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Saúde
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Você já deve ter ouvido falar que uma boa noite de sono pode ser o melhor tratamento de beleza, certo? Nos contos de fadas e desenhos, o sono da beleza sempre foi retratado como um segredo para uma pele impecável, radiante e rejuvenescida. E embora não possamos dormir por um século, assim como a Bela Adormecida, o sono reparador tem um efeito transformador na pele.

Neste Dia do Sono, vamos analisar a ciência por trás do famoso “sono da beleza” e entender como a qualidade do descanso ideal impacta diretamente na saúde e na aparência da pele. Para isso, conversamos com as dermatologistas Ana Carolina Sumam e Laís Rios, que nos dão dicas e explicam os efeitos do sono na regeneração celular, produção de colágeno e até mesmo no surgimento de acnes e marcas de expressão.

Como a privação do sono acelera o envelhecimento da pele?

O sono regula o ciclo circadiano, que é o período de sono onde produzimos e liberamos alguns hormônios essenciais. “Quando dormimos mal ou menos horas do que o necessário, ocorre um desequilíbrio hormonal, visto que o ciclo circadiano foi diretamente alterado. Dessa forma, podemos deixar de produzir hormônios importantes para o bom funcionamento do organismo como um todo e também para a saúde da pele”, afirma a dermatologista Ana Carolina Sumam. Além disso, algumas substâncias pró-inflamatórias acabam sendo produzidas quando dormimos mal, e a falta de hormônios, como o do crescimento, é associada diretamente ao aumento da produção de cortisol – o hormônio do estresse.

Ao longo do tempo, esse desequilíbrio favorece o processo de envelhecimento da pele. “Estudos também afirmam que pessoas que dormem mal, também apresentam alterações na função de barreira sistêmica, provocando uma maior perda de água transepidérmica. Ou seja, a integridade da pele fica comprometida, facilitando o envelhecimento e podendo agravar doenças de pele”, completa a profissional.

Existe um horário ideal para dormir, levando em consideração o ciclo de renovação celular da pele?

Sim. Apesar de o ciclo de renovação celular da pele ser lento, seu pico é entre as 22h e 2h da manhã. “Esse é o período em que a pele trabalha ativamente na reparação dos danos acumulados ao longo do dia, estimulando a produção de colágeno e combatendo os radicais livres”, aponta a dermatologista Laís Rios.

O sono influencia a produção de colágeno e elastina?

Sim! Durante o sono profundo, ocorre a liberação do hormônio do crescimento, fundamental para a produção de colágeno e elastina. Esses elementos são responsáveis por manter a firmeza e a elasticidade da pele, prevenindo rugas e sinais de envelhecimento. “A melatonina, hormônio do sono, também possui propriedades antioxidantes que protegem a pele contra o envelhecimento precoce”, explica Laís.

 — Foto: Getty Images/Elena Noviello
— Foto: Getty Images/Elena Noviello

Quais são os principais sinais dermatológicos de uma rotina de sono ruim?

Olheiras, inchaço facial, ressecamento da pele, acne, irritações e o aumento da flacidez são alguns sinais comuns de uma rotina de sono ruim. A pele também pode perder o viço e ficar mais sensível, com tendência a descamação e vermelhidão. “A longo prazo, também podemos observar sinais de envelhecimento, porque a pessoa que dorme mal realmente tende a ter um processo de envelhecimento acelerado”, afirma Ana Carolina. “A falta de sono também pode agravar algumas doenças, como a dermatite atópica e a psoríase, visto que quem dorme mal acaba perdendo mais água e, com isso, a barreira da pele fica comprometida”.

Além disso, a privação de sono aumenta a produção de cortisol, estimulando a oleosidade da pele, podendo piorar quadros de acne e dermatites, e comprometendo a resposta imunológica da pele, tornando-a mais propensa a inflamações e infecções.

Como a exposição à luz azul de telas antes de dormir pode afetar a regeneração da pele?

A luz azul tem impacto em nossa pele ao longo de todo o dia e não apenas antes de dormir. De acordo com a dermatologista Laís Rios, o maior problema da luz azul emitida por celulares, computadores e televisões é que ela inibe a produção de melatonina, prejudicando a qualidade do sono e a regeneração da pele. Não só isso, mas estudos indicam que a luz azul pode induzir o estresse oxidativo, acelerando o envelhecimento e contribuindo para o surgimento de manchas e doenças pigmentares, como melasma e hipercromia residual.

Quais ativos de skincare são mais eficazes quando aplicados antes de dormir?

“Na verdade, não se trata de ativos mais eficazes, mas sim dos ativos que devem ser usados à noite e não durante o dia, como o ácido retinóico”, aconselha Ana Carolina. O ácido glicólico, ácido hialurônico, peptídeos, ceramidas e antioxidantes, como a vitamina C e a niacinamida são excelentes para potencializar a regeneração noturna da pele, de acordo com o tipo da sua. E, claro, não se esqueça do hidratante facial!

Quais alimentos ou suplementos podem auxiliar na qualidade do sono e na saúde da pele?

Alimentos que podem ajudar no sono são, principalmente, aqueles ricos em triptofano, magnésio, ômega 3, vitamina D e vitaminas do complexo B, visto que elas estimulam a produção de serotonina e melatonina. Alguns exemplos incluem cereais, frutas secas, banana, peru e leite. Além disso, os peixes também são uma ótima opção!

E quais alimentos podem atrapalhar o sono e a aparência da pele?

Alimentos ultraprocessados, ricos em açúcar e em gordura saturada, e bebidas que contêm proteína, cafeína ou alcoólicas podem comprometer a qualidade do sono e devem ser evitadas. “Esses alimentos aumentam a inflamação no organismo, prejudicando a renovação celular e favorecendo o envelhecimento precoce da pele”, conta Laís.

Quais hábitos diários podem contribuir para um sono mais restaurador e benéfico para a pele?

Criar uma rotina de sono regular, acordando e dormindo mais ou menos nos mesmos horários todos os dias, a prática de atividades físicas e a adoção de hábitos saudáveis é essencial. “Além disso, é fundamental praticar a higiene do sono, ou seja, evitar o uso de telas depois de um determinado horário, pois isso interfere diretamente na liberação de melatonina”, finaliza a dermatologista Ana Carolina Sumam.

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