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Corpo
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Por Julia Ribeiro (@juribeirodelima)

Que a autoestima não é um caminho fácil, muito menos linear, todo mundo sabe. Mas o que pode ser ainda difícil mesmo é entender quais artifícios do dia a dia ajudam nessa jornada. Do clássico toque para se conhecer até levar o corpo a um limite (talvez) inimaginável de movimento, experts de diversas áreas dão dicas para um caminho mais simples.

Conheça seu corpo com a ajuda de um novo hobby

“O pole dance me ajudou a explorar a potência que é o meu corpo”, comenta Grazi Meyer, criadora do Maravilhosas Corpo de Baile, um coletiv0-escola que dá aulas de pole dance para mulheres reais. Para ela, o pole não tem nada de dança fetichista. Pelo contrário, é uma ferramenta que propõe um novo olhar para si mesma. “A gente começa a entender que o corpo é muito mais do que aparência, do que performance, coisas que somos levadas a enxergar desde sempre”, comenta. “Vemos que nosso corpo é capaz de tanta coisa, independentemente do seu formato, se sua barriga tem furinhos, da sua celulite. Você se vê de cabeça para baixo e pensa: ‘Olha o que eu sou capaz de fazer’.”

Procure ajuda especializada quando possível

Se você não consegue se enxergar para além do espelho, talvez seja hora de procurar ajuda especializada. “O diagnóstico baseia-se na sua história”, explica a psiquiatra Ana Beatriz Cavalcante, da Segmedic. “A terapia congnitivo-comportamental, aliada à apoio emocional é um bom caminho para se conhecer e se entender dentro do corpo que você habita”, indica.

Invista no toque

Sabemos, parece clichê, mas essa é uma das formas mais potentes de se conhecer e explorar esse corpo que você habita. “Não aprendemos a lidar com a potencialidade do nosso corpo como mulher, então quando vamos para o sexo, ele parece ser apenas assustador”, comenta a escritora e idealizadora do podcast Louva a Deusa. “Se tocar apenas você e só você, sem fantasias, sem artifícios, é uma forma não só de se conhecer, mas mostrar para si mesma o que o seu corpo é capaz de realizar sozinho, livre de julgamentos.” A criadora de conteúdo e expert em sexualidade Mari Williams faz coro: “A terapia orgástica fez com que eu descobrisse o que é o meu corpo e o que eu posso causar com ele e apenas ele.”

Sinta-se de verdade

Usar da atenção plena em momentos básicos do dia a dia são ótimos amigos na hora de entender seu corpo. “Passe a mão pelo seu corpo sem pensar em forma, em estética, mas só sentido o que esse movimento te faz sentir. Tome um banho focada apenas nisso, procure as sensações que a água te traz”, sugere Mari. “Vivemos em um automático que muitas vezes nos impede de sentir mesmo todas essas sensações que o corpo nos dá e que vai muito além do estético”, afirma. Que tal aplicar um hidratante com bastante capricho?

8 ferramentas para fazer as pazes com o próprio corpo — Foto: Getty Images
8 ferramentas para fazer as pazes com o próprio corpo — Foto: Getty Images

Converse sobre as suas inseguranças

Para Sofia, uma grande virada de chave e ajuda para entender mais sobre o corpo que a habitava foi conversando com outras pessoas. “Falar sobre o que eu tinha vergonha e ver que tinham pessoas que compartilhavam desse sentimento foi essencial para eu olhar com mais carinho.”

Alie um hobby que você ama à terapia

Terapia é terapia, hobby é hobby! Mas os dois andam muito bem de mãos dadas. A combinação de um tratamento psicológico adequado a um esporte ou até uma atividade física mais lúdica, como dança, pode te fazer enxergar o poder de seu corpo e é uma boa estratégia para se aprofundar nessa jornada.

Cerque-se de quem te inspira e de quem é igual a você

“O Instagram é uma ferramenta incrível para encontrar similares, mas também traz uma perfeição inalcançável se não sabemos para onde olhar”, comenta a consultora de imagem Blenda Moreira. Para ela, encontrar pessoas com o corpo parecido com o seu e fechar uma bolha online foi essencial na jornada de aceitação e autocuidado. “Como sociedade, buscamos representatividade para nos identificar e entender que existem, sim, pessoas com as mesmas dores e inseguranças.”

Reconheça os dias que você não está ok (e tudo bem!)

Entender que o amor próprio não é linear e muito menos uma montanha russa que apenas sobe é essencial para, de fato, desbravar essa jornada. “Eu me permito não estar bem”, comenta Sofia, que busca, nesse momento, coisas que podem deixa-la melhor, de uma conversa com alguém à um momento de reclusão. “Talvez eu aceite que naquele dia eu não esteja bem com meu corpo, mas eu posso estar bem com outra parte de quem eu sou. Aprender a me acolher nos dias em que eu não estou bem é uma das melhores, mais gentis e generosas formas de fazer as pazes com o meu corpo.”

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