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Por
Caroline Tien
, SELF

É um fenômeno tão comum que já faz parte do nosso cotidiano: mulheres ficam com fome quando a menstruação está chegando. Mais especificamente, existe a ideia de que elas tendem a desejar açúcar e chocolate nesse período, como explica Melissa Groves Azzaro, nutricionista especializada em saúde da mulher.

Embora esse estereótipo possa ter um tom sexista, já que muitas vezes é usado para minimizar ou deslegitimar emoções femininas, há um fundo de verdade, de acordo com a ciência. Muitas mulheres percebem mudanças no apetite nos dias que antecedem o ciclo menstrual. Cada corpo é único, claro, mas essas alterações afetam a maioria das mulheres com ciclos naturais, ou seja, que não utilizam contraceptivos hormonais.

A seguir, entenda por que isso acontece, quando você pode perceber essas mudanças e o que fazer para se sentir melhor. Porque, mesmo sendo um processo natural, isso não significa que seja agradável.

Por que você sente mais fome antes da menstruação?

A resposta está nas oscilações hormonais da fase lútea do ciclo menstrual, que corresponde aproximadamente aos 12 a 14 dias entre a ovulação e o início da próxima menstruação. Nesse período, o corpo se prepara para uma possível gravidez e, por isso, precisa garantir energia suficiente. O metabolismo acelera levemente e a necessidade calórica aumenta.

Durante essa fase, os níveis de progesterona sobem, enquanto os de serotonina caem. Essa combinação pode aumentar tanto o apetite quanto os desejos por comida, especialmente por carboidratos, que são a principal fonte de energia do corpo. Muitas mulheres percebem não apenas que estão comendo mais, mas também que estão buscando mais açúcar e alimentos ricos em carboidratos.

Além disso, o comer emocional também pode entrar em cena. Quando você está se sentindo inchada, com cólica, cansada ou mais sensível, é natural buscar alimentos reconfortantes para melhorar o humor. Soma-se a isso o fator cultural: a associação entre menstruação e vontade de comer doces está presente em filmes, campanhas e no imaginário coletivo, o que pode reforçar esse comportamento ao longo do tempo.

Mulheres que utilizam contraceptivos hormonais podem não perceber mudanças tão marcantes, já que seus níveis hormonais tendem a ser mais estáveis ao longo do mês. Já em casos como a síndrome dos ovários policísticos, essas sensações podem ser ainda mais intensas.

Quando essas mudanças costumam aparecer

De modo geral, o aumento do apetite e os desejos alimentares começam cerca de sete a dez dias antes da menstruação. Embora a fase lútea dure um pouco mais, leva algum tempo até que a progesterona atinja seu pico. É justamente nesse intervalo que as mudanças ficam mais perceptíveis.

E quando isso melhora? Com a chegada da menstruação. Quando o ciclo recomeça, os níveis hormonais caem, o que reduz o apetite aumentado.

No entanto, esse alívio pode vir acompanhado de outro sintoma comum: o cansaço. Nos primeiros dias do ciclo, muitas mulheres relatam fadiga e uma sensação geral de indisposição. A boa notícia é que isso costuma passar rapidamente e, por volta do terceiro dia, a maioria já começa a se sentir mais disposta novamente.

O que fazer para se sentir melhor?

Embora os hormônios sejam os principais responsáveis por essas mudanças, outros fatores também influenciam. Desequilíbrios na glicemia, inflamação, estresse crônico ou dietas muito restritivas podem intensificar ainda mais os sintomas.

Por outro lado, isso significa que você pode se preparar com antecedência e minimizar os impactos. Uma estratégia eficaz é não lutar contra o que o corpo está pedindo, mas responder de forma mais equilibrada.

Em vez de ignorar a vontade por carboidratos, vale incluí-los de maneira consciente e nutritiva na rotina. Opções como aveia no café da manhã, uma salada com quinoa no almoço ou batata-doce no jantar ajudam a atender essa demanda sem causar picos de glicose que podem piorar o mal-estar depois.

Essa abordagem mais gentil permite que você respeite o que está acontecendo no seu corpo, sem comprometer seu equilíbrio geral. E, claro, manter hábitos básicos de saúde, como reduzir o consumo de álcool e açúcar adicionado e priorizar alimentos com ação anti-inflamatória, faz diferença em qualquer fase do ciclo. No fim, a chave não é resistir ao seu corpo, mas aprender a trabalhar com ele.

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