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Saúde
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Por Malu Pinheiro (@mariluisapp) e Isabella Marinelli (@isabellamarinelli)

Nesta semana, vídeos de Juliana Vilela, 30 anos, viralizam nas redes sociais, como TikTok e Twitter. Neles, a jovem natural de São Luís, Maranhão, conta e mostra a evolução de um “sinal” que surgiu em seu nariz – e que, posteriormente, recebeu o diagnóstico de câncer de pele.

Em entrevista à Glamour, a empreendedora do ramo da moda e cirurgiã dentista explicou que o sinal surgiu em abril do ano passado. “Começou a crescer uma espécie de bolinha ou protuberância, que parecia muito uma espinha interna”, explicou. Como Juliana não apresentava isso antes, aquilo começou a incomodá-la e ela decidiu ir em uma dermatologista para remover. “Ela chegou a fazer uma biópsia em que o resultado não dizia exatamente o que era. Constava como ‘achados morfológicos não possuem especificidade diagnóstica’, ou seja, sugeria algo, mas não batia o martelo, mas também excluía a malignidada”, contou.

Com esse diagnóstico em mãos, ainda que inconclusivo, a dermatologista decidiu cauterizar – e aí os problemas aumentaram. “A ferida não cicatrizou mais e o tempo todo ficava abria”, relembrou Juliana.

Juliana Vilela — Foto: Arquivo pessoal
Juliana Vilela — Foto: Arquivo pessoal

A busca pela resposta

Depois da cauterização, a jovem passou por diversos médicos e dermatologistas de São Luís e disse que nenhum deles falou sobre a possibilidade de um câncer. “Eu sou empreendedora e dona de uma loja feminina em um shopping de São Luís. A ferida aberta me incomodava muito porque estava muito feia. Eu não sentia vontade de fazer meus provadores e nem de sair, mas me esforçava muito porque eu não podia parar”, disse.

@juliana.lvilela Respondendo a @Beatriz Neres Nao sei se expliquei direitinho mas é isso 🥺

Juliana seguiu trabalhando e buscando a solução, mas já mais preocupada. “Até que minha mãe encontrou com uma amiga no supermercado que tinha tido câncer e ela indicou alguns médicos em São Paulo. Nós fomos, mas ainda sem imaginar que poderia ser algo sério”, disse.

Já em São Paulo, as possibilidades giravam mais em torno de um carcinoma, algo mais comum. Até que Juliana recebeu o diagnóstico da segunda biópsia que ela fez no Hospital AC Camargo. “Eu estava no Rio de Janeiro, em um show do RBD, quando li ‘inconclusivo para sarcoma’. Eu chorei um pouco, mas ainda não tinha dimensão do que era porque não encontrei muitas informações no Google, afinal é algo mais raro”, relembra.

O tratamento

Os médicos agora sabiam que era preciso retirar o tumor, mas, pela localização, era difícil chegar em um consenso de como proceder. “A dúvida era se faríamos uma cirurgia bem grande para retirar toda a peça que, no caso, era o meu nariz, ou uma menor, mas com risco de ficar alguma célula cancerígena. Infelizmente, eu precisei optar pela primeira opção pois era o mais seguro a se fazer”, conta.

Depois de algum tempo, Juliana começou os procedimentos para ‘refazer’ o nariz a partir de enxerto, com pele da sua própria testa. Ela conta que ficou muito insegura com todos os procedimentos. “Eu chorava muito, achava que meu noivo (na época, porque agora casamos) iria me largar... Eu não estava mais confiando em mim mesma como mulher”, relembra.

Até que a chave virou. “Já era final de ano e, como já disse, sou dona de loja. Trabalho com autoestima e várias vezes quis desistir de fazer minhas postagens com as minhas mercadorias novas de final de ano. Porém, tive muita gente me apoiando, inclusive de influenciadoras locais. Foi que eu pensei: tem muita gente torcendo por mim. Sou forte, sou mulher e guerreira. Não posso passar por tudo isso sem fazer meus posts, sem lutar pela minha empresa. Fui lá e comecei a mostrar meus produtos e contando também que estava em tratamento”, disse.

@juliana.lvilela Respondendo a @Jhe Sarcoma! Depois passo e conto um pouco mais dos detalhes. Por enquanto estou ficando um pouco afastada das redes 🙏

Agora, quase um ano depois do surgimento daquele sinal, Juliana está curada do câncer e entra na fase de cirurgias plásticas para reconstruir seu nariz. “E eu acho essa a pior fase em relação a autoestima, claro. De saúde, estou bem, mas todos os dias tento melhorar como me sinto com minha própria imagem. Tento me arrumar com roupas bonitas, acessórios e maquiagem para me sentir melhor”.

A repercussão

Com os vídeos, Juliana repercutiu nas redes sociais e tem impactado muita gente. No TikTok, um de seus vídeos já passa de 4 milhões de visualizações. “Eu nunca imaginei alcançar tanta gente. Estou inspirando muitas pessoas, mas o principal é: estou alertando muita gente para o câncer”, diz. “Já recebi muitos relatos de cânceres que viraram metástase porque não deram a devida importância para pintas ou sinais”.

