Congelamento de óvulos: o que você precisa saber sobre o procedimento
Entenda detalhes do processo que promete preservar a fertilidade e adiar a decisão da maternidade, se necessário for
Definitivamente, o relógio biológico nem sempre caminha lado a lado com as mulheres. Provas disso são os dados relacionados à fertilidade. Entre os 18 e 25, alcançamos o auge dela — momento em que coincide com outros momentos importantes, como conquista do diploma e ascensão profissional. Até os 35, o organismo ainda ajuda quem deseja ser mãe, entretanto, depois disso, as taxas começam a cair. De acordo com a Fiocruz, uma mulher com 40 anos tem chance de 50% de engravidar dentro de um ano. Aos 43 anos, esta chance cai para 1%.
Caminhando com isso, está o pouco conhecimento do nosso próprio corpo. Isso significa que, ao pensar sobre a decisão, podemos não ter à mão todas as informações importantes para isso, o que complica o processo. De acordo com uma pesquisa realizada com 1.500 mulheres entre 18 e 34 anos pela empresa Fertilid, startup volta aos cuidados reprodutivos, apontou que 80% das mulheres não sabem explicar ao certo o papel dos hormônios envolvidos na própria fertilidade e 60% não conversam com amigas ou familiares sobre sua saúde reprodutiva.
Uma das possibilidades para quem quer assegurar mais possibilidades de escolha à medida que o tempo passa é o congelamento de óvulos. O procedimento permite que as chances sejam maiores mesmo conforme o avanço da idade, já que eles ainda estarão jovens. A seguir, elucidamos os principais pontos sobre o assunto com a palavra de especialistas.
Para começo de conversa, você sabe o que é reserva ovariana?
"Ao contrário dos homens, que continuam a produzir espermatozoides ao longo da vida, uma mulher nasce com todos os folículos contendo óvulos em seus ovários. Ao nascer, há cerca de um milhão de folículos. Na puberdade, esse número terá caído para cerca de 300.000. Dos folículos remanescentes na puberdade, apenas cerca de 300 serão ovulados durante os anos reprodutivos", explica o ginecologista e obstetra Rodrigo Rosa, especialista em reprodução humana. Esse banco de óvulos é chamado de reserva ovariana.
O que ela tem a ver com a fertilidade feminina?
Na verdade, tudo. Como as mulheres nascem com todos os folículos que terão, o conjunto de folículos em espera é gradualmente usado. À medida que a reserva ovariana diminui, os folículos tornam-se cada vez menos sensíveis à estimulação do FSH, de modo que requerem mais estimulação para que um óvulo amadureça e ovule. "No início, os períodos podem se aproximar, resultando em ciclos curtos, com 21 a 25 dias de intervalo. Eventualmente, os folículos se tornam incapazes de responder bem o suficiente para ovular consistentemente, resultando em ciclos longos e irregulares", explica Rodrigo.
Outro ponto é que essa reserva não se relaciona apenas com a idade. "Mulheres jovens podem ter alterações devido ao tabagismo, história familiar de menopausa precoce ou até cirurgia ovariana prévia. Também podem ter a reserva diminuída mesmo que não tenham fatores de risco conhecidos", explica o médico.
Como saber como andam os meus óvulos?
No ginecologista, é possível expressar o desejo de entender como ela anda para saber das possibilidades de gestação. Existem exames específicos para entender como andam os hormônios e a reserva ovariana também, como o hormônio anti-Mülleriano (HAM).
"Munidas de informação, escolhemos melhor como conduzir as nossas carreiras e projetar metas sem contar apenas com a sorte", argumenta a empresária Stephanie von Staa Toledo, fundadora da femtech Oya Care. A startup oferece, entre outros serviços, o protocolo "Descoberta da Fertilidade", que traça o panorama pessoal a partir de exames laboratoriais e consulta virtual. Com as análises, é possível ter uma estimativa sobre a reserva ovariana, as perspectivas da menopausa e até se faz sentido congelar os óvulos.
Na mesma seara de questões reprodutivas, a Fertilid é a primeira a oferecer no Brasil um autoexame do nível de hormônio anti-Mülleriano (HAM) — principal indicador de reserva ovariana. A startup também analisa dados relacionados a estilo de vida, histórico familiar e ciclo menstrual para fornecer um relatório personalizado e didático sobre o tema.
Ok, decidi pelo congelamento de óvulos. Como funciona?
O procedimento acontece mediante uma estimulação dos ovários por período de 10 a 12 dias, com o uso de medicações de uso subcutâneo que têm por objetivo fazer com que haja um bom aproveitamento de folículos designados pela natureza para aquele ciclo de tratamento. Durante esse período, são realizadas entre 4 e 6 ultrassonografias de acompanhamento, com eventuais ajustes de doses.
Uma vez que os folículos estejam nos tamanhos adequados, então os médicos passam para o próximo passo, que é o de amadurecimento dos óvulos. Cerca de 36 horas depois, é possível fazer a coleta dos óvulos via transvaginal com sedação leve. Os folículos aspirados são avaliados em laboratório para a identificação dos maduros que serão congelados através de processo de vitrificação.
Quanto tempo o óvulo pode ficar congelado?
Por teoria, não há prazo de validade. Eles não perdem a capacidade reprodutiva e não envelhecem com o tempo de congelamento.
Para quem é indicado?
O congelamento de óvulos pode ser feito em qualquer idade desde que hajam óvulos em quantidade e qualidade necessárias. Porém, os especialistas em reprodução humana aconselham as mulheres a fazerem o procedimento entre 30 e 35 anos. O objetivo é conservar as células e suas condições fisiológicas para uso futuro, além de preservar a autonomia reprodutiva.
Por ser uma técnica recente, não se sabe com precisão a taxa futura de gravidez, mas os trabalhos realizados até aqui mostram que mulheres que congelaram por volta de 20 óvulos com menos de 35 anos tem uma taxa de gravidez futura que atinge em algo próximo a 95%. Após os 35 anos de idade, mesmo congelando número similar de óvulos, a taxa de sucesso do procedimento é menor. A partir dos 40 anos, a queda é ainda mais acentuada: fica difícil conseguir um grande número de óvulos com qualidade para se tornarem um bebê.









