3 atitudes para aliviar a pressão de “estar em forma” para o verão, segundo experts

Um guia prático para não deixar que o culto à magreza (ou o seu feed!) atrapalhe o prazer de vestir um biquíni e ir à praia nesta temporada

Por
Cathryne Keller


3 atitudes para aliviar a pressão de “estar em forma” para o verão Getty Images

Uma das melhores partes de estar, em grande parte, recuperada dos transtorno alimentares é que eu já não fico extremamente ansiosa com o meu corpo nessa época do ano. Quando eu estava profundamente presa ao inferno da cultura da dieta, o fim da primavera era o momento em que eu começava a contar os dias para o início oficial do verão, tentando calcular o quanto eu ainda conseguiria emagrecer de forma “realista” até esse prazo que eu mesma me impunha. Se eu comesse X calorias por dia (um número absurdamente baixo), ingerisse Y quantidade de carboidratos (igualmente triste) e me exercitasse como se isso fosse meu trabalho, talvez eu ficasse “perfeita” de biquíni, minha vida virasse uma comédia romântica e eu nunca mais me sentisse triste ou ansiosa. Eu finalmente me sentiria magra o suficiente, bonita o suficiente e boa o suficiente.

Mas a verdade é que nunca era suficiente. Mesmo quando eu atingia minhas “metas” físicas, ainda existia um vazio constante (sem falar na fome sem fim), porque a validação e o amor que eu buscava só poderiam vir de me libertar da cultura da dieta, curar traumas da infância e trabalhar a autoaceitação.

Depois de fazer todo esse trabalho real e profundo, fico feliz em dizer que agora estou aguardando a chegada do verão com ansiedade por motivos muito mais gostosos: mal posso esperar para sentir o calor do sol no meu rosto (bem protegido com protetor solar), me reunir com as pessoas que eu amo para viagens e momentos especiais, e nadar até cansar no lago perto da casa de verão que minha família aluga.

Em resumo, eu sei bem como é sentir uma pressão interna e externa enorme para “entrar em forma para o verão” ou ficar “pronta para a temporada de biquíni”. Mas também sei como é se libertar disso tudo em alguma medida. E é exatamente isso que eu desejo para você. Por isso, conversei com a psicóloga Alexis Conason, PhD, especialista em transtornos alimentares e autora de The Diet Free Revolution, e pedi seus melhores conselhos para não deixar essa ladainha de “corpo de verão” acabar com a sua autoestima nem com a sua diversão.

Entenda de onde vem essa pressão e lembre-se: o seu corpo não é o problema

“Quando o discurso das dietas fica mais alto, ajuda lembrar que existe uma indústria bilionária de emagrecimento que lucra quando acreditamos que há algo errado com nossos corpos”, explica Alexis. “Não é surpresa que, quando a primavera chega, todo mundo comece a sentir essa pressão para ficar ‘pronta para o biquíni’.”

Ela reconhece, no entanto, que nem sempre é fácil perceber isso, já que hoje o marketing para perda de peso é muito mais sutil. Pode ser um e-mail da academia promovendo um desafio de ‘definição’ para o verão, um anúncio convincente de suplemento ‘wellness’ no Instagram ou até uma propaganda de podcast de um app de emagrecimento disfarçada de abordagem saudável para “parar de fazer dieta”.

Justamente por serem mensagens tão disfarçadas, Alexis sugere aprender a questioná-las quando surgirem na sua cabeça. “Sempre que percebo pensamentos negativos sobre o meu corpo aparecendo, faço uma pausa e me pergunto: quem ganha quando eu acredito nisso sobre mim?”, diz. “Vamos colocar a culpa onde ela realmente pertence, na cultura da dieta, e não nos nossos corpos, que estão apenas tentando fazer o melhor possível para nos manter vivas.”

Cuide do seu feed nas redes sociais

"A cultura da dieta nos faz acreditar que precisamos nos encaixar nesse padrão para sermos felizes, saudáveis e viver uma vida plena.” Só que isso simplesmente não é verdade. Ainda assim, em uma sociedade obcecada pela magreza, parece muito real. Por isso, ela recomenda se cercar de provas do contrário.

“Eu recomendo fortemente encher o seu feed com pessoas de todos os corpos e tamanhos, que estejam se divertindo com moda, curtindo a família e vivendo a vida sem discurso de dieta ou ódio ao próprio corpo"

Ver com frequência pessoas com diferentes tipos de corpo aproveitando a vida ajuda a desmontar a mensagem prejudiciale falsa de que ser mais magra significa ser mais feliz. E, no caminho inverso, se certos perfis fazem você se sentir mal consigo mesma, deixe de segui-los sem culpa. Esse também é um jeito silencioso da cultura da dieta se infiltrar e atrapalhar a sua relação com você mesma e com a vida — no verão e além.

Pratique a gratidão pelo seu corpo

“Vivemos em uma cultura que nos ensina a enxergar o corpo como um projeto interminável e a tratar cada ‘imperfeição’ como um problema a ser resolvido. Por isso, pode ser algo radical pensar nas coisas de que gostamos em nossos corpos”, diz Alexis. Mesmo que trocar o olhar crítico por um mais gentil pareça estranho no começo, o desconforto inicial vale a pena.

“Pesquisas mostram que cultivar gratidão pelo corpo, dedicando tempo para focar no que apreciamos nele, pode melhorar a imagem corporal”, explica. Um exercício simples que ela sugere é pensar em três coisas que você gosta no seu corpo e escrever sobre elas por cinco minutos ou apenas anotá-las em um caderno. Vale falar tanto da aparência quanto da funcionalidade. Você ama como seus olhos sorriem, igual aos da sua mãe ou do seu pai? Agradece por suas pernas serem fortes o suficiente para correr de manhã ou simplesmente te levarem aonde você precisa? Ou talvez se encante com o fato de que seu corpo está respirando, fazendo o sangue circular e te mantendo viva neste exato momento.

Esse tipo de prática não apaga o fato de que vivemos em uma cultura obcecada pela magreza e que trata corpos maiores de forma pior do que corpos menores. Mas, assim como as outras orientações de especialistas, ela ajuda a criar uma espécie de armadura interna, à qual você pode recorrer sempre que começar a duvidar de si mesma e do seu valor.

Enxergar o culto à magreza pelo que ele é, deixar de seguir influenciadores fitness tóxicos e me lembrar de ser grata pelo meu corpo fizeram uma grande diferença para mim. Não vou mentir dizendo que nunca mais tenho dias ruins com a minha imagem ou que não sinto vontade de pesquisar a dieta de alguma celebridade. Mas hoje isso aparece só de vez em quando — e fica lá no fundo da minha mente, não em primeiro plano.

*Reportagem originalmente publicada na revista SELF.

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