades médicas que relataram um aumento no número de pacientes com complicações graves após o uso desses implantes hormonais, que contêm substâncias não aprovadas para essa finalidade.