Caso Ana Maria Braga: qual é a relação entre câncer e HPV?
Entenda como a infeccção pelo vírus se relaciona às doenças com malignidade e como preveni-las
Por Redação Glamour
Em entrevista ao Fantástico, apresentadora Ana Maria Braga relembrou que teve um câncer na região do ânus causado pela infecção do vírus HPV. "Quando consegui descobrir o que tinha, já estava adiantado. Tinha uma chance mínima de sobrevivência", afirmou sobre o quadro diagnosticado em 2001. Ainda segundo ela, o assunto era tabu na época. "Não tinha a mínima informação", disse. "Você não tem que se sentir culpado por ter ficado com câncer. Você não tem culpa, por ser uma mulher sexualmente ativa. Você é mãe, não tem como ser mãe sem ser sexualmente ativa. Eu acho que a sexualidade tem que ser encarada da forma que ela é. É uma coisa natural, feita da natureza, senão a gente não estaria aqui", completou.
De acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), dois tipos de HPV (16 e 18) causam 70% dos cânceres do colo do útero e lesões pré-cancerosas. Também há evidências científicas que relacionam o HPV com cânceres do ânus, vulva, vagina, pênis e orofaringe. A seguir, os ginecologistas João Bosco Borges e Silvia Jau tiram todas as dúvidas sobre o assunto.
Qual é a relação do câncer com o HPV?
Segundo a a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica, de 85 a 90% dos casos de câncer de colo de útero se referem ao carcinoma epidermoide, que acomete o epitélio escamoso. Já o adenocarcinoma é o tipo mais raro e atinge o epitélio glandular, em aproximadamente de 10% dos casos. Ambos são causados por uma infecção persistente por tipos oncogênicos do Papiloma Vírus Humano (HPV). O Instituto Oncoguia também dá conta de que a maioria dos cânceres de ânus espinocelulares parece estar associada ao HPV.
O HPV é um grupo de mais de 150 vírus relacionados. Certos tipos são denominados de alto risco porque estão fortemente relacionados a cânceres. Outras variações, de baixo risco, causam outros sintomas, como verrugas genitais.
É possível preveni-lo?
Sim. Uma vez que está estabelecida a relação de certos tipos de câncer com a infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV), a prevenção é possível. Em primeiro lugar, em relação ao contágio pelo vírus, que se dá pelo contato sexual. Além do sexo com preservativos, há outras medidas, como a vacinação contra o HPV e a realização anual do papanicolau a partir dos 20 anos ou início da vida sexual. Os hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, prática de exercícios físicos e abandono do tabagismo são algumas das dicas para prevenir este e outros tipos de câncer.
Como funciona a vacinação contra o HPV?
No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza a vacina quadrivalente contra o HPV para meninas e meninos de 9 a 14 anos, homens e mulheres transplantados, pacientes oncológicos em uso de quimioterapia e radioterapia, pessoas vivendo com HIV ou Aids e vítimas de violência sexual.
Na rede privada, há ainda a disponibilidade da vacina nonavalente, que protege contra os nove tipos mais comuns de HPV e oferece 90% de proteção contra o câncer de colo de útero. O custo é de cerca de R$ 1 mil por dose e pode ser tomada, inclusive, por quem já teve contato com o vírus.
A vacinação no Brasil
A cobertura vacinal contra o HPV no Brasil está abaixo dos 80% desejados pelo Ministério da Saúde. Para efeito de comparação, países da Europa conseguiram zerar os casos de câncer de colo de útero causados pelo vírus. Especialistas creditam a pouca adesão à desinformação (de fake news sobre efeitos colaterais até falta de educação sexual), ao alto custo no sistema privado e ao fato de que nem todo mundo volta para a segunda dose.









