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Saúde
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Você já notou sua pele mais sensível, com vermelhidão, acne ou até mesmo descamação em momentos de grande estresse? Saiba que isso não é uma grande coincidência. A nossa pele está diretamente ligada às nossas emoções e pode refletir o que sentimos. Situações de estresse intenso, ansiedade, nervosismo e sobrecarga emocional podem desencadear reações químicas no nosso organismo, resultando no surgimento ou agravamento de diversas condições dermatológicas.

Coceiras, vermelhidões, acne, queda de cabelo e até inflamações mais severas podem surgir como respostas físicas ao impacto emocional. Recentemente, a influenciadora Mariana Sampaio compartilhou em suas redes sociais que estava sofrendo um caso de perseguição e percebeu uma reação imediata em sua pele em razão do estresse sofrido durante o período de "stalker".

@sampaiomariana Respondendo a @Paolla Pita

Mas por que isso acontece? Como o estresse e a ansiedade alteram a nossa pele? As dermatologistas Juliana Palo e Camila Rosa explicaram de que forma as emoções influenciam na saúde da pele e quais são os sinais de alerta que indicam que algo não vai bem.

Como as emoções impactam na saúde da pele?

A nossa pele é muito mais do que um órgão de barreira, e sim um órgão vivo que reflete e retrata quem somos e como estamos por dentro e por fora – e não é à toa que ouvimos expressões como “vermelho de raiva”, “roxo de frio”, “à flor da pele”, já há uma ligação direta entre as emoções e a epiderme.

 — Foto: Getty Images/Jena Ardell
— Foto: Getty Images/Jena Ardell

De acordo com a dermatologista Juliana Palo, na medicina existe uma linha de estudos chamada psicoimunodermatologia, que estuda a relação das emoções, do sistema imune e da pele. “Nosso organismo possui neuropeptídeos, que são sinalizadores que levam informações do cérebro à pele e vice-versa. Aproximadamente 40% das manifestações cutâneas estão relacionadas a fatores emocionais, e o mesmo acontece com o sistema endócrino e imunitário”, explica. “No caso da Mari Sampaio, certamente houve uma liberação de neuropeptídeos estressores, fazendo com que surgisse ou piorasse lesões cutâneas em prol desse estresse”.

“Além disso, a pele e o cérebro vêm da mesma camada embrionária (ectoderma), o que explica a forte conexão entre as emoções e manifestações cutâneas”, afirma a dermatologista Camila Rosa. Dessa forma, torna-se o único órgão que retrata para o mundo tudo o que manifestamos por dentro, seja tristeza, alegria, medo, raiva, paixão, alguma manifestação desses sentimentos surgirão. “Por exemplo, quando estamos apaixonados, os lábios ficam mais carnudos graças à dilatação da vascularização, e a pele fica mais radiante. Já quando temos medo ou raiva, ficamos mais inflamados, podendo surgir acnes, piora de doenças inflamatórias e autoimunes”, explica Juliana.

Quais manifestações podem surgir na pele em casos de estresse extremo?

Em momentos de estresse, é possível perceber a piora de doenças de pele pré-existentes, como a psoríase, lúpus, dermatites, alergias, acne, vitiligo; assim como o estresse pode ser o fator desencadeante para doenças que estavam adormecidas tornarem-se visíveis. “Porém, o estresse não se manifesta apenas na pele, mas em seus anexos também, como nos cabelos e unhas, causando a quedas capilares, alopecias e unhas frágeis”, acrescenta Juliana.

 — Foto: Getty Images/PonyWang
— Foto: Getty Images/PonyWang

O que causa as reações alérgicas e de placas vermelhas no nosso corpo?

“Essas reações possuem relação com a liberação de neurotransmissores, como a histamina (processo alérgico ou emocional), que também leva a uma ativação do sistema imunológico por fatores emocionais”, afirma Camila. Esses processos podem causar uma disfunção da barreira cutânea, tornando a pele mais sensível. “Além disso, as placas vermelhas podem surgir devido a condições alérgicas, inflamatórias ou vasculares. E cada uma delas pode ser desencadeada por diferentes motivos, como fatores genéticos, uso incorreto de produtos de skincare, reações alérgicas a substâncias e acentuação de doenças prévias”, complementa Juliana.

Quais são os possíveis tratamentos?

É claro que o tratamento varia de acordo com a condição da base, mas sempre que há um componente psicológico envolvido, o estresse deve ser manejado e tratado. “As opções são a psicoterapia, uso de medicamentos ansiolíticos e antidepressivos quando necessário, meditação e até terapias complementares, como aromaterapia, podem ajudar”, sugere Juliana Palo. Já para manifestações cutâneas, a dermatologista recomenda tratamentos específicos, como pomadas de corticóide e antialérgico para alergias, além de hidratação adequada e acompanhamento médico para doenças inflamatórias. “E quando são doenças inflamatórias ou autoimunes, o tratamento específico da condição deve sempre ser orientado pelo seu médico”, completa.

Quais são os sinais de alerta que devemos prestar atenção de que algo pode estar errado com o nosso corpo?

“Caso ocorra alguma mudança repentina nas características da pele, como descamação intensa, ressecamento severo, acne explosiva, bolinhas vermelhas, manchas e coceira persistente sem causa aparente, é hora de buscar avaliação médica”, alerta Camila Rosa. Além disso, feridas que não cicatrizam, queda capilar excessiva, alteração na coloração da pele – desde palidez extrema, até vermelhidão e manchas arroxeadas – podem ser sinais de alerta e é importante buscar um dermatologista.

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