Posso treinar se estiver gripado ou resfriado? Médicos esclarecem
Descubra quando é seguro manter a rotina de exercícios físicos e quando o melhor remédio é desacelerar e ouvir o seu corpo
Na correria do dia a dia, manter – ou pelo menos tentar – uma rotina de treinos pode ser uma prioridade, principalmente para ter a sensação de bem-estar pós-exercício e sentir-se endorfinado. Mas e quando o corpo dá sinais de alerta? Estar gripado ou resfriado é motivo o suficiente para trocar a academia por um dia de descanso no sofá?
A dúvida é muito comum entre quem frequenta a academia, pratica corrida, pilates ou qualquer atividade física. A resposta exige atenção e cuidado, visto que treinar doente pode, sim, sobrecarregar o organismo e até piorar o quadro. Por outro lado, há casos em que atividades leves podem ser benéficas. Para esclarecer de vez o que é seguro e o que deve ser evitado, conversamos com a médica do esporte Nicole Nardy e o educador físico Jancei Dias. Eles explicam como identificar os sinais do corpo, os riscos de insistir no exercício físico durante uma infecção e como planejar o retorno aos treinos após a recuperação.
A seguir, confira tudo o que você precisa saber para não colocar a saúde em risco e entender por que descansar também faz parte da evolução no treino. Spoiler: às vezes a pausa é o melhor investimento para o seu bem-estar e performance.
Como saber se você pode treinar gripado?
A orientação mais usada para decidir se dá para treinar durante um quadro gripal ou resfriado é a “regra do pescoço”. De acordo com o educador físico, Jancei Dias, se os sintomas estiverem acima do pescoço – como coriza, espirros, leve dor de garganta ou congestão nasal – geralmente está liberado fazer treinos leves a moderados, como caminhadas, bicicleta ou um funcional adaptado.
Os riscos de treinar doente
Mesmo que os sintomas sejam leves e sua vontade de se exercitar seja grande, treinar doente pode trazer sérios riscos à saúde. “Apesar de os exercícios físicos liberarem beta-endorfinas, como serotonina e dopamina, que trazem a sensação de prazer e bem-estar, também liberam as citocinas inflamatórias, que estimulam o processo de recuperação muscular”, explica a médica do esporte.
Se você insistir em praticar exercícios resfriado, especialmente com sintomas mais intensos, pode acabar sobrecarregando o sistema imunológico, o que não só atrasa a melhora como também aumenta o risco de complicações, como uma piora do estado gripal. Além disso, se tiver febre, suspenda completamente os treinos, visto que aumenta o risco de desidratação, arritmias cardíacas, lesão muscular e miocardite. “Por isso, o mais inteligente nesses casos é escutar o corpo, respeitar o tempo de descanso e só retomar a prática quando estiver recuperado”, aconselha Jancei.
Existe algum exercício permitido com resfriado leve?
Sim! Exercícios de intensidade leve, como alongamento, caminhada, mobilidade articular e até yoga podem ser realizados. “No geral, essa intensidade pode ser medida pela frequência cardíaca: 220 - sua idade x 70%. Ou seja, uma pessoa de 30 anos deve fazer atividades de até 133 bpm, que são considerados leves”, esclarece Nicole. O importante é manter a intensidade baixa, focar na respiração e observar como o corpo reage. E, caso sinta tontura, cansaço fora do normal ou piora nos sintomas, é hora de suspender os treinos e descansar.
Suar realmente ajuda a eliminar o vírus?
Esse é um mito bem comum, mas não é verdadeiro. “O suor é apenas um mecanismo do corpo para regular a sua temperatura, e não tem relação direta com a eliminação de vírus ou bactérias”, explica Jancei. Quando estamos doentes, principalmente gripados ou resfriados, o que realmente ajuda na recuperação é o descanso, hidratação e alimentação adequada. Forçar o corpo a suar acreditando que isso vai “eliminar” a gripe pode piorar o quadro, principalmente se houver febre ou sintomas mais fortes.
Quando procurar um médico antes de treinar?
Caso os sintomas – como febre prolongada, dificuldade para respirar, dor no peito ou taquicardia – persistam apesar do repouso e do tratamento com medicamentos, é hora de procurar um médico. “Também é importante buscar avaliação médica se os sintomas melhoraram, mas você ainda não se sente bem para treinar. Esse cenário pode indicar que o corpo ainda não se recuperou totalmente e a liberação médica garante segurança e evita complicações no retorno às atividades”, diz o educador físico.
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Como deve ser o retorno aos treinos após uma gripe ou resfriado?
Por mais que você queira recuperar o tempo perdido, o retorno aos treinos deve ser feito com cautela e de forma gradual. “O ideal é esperar de 24 a 48h sem febre e com os sintomas resolvidos para retomar os exercícios, com 50% da carga habitual e ir monitorando a evolução aos poucos”, aponta Nicole. Voltar à rotina forçando demais após uma infecção pode gerar recaídas ou aumentar o risco de lesões, já que o sistema imunológico ainda pode estar fragilizado.
Sinais de alerta: quando parar e descansar
Mesmo com disposição para ir para a academia, yoga ou sair para correr, o corpo pode dar sinais de que precisa de pausa e descanso. Fique atento aos seguintes sintomas:
- Febre;
- Falta de ar;
- Fraqueza incomum;
- Dores musculares intensas;
- Batimentos cardíacos acelerados em repouso;
- Tontura ou sensação de desmaio.
“O descanso também faz parte da evolução no treino”, finaliza Jancei Dias.









