Tudo o que você precisa saber: prós e contras do DIU de cobre

Entenda os benefícios e possíveis complicações antes de tomar a decisão de adotar o método contraceptivo


Tudo o que você precisa saber sobre DIU de cobre Getty Images

O dispositivo intrauterino (DIU) de cobre é um dos métodos contraceptivos mais populares e eficazes disponíveis atualmente. Ao contrário de outras alternativas, como pílulas anticoncepcionais ou injeções hormonais, o DIU de cobre é uma opção não hormonal que oferece proteção contra a gravidez por um período prolongado, por até 10 anos. No entanto, como qualquer método contraceptivo, ele tem seus prós e contras. Aqui te contamos tudo o que você precisa saber sobre o DIU de cobre.

O que é o DIU de cobre?

O DIU de cobre é um pequeno dispositivo feito de polietileno em forma de "T" e revestido em fio de cobre. Inserido no útero por um profissional de saúde, o cobre é um espermicida natural que impede a fertilização do óvulo pelo espermatozoide, evitando assim a gravidez. O DIU de cobre também pode funcionar como um método de emergência se inserido dentro de cinco dias após a relação sexual desprotegida.

Prós do DIU de cobre

Alta eficácia

O DIU de cobre é um dos métodos contraceptivos mais eficazes. "Podemos comprovar isso observando a taxa de falha, também conhecida como Índice de Pearl. A taxa é de 0,3 em 12 meses, o que lhe confere uma alta confiabilidade. Mas o que isso quer dizer? Que em um ano, a cada 1000 mulheres que tem o DIU de cobre, apenas 3 engravidam", explica a ginecologista Priscilla Frauches, da da Clínica Mantelli.

Longa duração

Uma das maiores vantagens do DIU de cobre é sua longa duração. Dependendo do tipo de DIU, ele pode durar de 5 a 10 anos. Isso torna o DIU uma excelente opção para quem busca um método contraceptivo de longo prazo, sem a necessidade de manutenção diária ou mensal.

Não hormonal

Para mulheres que preferem evitar hormônios, o DIU de cobre é uma excelente escolha. Diferente de outros métodos contraceptivos, como pílulas, adesivos ou injeções, o DIU de cobre não interfere nos níveis hormonais naturais do corpo. "A sua ação é apenas local e é decorrente da presença de um corpo estranho, que por si só induz uma resposta inflamatória aumentada com liberação de citocinas inflamatórias e prostaglandinas. Os íons de cobre que influenciam na mudança do endométrio, no muco cervical e na mobilidade espermática", afirma Priscilla.

Reversível

A fertilidade retorna rapidamente após a remoção do DIU de cobre. Assim que o dispositivo é retirado, a mulher pode tentar engravidar imediatamente. O útero se torna receptivo à fecundação. Portanto, o DIU de cobre não provoca danos ao útero e nem dificulta a gravidez. "Ele não interfere na ovulação, a partir do momento que a paciente não quiser manter o método, ele pode ser retirado no próprio consultório e ela está liberada para tentar engravidar", diz a ginecologista.

Conveniência

Depois de inserido, o DIU de cobre não requer manutenção diária. Isso elimina a necessidade de lembrar de tomar uma pílula diariamente ou de realizar outras ações regulares, o que pode ser um alívio significativo para muitas mulheres. "Uma vez inserido, pode ser verificado se está bem posicionado com uma ultrassonografia transvaginal, mas não é um exame obrigatório. Após a primeira menstruação ou no primeiro mês após a inserção é recomendado uma consulta de acompanhamento. Depois desta visita, a paciente pode manter sua rotina ginecológica anual", aconselha.

Contras do DIU de cobre

Possíveis cólicas

Um dos principais efeitos colaterais do DIU de cobre são as cólicas e o aumento do sangramento menstrual. Nos primeiros meses após a inserção, muitas mulheres relatam cólicas mais fortes e ciclo mais intenso e prolongado. "A dor ou dismenorreia podem ser uma resposta fisiológica à presença do dispositivo. Pode ocorrer dor e spotting (sangramentos de escape) no período intermenstrual", diz Priscila. No entanto, esses sintomas tendem a aliviar. "O número de dias de sangramento e spotting normalmente diminuem com o tempo. Porém, se a dor ou o sangramento persistirem e/ou piorarem, impactando na qualidade de vida da paciente, a retirada do DIU deve ser considerada", fala a ginecologista.

Inserção e remoção desconfortáveis

A inserção do DIU de cobre pode ser desconfortável ou dolorosa para algumas mulheres. O procedimento deve ser realizado por um profissional de saúde qualificado, e pode causar dor e cólicas durante e após a inserção. A remoção, embora geralmente mais simples, também pode ser incômoda. "A colocação e a retirada do DIU também podem ser feitas no centro cirúrgico, com sedação, conferindo mais conforto e tranquilidade", ressalta.

Possível expulsão

Em alguns casos, o DIU de cobre pode ser expulso do útero, especialmente no primeiro ano de uso. "Ocorre em 2% a 10% das usuárias. Os fatores de risco para expulsão são inserção imediatamente pós-parto (seja parto normal ou cesárea), pacientes que nunca tiveram filhos e mulheres que já expulsaram o DIU previamente. Nesse último caso, a chance é de 30% de expulsar um dispositivo subsequente", explica.

Não protege contra doenças sexualmente transmissíveis (DSTs)

O DIU de cobre não oferece proteção contra doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). Portanto, é importante usar preservativos para evitar DSTs, como sífilis, gonorreia, herpes genital, HPV, entre outras. "A função do DIU de cobre é apenas contraceptiva. Inclusive, na presença, recorrência ou suspeita de infecção sexualmente transmissível nos últimos três meses, é contraindicada sua inserção. É necessário realizar o tratamento indicado e posteriormente rever a possibilidade de inserção."

Possíveis complicações

Embora raro, existe um risco de complicações graves, como perfuração uterina durante a inserção ou infecção pélvica. É importante seguir as recomendações médicas e procurar atendimento se ocorrerem sintomas incomuns, como dor intensa ou febre. "A perfuração uterina é a complicação mais severa, porém rara. Todas as perfurações uterinas parciais ou completas ocorrem no momento de inserção do DIU. Sua incidência é estimada em 0-8,7 perfurações por 1.000 inserções", ressalta Priscilla.

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