Olivia Rodrigo: "Canto para regular as minhas emoções e sentimentos"
A pegada low-profile da cantora contrasta com o imponente currículo musical e as centenas de milhares de fãs acumulados apesar da pouca idade. Representante autêntica da geração Z, ela mostra que alto impacto também combina com pés no chão
Se a adolescência e os primeiros anos da vida adulta são marcados por turbilhões emocionais, é perfeitamente justificável o sucesso das músicas da californiana com ascendência filipina Olivia Rodrigo, que sintetiza alguém que poderia ser aquela nossa amiga da faculdade. Entretanto, a estética girl next door contrasta com um currículo pouco simplório.
Ela iniciou a carreira ainda criança em 2013, na série Bizaardvark (Disney), mas alçou o estrelato em meados de 2021, aos 18, com o álbum de estreia SOUR. Nele estão contidos alguns dos maiores hits dela, caso de "deja vu", "drivers license" e "traitor", em que divide frustrações amorosas num mix de pop e rock. O disco estreou no topo da parada Billboard 200 com 295 mil unidades equivalentes vendidas e, na época, marcou a maior semana de vendas de 2021, superando Fearless (Taylor's Version), da já consagrada Taylor Swift. No ano em questão, também foi eleita artista do ano pela revista Time e nomeada sete vezes ao Grammy Awards, das quais levou em três, incluindo Artista Revelação e Melhor Álbum Vocal Pop.
No ano passado, lançou o segundo disco, GUTS, que levou o Álbum do Ano no People's Choice Awards de 2024 e virou turnê mundial, finalizada este ano. Agora de férias dos palcos, ela encara uma nova missão como embaixadora mundial da marca francesa de beleza Lancôme, enquanto recarrega as energias para 2025 – que, felizmente, inclui a esperada passagem pelo Brasil como headliner do Lollapalooza, em março. O esquenta para o festival já começa no papo exclusivo a seguir. Prepare o seu delineado.
Como está sua vida atualmente – mental, profissional e pessoalmente?
Terminei minha turnê mundial GUTS, baseada no meu último álbum de estúdio, em outubro. No momento, estou aproveitando um tempo de descanso. Se eu tivesse que descrever minha vida, diria que está acelerada. Viajei muito, conheci muitas pessoas e, agora, sinto que preciso recarregar as energias.
Atuação, guitarra, piano... De onde vem toda essa criatividade? Você teve alguém para se inspirar? Sempre fui criativa, desde muito jovem. Era uma criança muito emotiva, o que me levou a buscar formas de me expressar — fosse escrevendo em um diário, cantando ou dançando. Meus pais sempre foram extremamente apoiadores. Além disso, tive professores de música incríveis que me ajudaram a canalizar minhas emoções para as canções.
Como é o seu processo criativo?
Não sigo passos específicos, apenas tento escrever o máximo possível. Quanto mais você escreve, mais as ideias surgem. É mágico quando as palavras e melodias simplesmente fluem sem esforço, e isso mantém a composição emocionante.
Você fala sobe mágoa, ciúme, abandono e a sensação de não ser suficiente. Por que esses temas são tão presentes em suas músicas?
Escrevo, antes de tudo, para mim mesma. Compor e cantar são as formas que encontrei para regular minhas emoções e entender meus sentimentos. É muito poderoso ver como essas músicas ressoam com pessoas que nunca conheci. Isso me lembra que, por mais diferentes que sejamos, temos uma humanidade compartilhada e sentimentos comuns.
Como lida com os momentos em que está para baixo?
Assim como qualquer pessoa, alterno entre alegria e períodos mais difíceis. Viajo bastante por causa do trabalho e, frequentemente, não consigo ficar no mesmo lugar por muito tempo. Isso faz com que eu passe longas temporadas longe dos meus amigos e da minha família, o que me deixa ansiosa e solitária. Tento aceitar esses sentimentos, ser gentil comigo. A escrita também ajuda bastante. É importante ter um espaço para expressar emoções negativas sem medo de julgamento.
Você se sente bem-sucedida?
Para mim, sucesso é poder me expressar exatamente como quero, cercada por pessoas que amo. Já aprendi que até as maiores conquistas podem parecer vazias se não forem compartilhadas com quem é importante para você.
Você vive sob os holofotes. Tem um look de maquiagem assinatura?
Comecei a me interessar por maquiagem aos 13 anos, assistindo vídeos no YouTube. Achei tão divertido! Era uma forma de me expressar e experimentar novas identidades. Hoje, meu look assinatura é simples: delineio os olhos com o Lancôme Idôle Liner preto e hidrato os lábios com o Lip Idôle.
Quais são suas três características favoritas em si mesma?
Eu diria coragem, gentileza e conexão.









