Por que a franja já virou uma marca registrada de Taylor Swift
A cantora dedicou dezenas de canções à busca pela identidade, sempre com ênfase na evolução. É irônico, então, que a sua escolha de beleza mais duradoura seja aquela que a maioria das pessoas experimenta por um tempo e depois deixa para trás
O que Red, Reputation, The Tortured Poets Department e The Life of a Showgirl têm em comum? Não é só Taylor Swift, mas também a franja marcante e duradoura da cantora.
Na tentativa de escapar de rótulos estéticos que poderiam “vencer” com o tempo, a reinvenção virou a marca registrada de Swift. Esse ponto foi central em seu documentário de 2020, Miss Americana: “As artistas femininas que conheço se reinventaram 20 vezes mais do que os artistas masculinos", disse ela. "Elas precisam se reinventar. Ou então você fica sem emprego”.
Segundo Swift, essa pressão da indústria musical, e da sociedade como um todo, é um dos principais motivos pelos quais ela trabalha em “eras”. E, até agora, a estratégia tem dado muito certo. Ao atribuir a cada álbum um código visual meticulosamente pensado (e cheio de nostalgia), ela tornou possível a The Eras Tour — a turnê de maior bilheteria da história. A fórmula é simples: a cada novo álbum, surge uma Taylor reinventada, com um guarda-roupa renovado, novos interesses, novas cores favoritas. Mas há algo que permanece inexplicavelmente igual: a franja cheia e reta, que já virou uma assinatura da cantora.
Segundo a lenda Swiftie, Taylor Swift cortou a franja pela primeira vez na véspera de seu aniversário de 22 anos, durante o ensaio para a capa da Vogue de 2012. Em uma entrevista nos bastidores, ela contou que a equipe de beleza sugeriu criar uma franja falsa com extensões. A resposta dela? “Pode cortar de verdade. É a Vogue, por que não?”. Assim, uma decisão que para muitas mulheres costuma render semanas de dúvida foi tomada por Taylor em segundos — e, aparentemente, virou um compromisso para a vida inteira.
“Então, agora eu tenho franja”, declarou a Taylor da era Red, com uma indiferença quase improvável. Treze anos depois, a franja já foi descolorida, alisada, repartida e jogada de lado — mas nunca deixou sua testa. Mais que isso: tornou-se parte inseparável de sua iconografia.
A franja nasceu em meio ao movimento twee do Tumblr, no início dos anos 2010, quando o estilo de franjas pesadas estava em alta — mas resistiu muito além da tendência. Sobreviveu ao corte chanel na altura do queixo, atravessou a fase Lover com seus tons pastel e ganhou ainda mais destaque na capa de Reputation, um marco de reinvenção cultural. Na turnê desse álbum, lá estava ela de novo: emoldurando os fios ondulados e cheios de atitude de Taylor.
Vimos a franja de Taylor Swift naturalmente cacheada durante as eras folklore e evermore, com um ar sombrio e inspirado nos anos 70, e depois em Midnights. Em todos os shows da The Eras Tour, ela subia ao palco com os cabelos longos, lisos e acompanhados de uma franja clássica e reta — mas quase sempre terminava as apresentações com os fios colados à testa em ondas suadas. Fora dos palcos, enfiava a franja sob gorros do Kansas City Chiefs ou a soltava de rabos de cavalo altos e animados enquanto consolidava seu estilo de NFL WAG. Presumivelmente, levará a franja até o altar quando subir ao altar com Travis Kelce.
A franja da cantora combina perfeitamente com a estética de The Tortured Poets Department, mas as imagens promocionais de The Life of a Showgirl, lançadas em 3 de outubro de 2025, levantam a dúvida: será que faz sentido para uma showgirl — com seu cocar de penas, o brilho do glamour e uma agenda de apresentações intensa — manter uma franja tão comum?
Taylor Swift já dedicou dezenas de músicas a falar sobre o processo de transição da adolescência para a vida adulta e sempre destacou a importância da evolução constante. É irônico, então, que sua escolha de beleza mais duradoura e marcante seja justamente aquela que, para a maioria das pessoas, é apenas uma fase passageira.
"Será que Taylor vai mudar o cabelo desta vez?", questionou um usuário ao perfil anônimo de fofocas de celebridades Deuxmoi na semana passada. Apesar de aparecer mostrando mais testa do que o habitual na capa de The Life of a Showgirl, inspirada em Ofélia, tudo indica que a franja veio para ficar. Se ela resistiu ao exaustivo circuito de treinos e shows da The Eras Tour com uma franja espessa, é pouco provável que a abandone em nome da autenticidade efêmera de Las Vegas.
Mais em Condé Nast
Ao longo de todas as suas metamorfoses estéticas, Swift se manteve fiel a algumas escolhas de beleza que viraram assinatura: o icônico batom vermelho, o delineado gatinho pronto para o palco e, acima de tudo, a franja. Em Miss Americana, ela falou sobre a pressão que sente para se “reinventar constantemente — mas sempre de uma forma que seja ao mesmo tempo reconfortante e desafiadora”. O corte de cabelo, nesse caso, acaba sendo justamente esse ponto de conforto. À medida que mergulha em projetos cada vez mais centrados em personagens, sua fórmula de beleza rígida funciona como um lembrete de que a mesma nerd da aula de inglês, dedicada, observada sob os holofotes e autoproclamada, ainda está no centro do universo Swiftie.
Quer você tenha uma admiração nostálgica pela era da franja de Taylor ou esteja torcendo para que ela finalmente mude o visual, é impossível negar: ela está impressionantemente comprometida em fazer esse estilo funcionar. E embora uma grande transformação capilar para marcar o novo álbum pareça improvável — especialmente com os looks de noiva à vista —, já estamos com o glitter preparado para uma era de beleza inspirada nas showgirls.









