Julia Faria: "A maternidade me trouxe coragem e a urgência de ousar"

Atriz e empresária fala sobre reencontro consigo após dar à luz Cora e vivenciar as dores e delícias de ser mãe

Por
Julia Faria*


Julia Faria Thi Santos/Glamour

"Sempre me senti confortável na minha própria pele. Nunca tive grandes questões com autoestima, mas também não parava para pensar nisso. Estava ocupada me divertindo e aprendendo - sou naturalmente curiosa. Essa segurança foi incentivada em casa. Meus pais sempre disseram que eu era capaz de tudo e me deram força para acreditar nos meus sonhos, por mais malucos que fossem.

Quando comecei a trabalhar na televisão, o desconforto ao me ver na tela era muito mais sobre minha autoavaliação do que sobre estética. Como atriz, me julgava demais. Era quase doloroso me assistir, ficava pensando no que poderia ter feito melhor. Pouco importava se estava feia ou bonita. Depois que me tornei comunicadora, me senti livre desse peso. Sei que é clichê, mas quanto melhor me sinto por dentro, mais confiante e bela me vejo por fora.

No âmbito pessoal, sempre soube que seria mãe, nunca tive dúvidas. Mas queria estar segura financeiramente para ter liberdade de escolha sem depender de ninguém. Quando conheci meu marido, minha enteada estava prestes a completar um ano. Esse foi meu primeiro contato com a maternidade. A Maia despertou esse sentimento latente em mim e eu só conseguia pensar: 'Nasci para isso.'

Julia Faria — Foto: Thi Santos/Glamour

Em 2021, veio Cora. Minha gravidez foi aos 35 anos - e foi maravilhosa. Me sentia belíssima, criativa, ativa. Engordei 30 quilos no processo. Me via como uma leoa com aquele bebezinho ainda na barriga. O puerpério, no entanto, foi muito doloroso. Senti todos os medos possíveis e ainda precisei aprender a ser mãe. Não queria admitir que estava tendo baby blues, menos ainda que os outros soubessem. Mesmo entendendo que era normal, me sentia culpada e me julgava demais.

Olho fotos do primeiro ano da minha filha e sinto vontade de colocar no colo aquela minha versão tão frágil. Um momento marcante, ainda nos primeiros meses após o parto, foi uma cena em que eu estava com os seios machucados, cabelo sem lavar havia dias, me sentindo humilhada por dentro e por fora. Até que meu marido entrou no quarto, me fez um carinho e disse que eu estava linda. Eu sabia que não estava, mas aquilo foi tão importante para mim! Neste dia, me olhei com carinho pela primeira vez, depois dessa mudança tão avassaladora, e chorei. Foi um reencontro comigo. A partir dali, passei a repetir: Tudo bem deixar a bebê com ele por alguns minutinhos para lavar o cabelo, passar um blush, colocar uma roupa!

A Julia, antes de ser mãe, levava uma vida confortável. Construí minha carreira degrau por degrau, conquistei o que queria, mas não fazia grandes loucuras, e estava tudo bem na época. Só que eu não fazia ideia do quanto podia ir além. Depois da Cora, entendi que existia um mundo de possibilidades. Ela me trouxe coragem, essa urgência de ousar. E desde então, tenho feito projetos enormes. Espero que minha filha saiba que pode ser quem quiser, do jeitinho que for. Que tenha segurança para fazer as próprias escolhas e se sinta bem ao se olhar no espelho, sendo ela mesma, assim como eu."

*Em depoimento à jornalista Carolina Merino.

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