Conheça os brasileiros que têm relação com Valentino Garavani
Fundador da grife Valentino, o estilista italiano, que faleceu nesta segunda-feira (19), é reconhecido como um dos principais nomes da alta-costura mundial
O mundo da moda se despediu de um dos seus maiores símbolos. Valentino Garavani, fundador da grife Valentino e nome incontornável da alta-costura, morreu nesta segunda-feira (19), aos 93 anos, em Roma. A informação foi divulgada pela instituição da qual era presidente em um comunicado enviado à imprensa. "Valentino Garavani morreu hoje, com serenidade, em sua residência em Roma, cercado pelo afeto de seus entes queridos".
Criador de uma estética marcada por elegância clássica, glamour absoluto e pelo icônico Vermelho Valentino, o estilista construiu uma trajetória que atravessou décadas e ajudou a definir o imaginário do luxo no século 20. Relembre:
O início de tudo
Valentino Garavani foi um dos criadores que ajudaram a moldar a imagem do que hoje se entende como elegância italiana. Ao longo de décadas, construiu uma obra marcada pelo equilíbrio entre glamour, feminilidade e precisão técnica, sempre tratando a alta-costura como um exercício de rigor e sensibilidade.
Nascido em Voghera, na Itália, em 1932, Valentino descobriu cedo o interesse pela moda. Ainda jovem, foi impactado pelo universo visual do cinema hollywoodiano, que despertou nele o desejo de criar roupas capazes de ocupar a cena com força e beleza. Essa inspiração inicial, no entanto, foi sustentada por uma formação sólida. Em Paris, estudou na École des Beaux-Arts e na Chambre Syndicale de la Couture e passou por ateliês importantes, como os de Jean Dessès e Guy Laroche — experiências que ajudaram a formar o olhar técnico e disciplinado que definiria sua costura.
No fim dos anos 1950, Valentino voltou à Itália disposto a construir algo próprio. Escolheu Roma como base e abriu seu ateliê na Via Condotti, onde começou a desenvolver uma linguagem que misturava o rigor francês a uma sensualidade tipicamente italiana. Foi nesse período que conheceu Giancarlo Giammetti, com quem formaria uma parceria decisiva. Enquanto Valentino se dedicava integralmente à criação, Giancarlo organizava a estrutura, pensava o negócio e projetava a marca para além das fronteiras italianas.
A virada veio no início dos anos 1960, quando uma apresentação no Palazzo Pitti, em Florença, colocou definitivamente o nome Valentino no radar internacional. Compradores estrangeiros, editoras de moda e clientes da alta sociedade passaram a disputar suas criações. A partir dali, seus vestidos ganharam os tapetes vermelhos, os grandes eventos oficiais e os casamentos mais observados do mundo.
O fascínio do estilista pelo vermelho
Ainda no fim dos anos 1950, Valentino Garavani era um jovem estudante de moda quando viveu uma cena que nunca mais sairia da sua memória e ajudaria a definir toda a sua obra.
Ele estava prestes a assistir a um espetáculo na Ópera de Barcelona quando algo fora do palco chamou sua atenção. Em um dos camarotes, uma mulher elegante usava um vestido vermelho intenso. Sob a luz do teatro, a cor parecia ganhar vida própria. Não era apenas bonita — ela ocupava o espaço, atraía os olhares, se impunha com naturalidade.
Para ele, aquele vermelho reunia tudo o que buscava expressar na moda: força, sensualidade, emoção e presença. Era uma cor que não precisava de explicações nem de contexto — ela simplesmente funcionava.
Anos mais tarde, quando fundou sua maison, o vermelho, uma mistura de carmim e escarlate, com um toque de laranja, passou a aparecer com frequência em suas criações, até ganhar status de assinatura e se tornar conhecido mundialmente como Vermelho Valentino.
Os laços que conectam Valentino ao Brasil e possíveis herdeiros de sua fortuna
A principal ligação de Valentino Garavani com o Brasil passa por Carlos Souza. Os dois se conheceram em 1973, no Rio de Janeiro, quando Carlos tinha 19 anos, e viveram um relacionamento por mais de dez anos.
Mesmo após o fim da relação amorosa, Carlos permaneceu ao lado de Valentino profissionalmente. Ele passou a integrar a estrutura da grife, tornou-se diretor de relações públicas da maison e teve papel central na projeção internacional da Valentino, mesmo após a aposentadoria do estilista, em 2008.
A relação se estendeu ao campo familiar. Valentino tornou-se padrinho de Anthony Souza e Sean Souza, filhos de Carlos. Com a morte do estilista, os dois irmãos, que já foram vistos em vários desfiles e eventos de homenagem ao padrinho, passaram a ser apontados por veículos internacionais como possíveis herdeiros de parte significativa de sua fortuna.
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