Aqui está tudo o que você precisa saber sobre preenchimento em 2025
O visual com excesso de preenchimento está fora de moda. Veja o que dermatologistas e cirurgiões plásticos recomendam em vez disso
Você provavelmente já ouviu falar que estamos vivendo uma era de saturação com preenchimentos — e, sinceramente, não é difícil entender como chegamos a esse ponto. De bochechas inchadas a lábios volumosos, todos nós já vimos o que acontece quando o preenchimento cai nas mãos de um profissional inexperiente. Mas aqui está a questão: para muitos, a saturação não se trata exatamente de uma oposição ao uso de preenchimentos em geral, mas sim de uma aversão à clássica aparência de “rosto de travesseiro” que o excesso pode causar.
De acordo com o Relatório de Estatísticas de Cirurgia Plástica de 2024 da Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos, os preenchimentos com ácido hialurônico continuam entre os procedimentos cosméticos minimamente invasivos mais procurados do ano. Aproximadamente 5,3 milhões de pacientes optaram por preenchimentos faciais — um aumento de 1% em relação a 2023 —, enquanto quase 1,6 milhão de pessoas recorreram aos injetáveis nos lábios, segundo o relatório.
Em resumo, os preenchimentos seguem extremamente populares. O que está mudando, segundo dermatologistas e cirurgiões plásticos, é a forma como eles são utilizados. Estamos coletivamente passando de uma abordagem do tipo “quanto mais, melhor” para uma preferência por realces sutis, explica o cirurgião plástico Bob Basu, MD, presidente da Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos, sediado em Houston.
Hoje, o foco está menos em injetar várias seringas de preenchimento nos lábios e bochechas e mais em aplicá-lo de forma delicada e estratégica, a fim de conquistar um resultado mais natural e equilibrado. “Os pacientes estão encarando os preenchimentos e outras modalidades de restauração de volume como parte de um plano de longo prazo para o equilíbrio facial, em vez de uma solução pontual ou um procedimento isolado apenas para obter volume”, afirma o Dr. Basu.
Tem curiosidade sobre os detalhes e as diversas possibilidades de uma — ou duas — seringas de preenchimento? Você veio ao lugar certo. Aqui, vai descobrir tudo o que precisa saber antes de se submeter ao procedimento e conquistar a estética desejada.
Existem dois tipos de preenchimento: ácido hialurônico e bioestimuladores
Vamos começar pelo básico: afinal, o que é um preenchimento? E o que exatamente os médicos injetam nas bochechas, lábios, têmporas, orelhas e queixo das pessoas?
Para começar, existem dois tipos principais de preenchimentos dérmicos disponíveis para uso nos Estados Unidos: ácido hialurônico e bioestimuladores. O ácido hialurônico, ou AH, é o mais amplamente utilizado dos dois. O ácido hialurônico é uma molécula que ocorre naturalmente e atrai água, proporcionando um efeito de aumento de volume quando injetado. “Algumas fórmulas de AH têm alta viscosidade e são ótimas para adicionar volume a áreas ‘menos móveis’, como as têmporas e a região central do rosto", afirma Caren Campbell, MD, dermatologista certificada em São Francisco. Outras fórmulas possuem uma textura muito mais fluida, que pode ser injetada de forma mais superficial para hidratar e melhorar a textura da pele. “Pense nisso como injetar um hidratante na sua pele”, explica a Dra. Melissa Doft, cirurgiã plástica com dupla certificação em Nova York. “É mais voltado para a qualidade da pele do que para o volume.”
Já os bioestimuladores injetáveis são formulados com ingredientes como a hidroxiapatita de cálcio — um mineral naturalmente presente nos ossos e dentes — ou o ácido poli-L-lático (PLLA), que é sintético. Embora esses tipos de preenchimentos também possam gerar um efeito de volume visível, o grande diferencial está em sua capacidade de estimular a produção natural de colágeno ao longo do tempo, promovendo resultados mais duradouros.
Segundo a dermatologista Dra. Caren Campbell, esse tipo de substância é especialmente eficaz para a restauração global do volume facial, sendo indicada para pessoas que apresentam uma redução generalizada do volume causada pelo envelhecimento natural ou por uma perda significativa de peso. No entanto, a especialista ressalta que os bioestimuladores não são apropriados para áreas mais móveis do rosto — como a região abaixo dos olhos, os lábios e o entorno da boca. “Nessas zonas, o ácido hialurônico costuma ser a opção mais segura e eficaz", explica.
Um ponto importante: o preenchimento com bioestimuladores pode exigir várias sessões para alcançar os resultados desejados. “Nunca é um processo único para todos”, afirma a Dra. Campbell. “Às vezes, menos de uma ampola é suficiente; em outros casos, podem ser necessárias até seis ampolas ao longo de três meses”. Ela explica que um paciente com perda de volume devido à perda de peso, por exemplo, pode precisar de duas ampolas por sessão, em duas aplicações mensais, com um retoque anual. Já pacientes mais velhos, que “não mantiveram o volume ao longo do tempo”, podem necessitar de três tratamentos com duas ampolas por sessão, realizados ao longo de quatro a seis semanas, além de retoques de manutenção a cada oito a doze meses.
