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Pele
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Por
Vanessa Santos*
, Glamour Espanha*

A água é vida. É uma substância química insípida, inodora e quase incolor, o principal constituinte da hidrosfera terrestre e dos fluidos de todos os organismos vivos conhecidos. No entanto, no mundo da beleza, a água foi deixada de lado, ofuscada por séruns com nomes complexos e rotinas intermináveis. Ficamos obcecados por tônicos leitosos. O colágeno – e as suas qualidades milagrosas – também nos seduziu. Retinol. Vitamina C. Neste cenário, é muito fácil esquecer que a água é um elemento crucial para manter o brilho e a saúde da nossa pele. Afinal, é o componente mais importante do que passamos de manhã e à noite.

Para entender melhor a importância da água e como sua qualidade afeta a nossa pele, conversamos com a farmacêutica especializada em cosméticos Marta Barrero.

Por que a água é essencial para a saúde da pele

“Embora tenhamos tendência para nos concentrarmos muito nos ingredientes ativos como o retinol, o ácido hialurônico, a vitamina C, etc., a água é essencial para a saúde da nossa pele. A hidratação da pele depende não só dos cosméticos que aplicamos, mas também de um equilíbrio adequado, tanto nas camadas internas quanto externas da pele. Ela mantém a função de barreira da pele, promove a elasticidade, evita a descamação e contribui para uma aparência radiante”, explica Marta Barrero. “Sem um bom nível de hidratação, nem mesmo o melhor sérum pode proporcionar resultados ótimos. Para isso, não se trata apenas de beber litros de água, mas também pode utilizar produtos que ajudem a retê-la na pele e a proteger o seu filme hidrolipídico de fatores que podem alterá-lo”.

A qualidade da água pode variar significativamente dependendo do local onde se vive, e isso inevitavelmente tem efeitos diferentes na pele. “A água dura contém mais sais minerais, principalmente cálcio e magnésio, enquanto a água macia tem uma concentração muito menor. Se você tomar banho ou lavar o rosto com água dura, os sais minerais podem se depositar na pele e ressecá-la mais facilmente. Eles também podem interagir com os surfactantes dos produtos de limpeza, dificultando a remoção e deixando resíduos”, diz Marta. “A água macia, por conter menos sais, é mais suave para a pele, deixa uma sensação mais macia e permite que os produtos de limpeza atuem e enxaguem melhor”.

Efeitos negativos da má qualidade da água

“O sol é o principal fator no envelhecimento da pele, a poluição gera estresse oxidativo e a alimentação afeta na produção de sebo, a microbiota e o equilíbrio geral da pele. Em outras palavras, esses são fatores que têm um impacto bastante direto e visível”, destaca a especialista. “A qualidade da água, embora mais silenciosa, também pode influenciar na condição da nossa pele, especialmente em áreas onde a água é muito dura e, portanto, altamente mineralizada, promovendo sensações de repuxamento, ressecamento, descamação e irritação. Dessa forma, podemos perceber que é um fator que devemos levar mais em conta no nosso dia a dia, já que usamos a água constantemente em nossas rotinas faciais e corporais”.

Estas são algumas das consequências da água dura para a pele, segundo a dermatologista Marta Barrero:

  • Sensação de repuxamento imediato após a lavagem;
  • Pele áspera e mais suscetível a descamar;
  • Aumento da sensibilidade ou da reatividade em peles já sensíveis;
  • Aparecimento de erupções cutâneas ou espinhas devido à alteração do pH e do equilíbrio microbiano. A água com teor elevado de cálcio tem um pH mais alcalino, o que pode aumentar temporariamente o pH da pele. Se essa exposição frequente pode causar alterações persistentes, levando à irritação, desequilíbrio da flora bacteriana, aumento da sensibilidade e desidratação;
  • No corpo, pode até causar coceira e desconforto em pessoas com dermatite atópica ou eczema.

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