Loading beleza & estilo

Preparing Beleza Estilo information...

Pele
Publicidade

No universo da geração Z, nada escapa de ser debatido – nem mesmo a eficácia e importância do protetor solar. No TikTok, vídeos com as hashtags #AntiSunscreen ou #NoSunscreen já somam mais de 18 milhões de visualizações e levantam uma dúvida preocupante: será que o filtro solar é mesmo necessário? A questão ganhou tanta força que, nos últimos meses, as buscas no Google por "protetor solar causa câncer?" cresceram em 160%.

O movimento Anti Sunscreen começou em 2019, quando a FDA, agência reguladora dos Estados Unidos, solicitou mais estudos sobre certos componentes, como oxibenzona e homosalato, presentes em algumas fórmulas. A medida, que fazia parte de um processo de atualização científica, acabou sendo interpretada como dúvida e apontando um alvo em direção ao filtro solar como se fosse vilão. Desde então, os vídeos questionando sua eficácia se multiplicaram e o hábito de aplicá-lo passou a ser colocado em xeque.

No Brasil, os números refletem essa resistência. De acordo com o Instituto de Cosmetologia de Campinas, 65,5% da população não aplica protetor solar diariamente; 23,3% dispensam o uso em dias nublados ou chuvosos; 41,6% não reaplicam o produto durante o dia; e 36% sequer sabem a quantidade correta indicada para a fotoproteção. Esses hábitos acendem um alerta entre os especialistas, visto que, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a exposição cumulativa à radiação ultravioleta (UV) pode provocar desde alterações benignas até cânceres de pele como o carcinoma basocelular, espinocelular e o melanoma.

No entanto, a ciência segue firme em dizer que o protetor solar continua sendo indispensável. “A exposição solar é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de mutações no DNA e o câncer de pele”, explica a médica pós-graduada em dermatologia Julia Kelman. A seguir, confira a importância de usar o filtro solar e porque ele não é o grande vilão para a sua pele, muito pelo contrário.

Por que o protetor solar é indispensável?

Se existe um passo de skincare que não pode ser deixado de lado, é o uso do protetor solar. Muito além de uma questão estética, ele é uma medida essencial para a saúde da sua pele, visto que protege contra os efeitos da radiação ultravioleta (UVA e UVB), que está presente não apenas nos dias ensolarados, mas também quando o céu está nublado ou até dentro de ambientes fechados, já que parte da radiação atravessa vidros. “Os raios UVA podem penetrar em janelas e são responsáveis pelo envelhecimento precoce da pele – lembre “A” de “age”. Enquanto os raios UVB são os principais responsáveis pelas queimaduras solares – lembre “B” de “burn”, explica Julia Kelman.

De acordo com a médica, a proteção diária é indispensável para evitar desde queimaduras solares até problemas mais sérios, como o câncer de pele, que é o tipo mais incidente da doença no Brasil. “Estudos mostram que a proteção contra a radiação UV ajuda a prevenir mutações celulares que podem levar ao câncer e que o uso regular de filtro solar pode reduzir o risco da doença – incluindo melanoma, que é o tipo mais grave”, aponta ela.

Além da prevenção de doenças, o filtro também é aliado da beleza. “Eu brinco que se eu não consigo convencer o paciente a usar protetor solar pelo risco de câncer, consigo quando explico que seu uso ajuda a evitar rugas, manchas, perda de elasticidade e outros danos causados pelo chamado exposoma – o conjunto de fatores ambientais que afetam a pele, como a radiação UV, poluição e estresse oxidativo”, diz ela.

O filtro solar também ajuda a bloquear a formação de produtos finais de glicação avançada (AGEs) induzidos pela radiação UV, que podem agravar o envelhecimento e doenças cutâneas. “Assim, ao incorporar o produto na sua rotina, você melhora a defesa da pele contra fatores ambientais adversos, promovendo uma saúde cutânea melhor ao longo do tempo”, completa Julia Kelman.

