Guia da candidíase: quais são as causas, sintomas e tratamentos possíveis
Especialista explica o que favorece o crescimento do fungo infeccioso, o que pode ser feito para evitar desconfortos e infecções recorrentes
Coceira intensa, corrimento branco e sensação de ardência são alguns dos sintomas mais frequentes da candidíase vaginal – uma infecção que afeta milhões de pessoas vulva todos os anos. Apesar de ser bastante comum, muitas ainda têm dúvidas sobre o que causa a candidíase, se ela é contagiosa, como o tratamento é feito e o que pode ser feito para evitá-la, principalmente quando os episódios se tornam recorrentes.
Neste guia completo, conversamos com o Alexandre Silva e Silva, ginecologista com atuação em oncoginecologia e pioneiro em cirurgia minimamente invasiva no Brasil desde 1988, para esclarecer tudo sobre o tema. A seguir, tire todas as suas dúvidas sobre a infecção, descubra quais são os tratamentos mais eficazes e como evitar.
O que é a candidíase?
De acordo com Alexandre, a candidíase é uma infecção provocada pelo crescimento excessivo do fungo Candida albicans, que faz parte da flora natural do corpo humano – principalmente da vagina, boca e intestino. Em situações normais, esse fungo convive em equilíbrio com as bactérias benéficas do organismo. No entanto, quando esse equilíbrio se rompe, a Candida pode se multiplicar de forma descontrolada, causando sintomas desconfortáveis.
“A candidíase é mais comum entre as mulheres por fatores anatômicos e hormonais. A anatomia vaginal, o pH ácido da região íntima e as variações hormonais típicas do ciclo menstrual criam condições que podem favorecer o crescimento do fungo”, explica o ginecologista. Além disso, certos comportamentos, como o uso de roupas apertadas ou má higiene, também contribuem para o surgimento da infecção.
Sintomas: como saber se é candidíase?
Embora os sintomas da candidíase possam variar de pessoa para pessoa, segundo o especialista os sintomas mais frequentes incluem:
- Coceira intensa na região íntima;
- Vermelhidão;
- Inchaço na vulva;
- Ardência ao urinar;
- Dor durante a relação sexual;
- Corrimento branco espesso, geralmente sem cheiro e com aspecto semelhante ao leite talhado.
Mas toda coceira ou corrimento branco significa candidíase?
“Não, esses sintomas podem estar presentes em outras condições ginecológicas, como a vaginose bacteriana, tricomoníase, alergias ou até alterações hormonais”, aponta Alexandre. Por isso, é essencial a avaliação médica para um diagnóstico correto.
O que causa a candidíase?
Vários fatores podem desequilibrar a flora vaginal e favorecer a proliferação da Candida albicans. Entre eles, estão:
- Estresse emocional;
- Baixa imunidade;
- Alterações hormonais, como a gravidez, uso de anticoncepcionais com alta dose de estrogênio ou terapia hormonal;
- Consumo excessivo de açúcar e carboidratos simples;
- Uso de roupas apertadas, sintéticas ou que retêm umidade;
- Falta de ventilação na região íntima.
“O estresse e a alimentação rica em açúcar são frequentemente subestimados, mas eles têm um papel importante no surgimento da infecção”, destaca o médico. O fungo da Candida se alimenta de glicose, por isso dietas ricas em açúcar podem agravar o quadro.
Como é feito o diagnóstico?
“O diagnóstico costuma ser clínico, feito durante o exame ginecológico. Em casos de dúvida, persistência ou repetição da infecção, o médico pode solicitar exames laboratoriais, como cultura vaginal ou exame a fresco, para confirmar a presença do fungo”, conta o especialista.
Quais são os tratamentos para a candidíase?
De acordo com o ginecologista Alexandre, o tratamento pode ser feito com antifúngicos orais, como o fluconazol, ou tópicos, como cremes vaginais à base de miconazol ou clotrimazol. A escolha depende da gravidade dos sintomas e da preferência da paciente.
A candidíase pode desaparecer sozinha?
Em casos leves, pode haver regressão espontânea, mas o mais comum é que os sintomas se intensifiquem se não houver tratamento adequado. “Por isso, não espere o quadro se agravar para procurar ajuda médica e iniciar o tratamento”, aconselha o médico.
Quais os cuidados necessários durante o tratamento?
Durante o tratamento da candidíase, o ginecologista recomenda algumas medidas simples ajudam a acelerar a recuperação e prevenir reinfecções:
- Evitar relações sexuais até o fim do tratamento, para não irritar ainda mais a mucosa vaginal;
- Reduzir o consumo de açúcares e carboidratos simples, pois os alimentos alimentam o fungo;
- Opte por usar roupas íntimas de algodão, que favorecem a ventilação;
- Evitar calças, shorts e roupas íntimas muito justas ou tecidos sintéticos, que favorecem a umidade;
- Manter a região íntima seca e evite permanecer com roupas molhadas por muito tempo, como biquínis.
Como prevenir a candidíase?
De acordo com o especialista, algumas medidas simples ajudam a manter o equilíbrio da flora vaginal e prevenir novas infecções. Entre eles, estão: manter a região íntima seca, evitar duchas vaginais, preferir calcinhas de algodão, evitar roupas muito justas, cuidar da alimentação e evitar o estresse.
Candidíase de repetição: o que é e como tratar?
“É considerada candidíase de repetição quando a mulher apresenta quatro ou mais episódios em um intervalo de 12 meses”, afirma Alexandre. “Nesses casos, é necessário investigar as causas subjacentes e adotar um plano de tratamento mais amplo”. Fatores como a predisposição genética, imunidade baixa, diabetes não controlada, uso crônico de medicamentos, alterações hormonais ou hábitos que favorecem a umidade constante na região íntima podem contribuir para a recorrência.
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“Já para o tratamento, pode ser necessário um esquema de manutenção com antifúngicos por períodos mais longos. Em alguns casos, a investigação de doenças associadas ou hábitos comportamentais também é fundamental”, aponta o médico.
Candidíase é contagiosa?
Apesar de não ser considerada uma IST (infecção sexualmente transmissível), o fungo pode ser transmitido, principalmente em casos recorrentes. “Por isso, em algumas situações o/a parceiro/a também pode precisar de avaliação e, eventualmente, tratamento”, finaliza o ginecologista.