Alguns preenchimentos podem ser removidos ou revertidos
Se você fizer preenchimento labial com ácido hialurônico e não gostar do resultado, a substância pode ser dissolvida com hialuronidase. (Esse tratamento, no entanto, não funciona para bioestimuladores, embora seus efeitos diminuam naturalmente com o tempo). De acordo com o cirurgião plástico Dr. Bob Basu, a possibilidade de dissolver os preenchimentos de ácido hialurônico costuma tranquilizar os pacientes, especialmente aqueles que têm receio de reações adversas ou de uma complicação rara chamada oclusão vascular — um bloqueio dos vasos sanguíneos que pode causar efeitos colaterais graves, como perda de visão. “Mas, novamente, é aqui que sempre defendemos a abordagem de ‘menos é mais’”, acrescenta o especialista.
Embora o preenchimento não seja permanente, isso não significa que mesmo os injetáveis de ácido hialurônico desapareçam completamente após alguns meses. “Embora as pessoas digam que o preenchimento desaparece, há certos efeitos mais duradouros que podem permanecer”, explica o Dr. Basu. Ele acrescenta: “Como alguém que realiza muitas cirurgias faciais, quando operamos pacientes que receberam preenchimento em excesso — mesmo que isso tenha acontecido há anos —, ainda conseguimos ver resquícios do produto nos planos teciduais”. O médico observa que essa condição não impede a realização de um lifting facial ou cervical, mas pode tornar o processo “um pouco mais desafiador” em alguns casos.
O preenchimento não serve apenas para os lábios
Quando você ouve a palavra “preenchimento”, é provável que pense imediatamente nos lábios — mas essas substâncias têm muitas outras aplicações no rosto e até no corpo. Os preenchimentos podem ser injetados em diferentes áreas, como:
- Têmporas, para reduzir a aparência de rosto encovado;
- Bochechas e região central da face, para devolver volume e sustentação;
- Lóbulos das orelhas, para restaurar o volume perdido devido ao envelhecimento ou à perda de peso.
A influência dos medicamentos para perda de peso
O aumento do uso de medicamentos para emagrecimento, como os que atuam por meio dos receptores de GLP-1, também impactou o mundo dos preenchimentos.De acordo com especialistas ouvidos para esta matéria, houve um crescimento significativo no número de pacientes que perderam bastante peso e, como consequência, procuram restaurar o volume facial perdido nesse processo. “Embora casos de flacidez acentuada da pele geralmente exijam uma intervenção cirúrgica, os preenchimentos faciais podem ser indicados para pacientes em tratamento com medicamentos de perda de peso que apresentem diminuição de volume na região central do rosto", explica o Dr. Bob Basu. “É aí que os preenchimentos com ácido hialurônico se tornam uma ferramenta valiosa”, afirma o cirurgião.
Preenchimentos e bioestimuladores em outras áreas do corpo
Os bioestimuladores também podem ser aplicados de forma estratégica em regiões específicas do corpo, como braços, cotovelos e parte superior dos joelhos, para melhorar a textura da pele e suavizar rugas finas, explica a Dra. Melissa Doft. Além disso, médicos experientes conseguem simular os efeitos de um implante de queixo ou até de uma rinoplastia, utilizando preenchimentos bem posicionados. No entanto, é importante destacar que o nariz é uma área vascularmente complexa, e por isso, uma rinoplastia líquida deve sempre ser realizada por um dermatologista ou cirurgião plástico certificado. Essas melhorias não cirúrgicas são ideais para quem busca ajustes sutis no perfil facial ou tem curiosidade sobre procedimentos cirúrgicos, mas ainda não se sente pronto para encarar uma cirurgia definitiva.
“Por exemplo, quando o preenchimento é aplicado no nariz, os médicos podem endireitar o contorno ou melhorar a simetria", afirma a Dra. Doft. “Já o preenchimento no queixo ajuda a equilibrar as proporções do rosto, especialmente quando visto de perfil", explica o Dr. Robert Schwarcz, cirurgião plástico certificado em Nova York.
Ainda que o preenchimento possa transformar o rosto, contornando-o de forma sutil, suavizando rugas, devolvendo volume aos lábios murchos e até mesmo ajustando discretamente o formato do nariz, é importante lembrar que ele não faz tudo. Entre suas limitações, talvez a mais notável seja que o preenchimento não consegue levantar pele com flacidez visível, que geralmente requer procedimentos cirúrgicos para um resultado mais eficaz e duradouro.
“Menos é mais” é a regra geral
Os médicos concordam amplamente que uma abordagem de “menos é mais” é, geralmente, a melhor para preenchimentos. Quando bem aplicada, ela pode restaurar o equilíbrio do rosto e proporcionar um rejuvenescimento sutil. “Um grande equívoco é pensar que os preenchimentos sempre deixam as pessoas com uma aparência exagerada ou ‘inchada’”, afirma a Dra. Dendy Engelman. “Na realidade, quando aplicados estrategicamente e administrados por um profissional qualificado, os preenchimentos podem parecer incrivelmente naturais. Trata-se de restauração, não de exagero.”