Para ajudar nesse processo, a vitamina C pode ser uma grande aliada, potencializando os efeitos do protetor. “Ela atua como antioxidante, neutralizando os radicais livres gerados pelo sol e outros estressores, ajuda a clarear manchas e uniformizar o tom da pele. Juntas, vitamina C e protetor solar promovem uma pele mais saudável e protegida”, aconselha.

Quais são os principais riscos de não usar protetor solar a longo prazo?

Os efeitos da radiação ultravioleta (R-UV) sobre a pele podem ser considerados imediatos (agudos) ou tardios (crônicos). “As consequências imediatas são eritema, elevação da temperatura da pele, espessamento, pigmentação imediata ou persistente, bronzeamento tardio e produção de vitamina D”, aponta Kelman. “Já os efeitos crônicos consistem no envelhecimento extrínseco ou fotoenvelhecimento, que é o desenvolvimento de rugas, espessamento da pele, dilatação dos vasos sanguíneos e surgimento de múltiplas lesões pigmentadas nas áreas fotoexpostas”.

Os mitos que circulam na internet

Apesar de toda a ciência, o protetor solar ainda é alvo de desinformação e há quem diga que são dispensáveis e até prejudiciais para a saúde da pele. “Uma das minhas maiores dificuldades é conseguir educar um paciente em relação a importância do uso diário do filtro solar, frente a esse boom de influenciadores indo contra o produto e afirmando que são tóxicos para a pele”, declara. “Pode ficar tranquilo, todas as substâncias aprovadas pela Anvisa para uso em filtros solares são seguras quando aplicadas nas concentrações recomendadas e de forma tópica, não havendo evidências de efeitos carcinogênicos, estrogênicos ou toxicidade sistêmica”, garante.

Além disso, muitas vezes, os protetores solares são considerados produtos pegajosos ou pouco confortáveis de usar, fazendo com que as pessoas simplesmente os ignore. “Porém, ao mesmo tempo, os benefícios não são percebidos por conta da sua falta de uso contínuo, uma vez que a prevenção ao fotodano e ao câncer de pele ocorre principalmente a longo prazo”, explica a Dra. Julia. Para contornar isso, a indústria farmacêutica tem buscado soluções que tornem os fotoprotetores mais atrativos, combinando outros ativos na formulação. O objetivo é oferecer, além da proteção solar, benefícios perceptíveis em curto prazo, incentivando o uso frequente.

Outro mito comum é que o uso do filtro solar prejudica a produção de vitamina D. Segundo a especialista, em países com alta incidência solar, como o Brasil, “as medições da radiação UV mostraram que, em todos os meses do ano, seus níveis são altos o suficiente para garantir a produção adequada de vitamina D. Portanto, segundo o consenso de fotoproteção da Sociedade Brasileira de Dermatologia, devemos nos preocupar mais com os riscos relacionados à exposição solar do que com os riscos relacionados à sua não exposição”.

As celebridades reforçam esse debate?

Nem mesmo as celebridades escapam da polêmica em torno do protetor solar. Em 2024, a modelo Isabella Fiorentino afirmou ter abandonado o produto há seis anos, passando a usar apenas óleos para tomar sol. A prática, porém, pode trazer riscos sérios à saúde da pele. Segundo a médica pós graduada, “as primeiras preparações de filtros solares foram veiculados em óleo". Popularmente, eram conhecidas como bronzeadores. Infelizmente, a facilidade de aplicação resulta em baixa efetividade, pois deixa uma fina película transparente sobre a pele e reduz o FPS. Dependendo do óleo escolhido, o paciente pode ‘fritar’ no sol e sofrer queimaduras solares graves”.