Alerta para o câncer de pele

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), estima-se que entre 2023 e 2025 serão registrados, por ano, mais de 8 mil novos casos de câncer de pele do tipo melanoma, que tem origem nos melanócitos (células produtoras de melanina, substância que determina a cor da pele), e mais de 220 mil casos de câncer de pele não melanoma, que ocorre principalmente nas áreas do corpo mais expostas ao sol, como rosto, pescoço e orelhas. "O nosso clima tropical contribui para termos mais exposição aos raios ultravioletas que são os grandes vilões para o câncer de pele", explica o dermatologista Rafael Azevedo.

“O autoexame de câncer de pele é extremamente importante, pois somente o paciente sabe quais são as ‘pintas’ que ele já tinha desde a infância ou que surgiram após os anos. Também é o paciente que sabe se as lesões vieram se modificando com o passar do tempo ou se causam dor ou prurido. Em qualquer época do ano, devemos nos examinar e procurar um dermatologista ao primeiro indício de lesão suspeita”, explica a dermatologista Mônica Aribi, sócia efetiva da Sociedade Brasileira de Dermatologia e membro Internacional da European Academy of Dermatology and Venerology.

A médica explica que, geralmente, essas lesões suspeitas são caracterizadas por feridas que não cicatrizam ou "pintas" que aumentam de tamanho, mudam de cor, doem ou coçam. "As lesões de pintas também devem obedecer a regra do ABCDE, ou seja, não podem ser assimétricas (A), não podem ter bordas (B) irregulares, nem ser de várias cores (C), não ter diâmetro maior de 1 cm; também não devem evoluir (E) em tamanho", explica Mônica.

A dermatologista descreve ainda de que forma é possível fazer o autoexame da pele:

  1. Examinar seu rosto, principalmente o nariz, lábios, boca e orelhas;
  2. Para facilitar o exame do couro cabeludo, separe os fios com um pente ou use o secador para melhor visibilidade. Se houver necessidade, peça ajuda a alguém;
  3. Preste atenção nas mãos, também entre os dedos;
  4. Levante os braços, para olhar as axilas, antebraços, cotovelos, virando dos dois lados, com a ajuda de um espelho de alta qualidade;
  5. Foque no pescoço, peito e tórax. As mulheres também devem levantar os seios para prestar atenção aos sinais onde fica o soutien. Olhe também a nuca e por trás das orelhas;
  6. De costas para um espelho de corpo inteiro, use outro para olhar com atenção os ombros, as costas, nádegas e pernas;
  7. Sentada, olhe a parte interna das coxas, bem como a área genital;
  8. Na mesma posição, olhe os tornozelos, o espaço entre os dedos, bem como a sola dos pés.

Lembrando que o autoexame não dispensa a consulta anual no dermatologista, ok?

Como as principais causas do câncer de pele incluem a exposição solar, principalmente entre 10 e 16h, período em que os raios solares UVB são abundantes e incidem perpendicular à pele causando queimadura, o ideal é evitar esses horários, segundo a médica. "Sabemos que a queimadura solar é um sinal de predisposição ao câncer de pele. A maior incidência das lesões ocorre nos fototipos mais baixos (1, 2 e 3), que são os fototipos das pessoas mais claras. Os traumas repetidos num local da pele também são causas de câncer de pele", explica.

Quanto à prevenção, a médica conta que ela se dá principalmente evitando a exposição solar. "Devemos sempre usar filtros solares com no mínimo FPS 30 para UVB e proteção de 15 para UVA que, apesar de não ser tão responsável pelas formações cancerígenas, envelhece muito a pele por degenerar o colágeno. Outra maneira de evitar lesões cancerígenas de pele é nunca sofrer traumas constantes na mesma região da pele, como armações de óculos que machucam o nariz, puxar pele dos lábios, morder as bochechas etc", afirma.

O tipo mais comum de câncer de pele é o carcinoma basocelular, que também é o menos agressivo. Temos ainda o espinocelular de agressividade média e o melanoma maligno de grande agressividade e pior prognóstico”, destaca a dermatologista. “Ao perceber uma pinta ou mancha suspeita, a conduta correta é marcar urgentemente uma consulta com um dermatologista. Também é importante confirmar se o profissional tem RQE, que é o registro de especialidade ou Título de Especialista”, completa.

Os tratamentos dependem do tamanho da lesão e do tipo de câncer de pele. “Quando são menores de 0,5 cm, podemos por vezes tratar apenas com aplicação tópica de cremes citostáticos. Na maioria das vezes, preferimos retirar a lesão cirurgicamente para poder enviar a lesão para o exame anatomopatológico e verificarmos se as bordas estão sem comprometimento da lesão. Se as bordas estão livres, na maioria dos casos, o paciente é considerado curado. Nos tipos mais malignos, por vezes precisamos fazer além da excisão, mapeamento para averiguar se não há lesões em outros órgãos e às vezes radioterapia. Nos últimos anos, temos quimioterapia para lesões tipo melanoma maligno. Mas é importante nunca deixar apenas cauterizar, pois a lesão pode se aprofundar”, finaliza a dermatologista.

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