O Dr. Bob Basu concorda: “O melhor trabalho de preenchimento é aquele que você não percebe”. De acordo com os médicos ouvidos para esta matéria, começar devagar é sempre uma boa estratégia. Pequenos ajustes podem gerar grandes diferenças no resultado final. “Eu encorajaria as pessoas a não buscarem grandes mudanças com o preenchimento — busquem apenas mudanças muito pequenas e sutis”, compartilha o Dr. Robert Schwarcz. “Essa é a essência de uma experiência bem-sucedida com preenchimento.”
Uma boa consulta vale cada centavo
Uma consulta completa, de preferência com um cirurgião plástico ou dermatologista certificado, é essencial para alcançar os resultados desejados, afirmam os especialistas. “Você ouve as preocupações do paciente, avalia a anatomia e, juntos, tomam decisões compartilhadas para elaborar um plano de tratamento com o qual o paciente se sinta confortável”, explica o Dr. Bob Basu. “Nosso trabalho como cirurgiões plásticos é realmente educar o paciente sobre os prós e os contras, para que possamos tomar a melhor decisão juntos”.
“Apesar da popularidade de clínicas estéticas e ‘bares de injetáveis’, onde é possível simplesmente aparecer para aplicar uma ou duas seringas, é importante lembrar que o preenchimento é um procedimento médico”, alerta o Dr. Basu. “Algumas pessoas pensam que é como ‘vou apenas pintar o cabelo’. Não é assim”, diz ele, acrescentando que, mesmo se tratando de um procedimento não cirúrgico, trata-se de cuidados médicos, e uma avaliação adequada é vital para garantir a segurança do paciente.
Mesmo que o profissional não seja um dermatologista ou cirurgião plástico certificado, você deve passar por uma consulta completa antes de qualquer aplicação. Além disso, não hesite em fazer diversas perguntas sobre a formação do profissional e sobre o protocolo adotado em caso de complicações.
Pode doer um pouco
Mesmo que seja apenas uma pequena picada, enfiar uma agulha no rosto geralmente não é a experiência mais agradável. Áreas como lábios e sulcos nasolabiais são particularmente sensíveis. Para ajudar a reduzir a dor no momento da aplicação, alguns médicos utilizam creme anestésico, uma ferramenta vibratória ou até mesmo um bloqueio dentário. Após a injeção, os pacientes podem apresentar hematomas ou inchaço, que geralmente podem ser controlados com compressas de gelo nas primeiras 24 a 48 horas. “Outra forma natural e eficaz de reduzir o inchaço é consumir abacaxi, que contém bromelina, uma enzima que ajuda a combater a inflamação", explica o Dr. Doft.
Se surgirem pequenas protuberâncias ao redor do local da injeção, elas normalmente podem ser massageadas suavemente. “Costumo dizer aos meus pacientes para massagearem... como se estivessem amassando pão”, comenta o Dr. Doft. É importante lembrar que a dor e as protuberâncias devem começar a diminuir em até 48 horas após a aplicação. Caso a dor persista, piore, ou se a pele apresentar manchas brancas ou vermelhas no local da injeção, isso pode ser sinal de infecção. Alterações repentinas na visão também podem indicar uma emergência médica. Se houver qualquer dúvida sobre os sintomas durante o processo de recuperação, o mais seguro é entrar em contato imediatamente com seu médico.
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Cuidado com as “zonas de perigo”
Embora o preenchimento possa ser aplicado em diversas áreas, alguns locais exigem mais cuidado — especialmente a região dos olhos. “Não gosto de injetar ao redor dos olhos”, diz a Dra. Melissa Doft. “Faço isso ocasionalmente, mas definitivamente não é meu local preferido para aplicação.” O Dr. Bob Basu se refere à região abaixo dos olhos, ao sulco lacrimal e à área ao redor do nariz como as “zonas de perigo”. Além disso, muitos médicos desaconselham a aplicação na glabela — as rugas verticais entre as sobrancelhas, também conhecidas como “onze” — pelo mesmo motivo.
Embora os preenchimentos sejam geralmente considerados seguros quando aplicados por um profissional qualificado, o tratamento nessas áreas apresenta maior risco de oclusão vascular. Os potenciais impactos no sistema linfático, responsável por equilibrar os fluidos do corpo e proteger contra infecções, também são uma preocupação específica ao redor dos olhos. “Os vasos linfáticos são tão delicados nessa região que podem causar bolsas malares ou acúmulos de líquido, especialmente na parte superior das bochechas, e esses podem ser muito difíceis de eliminar”, explica o Dr. Doft. O efeito Tyndall, uma descoloração azulada causada por preenchimento aplicado muito superficialmente, é outro possível efeito colateral. Ele é mais comum na área sob os olhos, devido à pele fina, mas pode ocorrer em outras regiões do rosto.
Os médicos recomendam que mulheres grávidas ou que estejam amamentando evitem preenchimentos, assim como pessoas alérgicas a algum ingrediente presente nesses produtos. “Indivíduos que tomam anticoagulantes também devem evitar os procedimentos, pois há maior risco de hematomas e contusões", explica o Dr. Bob Basu.