@patriciaalvesmel Isabela Fiorentino revela seu segredo para uma pele perfeita sem filtro solar por 6 anos! Descubra como ela combate o melasma e revitaliza a pele usando apenas óleos naturais. Diga adeus aos químicos e olá para uma pele radiante! Acompanhe para mais dicas de beleza diretamente da nossa diva da moda e especialista em beleza! IsabelaFiorentino semfiltrosolar cuidadoscomapele Melasma DicasDeBelezacortePodcastIsabela

A profissional ainda alerta para a confusão e dúvida comum com substâncias de origem botânica, como extrato de Polypodium leucotomos, polifenóis e carotenóides. “Nenhuma dessas substâncias pode substituir o uso dos fotoprotetores tópicos, sendo apenas coadjuvantes no processo de fotoproteção”, reforça.

Outra declaração da modelo de que “a dica para cuidar do melasma é não cuidar e esquecer que ele existe”, foi contestada pela especialista. “Essa afirmação é um absurdo, nenhuma condição dermatológica (ou na vida) é resolvida desse modo. O melasma é uma mancha que levou anos para se formar, e não são dias ou meses que serão capazes de combatê-la”, explica.

Para a médica, o sol continua sendo o inimigo número 1 do melasma, e o uso de filtro solar – de preferência com cor, para cobrir visivelmente as manchas – é fundamental. “Se o paciente seguir um cronograma de tratamento, usando clareadores potentes, mas nem sempre tão agressivos, e laser nos parâmetros e frequências adequados, terá um bom controle do seu melasma. E aqui falo de controle, não cura”, completa.

Ácidos e tratamentos podem substituir o filtro solar?

Mesmo os cuidados mais sofisticados com a pele, como ácidos, clareadores e lasers, não podem substituir a proteção diária contra o sol. “Nada nunca substituirá a proteção solar. Os tratamentos tópicos, orais e em consultório são nossos aliados, mas de maneira complementar”, esclarece Julia. Ela ainda explica que, ao planejar procedimentos estéticos, a proteção solar é prioridade. “Quando um paciente chega ao consultório querendo realizar um laser, mas não tem o hábito diário de aplicar o filtro, eu faço questão de educá-lo nesse ponto antes de qualquer investimento nas tecnologias. First things first, vamos começar pelo básico”.

Como aplicar o protetor solar corretamente

A aplicação correta do produto é tão importante quanto usá-lo todos os dias. “A Sociedade Brasileira de Dermatologia recomenda filtros solares com FPS mínimo de 30, diariamente, e reaplicados a cada 2 horas se houver exposição solar ou contato com a água”, aconselha a médica. Para saber a quantidade correta, siga a famosa “regra dos 3 dedos” – que consiste em aplicar protetor solar nos dedos indicador, médio e anelar, e espalhar pelo rosto, sem esquecer do pescoço e das orelhas. “Lembre-se também do cabelo. Atualmente, temos brumas capilares específicas para proteger o couro cabeludo e a oxidação dos fios”.

Mas existe um protetor solar ideal? Isso varia de pessoa para pessoa. “O filtro solar certo é aquele que você se adaptou com a textura, cosmética, fragrância e usa todos os dias. Quando você encontra o the one, será como escovar os dentes: algo automático na sua rotina da manhã”, brinca a profissional.

Seja para prevenir o câncer de pele, reduzir manchas, evitar o envelhecimento precoce ou simplesmente garantir uma pele mais saudável no futuro, o uso diário do protetor solar é insubstituível. Apesar dos mitos que circulam nas redes sociais, a ciência é clara: os filtros solares são seguros, eficazes e aliados indispensáveis para a saúde cutânea.

Para a geração Z, que cresceu cercada de informações digitais e precisa lidar com o excesso de opiniões conflitantes na internet, adotar o filtro solar como hábito é também uma forma de autocuidado e responsabilidade com o próprio corpo. No fim das contas, a fotoproteção não é só uma questão estética — é uma escolha de saúde que reflete no bem-estar a longo prazo.

E se a desculpa for textura ou conforto, agora já existem diversas fórmulas para você experimentar – em , stick, com cor e com diversos toques diferentes –, que se adaptam a diferentes rotinas e estilos de vida.

Mais recente Próxima Dolce & Gabbana lança linha de skincare no Brasil: aqui estão as nossas impressões

Mais lidas

Mais de Glamour