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Pele
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Redação Glamour

Não é incomum, no rolar do feed das redes sociais, que a gente encontre imagens de rostos com descamações intensas e aspecto de queimadura. Para muitas delas, a resposta é que aquela pele acabou de passar por um tratamento de peeling de fenol com o objetivo de eliminar rugas profundas e manchas duradouras.

A seguir, uma dermatologista elucida os principais pontos, acompanhada das recomendações da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

O que é peeling de fenol?

Para começo de conversa, fenol é o nome popular do ácido fênico ou ácido carbólico. Trata-se de um composto que, em contato com a pele, induz a quebra das proteínas da epiderme, coagulação e produção de colágeno. Os primeiros registros de estudos relacionados a ele são do século XIX, mas a difusão viria anos depois, quando foi usado para tratamento de cicatrizes após a Primeira Guerra Mundial.

Já na década de 60, com pesquisas de dez anos em mãos, os médicos dermatologistas norte-americanos Thomas Baker e Howard Gordon desenvolveram a técnica Baker-Gordon, com uma solução defenol diluída em água, óleo de cróton e sabão líquido. Era uma substância mais estável e também com maior capacidade de penetração na pele. Assim nasceu o peeling de fenol.

Hoje, existem versões atualizadas e mais moderadas. Ainda assim, é um tratamento de alto risco, com muitas contra-indicações e nem de perto prática unânime nos consultórios — parte dos profissionais temem fazê-lo em razão das possíveis intercorrências, bem como necessidade de especialização no assunto.

"O peeling de fenol (com ou sem associação do óleo de cróton) é um procedimento dermatológico antigo, utilizado pela medicina estética para renovação intensa das camadas superficiais da pele. Ele é considerado um tratamento de ação muito profunda, com renovação completa da camada mais superficial, a epiderme", explica a dermatologista Larissa Oliveira.

Para tanto, é aplicado um ácido, que provoca uma queimadura controlada na face. A agressão e a inflamação faz com que a pele se regenere. Exatamente por essa característica é que são comuns imagens do pós-procedimento em que as pessoas aparecem com o rosto muito ferido, com crostas e descamações intensas de cicatrização. Também por isso, em muitos casos, são necessárias as prescrições de analgésicos, anti-inflamatórios, antivirais e antibióticos.

Qual é a indicação do peeling de fenol?

"Este tipo de peeling é especialmente indicado para tratar casos de envelhecimento facial severo, caracterizados por rugas profundas e textura da pele consideravelmente comprometida. No entanto, é importante ressaltar que o procedimento apresenta riscos e tempo de recuperação prolongado, exigindo afastamento das atividades habituais por um período estendido", diz a Sociedade Brasileira de Dermatologia(SBD) em nota técnica.

Ainda de acordo com a especialista, ele pode ser realizado no rosto todo ou em áreas pontuais, caso da pele ao redor da boca e ao redor dos olhos.

Quais são os riscos do peeling de fenol? É perigoso?

Sim. "A agressividade e penetração das substâncias utilizadas no peeling de fenol são importantes, em razão das características cardiotóxicas e hepatotóxicas, ou seja, que podem fazer mal ao coração e ao fígado, além de comprometimento renal. Portanto, o paciente deve ser avaliado sob esses três aspectos antes de se submeter a esse procedimento e precisa estar com coração, fígado e rins saudáveis", aponta a médica.

"Devido ao uso de um composto tóxico absorvido pela pele e, consequentemente, pela corrente sanguínea, o procedimento exige precauções rigorosas. É possível que ocorram complicações, como dor intensa, cicatrizes, alterações na coloração da pele, infecções e até mesmo problemas cardíacos imprevisíveis, independentemente da concentração, do método de aplicação e da profundidade atingida na pele", diz a SBD.

Além dos riscos mencionados, o peeling de fenol também deve ser avaliado também em relação às indicações cutâneas e estéticas. "Não raro, pode provocar hipocromia, isto é, uma cicatriz branca na área tratada, o que poderia representar um risco de resultado inestético para pacientes com pele negra. A retração de pele excessiva também pode causar danos ao fechamento da pálpebra e exposição da esclera (parte branca dos olhos)", avisa.

Como é a recuperação do peeling de fenol?

Após o tratamento, a recuperação leva ao menos 30 dias. Durante esse período, é comum que os pacientes permaneçam afastados das atividades cotidianas em razão dos riscos envolvidos, caso da exposição ao sol e possibilidade de infecções, além das dores, incômodos da descamação e fatores estéticos. Neste período, o rosto fica bastante sensível, avermelhado e inchado.

Qual profissional faz o peeling de fenol?

É imprescindível que o método seja aplicado por médicos especialistas, como dermatologistas e cirurgiões plásticos. "Os pacientes também devem estar sedados por um médico anestesista e monitorizado durante todo o procedimento, em especial pelo risco de arritmias cardíacas", explica a médica.

Exatamente por isso, ele deve ser idealmente realizado em ambiente hospitalar, nos centros cirúrgicos, ou em clínicas médicas adaptadas a procedimentos invasivos e com suporte médico adequado disponível.

O peeling de fenol é o único tratamento possível?

Embora, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, o peeling de fenol "proporciona uma renovação intensa da pele, estimulando a produção de colágeno e reduzindo significativamente rugas e manchas", há muitos tratamentos mais atuais e disponíveis na medicina estética.

Hoje, é possível contar com uma infinidade de lasers e outros aparelhos dedicados ao estímulo de colágeno, renovação celular e tratamento de manchas e cicatrizes. A radiofrequência, os ultrassons micro e macrofocados, microagulhamento, fios de PDO e bioestimuladores de colágeno injetáveis são alguns deles. Elas são tecnologias mais modernas e menos agressivas, que tratam sem riscos, em métodos quase indolores e sem necessidade de afastamento das atividades cotidianas.

Quanto custa o peeling de fenol?

Entre 10 a 30 mil reais.

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