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Saúde
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No último dia 14, Suki Waterhouse surpreendeu os fãs ao revelar no X (antigo Twitter) que desenvolveu uma hérnia após passar seis meses usando calças apertadas durante sua turnê. “‘Suki, você nunca mais tuíta’, você já parou para pensar que eu usava calças tão apertadas há 6 meses que me causaram uma hérnia e fiquei com muito medo de contar?”, escreveu a cantora e atriz no Twitter. O desabafo veio acompanhado de uma foto de um dos looks justíssimos e outra em que ela aparece em uma cama de hospital.

 — Foto: Reprodução/X/@sukiwaterhouse
— Foto: Reprodução/X/@sukiwaterhouse

O caso levantou um alerta para dois problemas comuns, mas frequentemente ignorados: o desenvolvimento de hérnias e o desconforto na região íntima causado pelo uso frequente de roupas justas, como calças jeans, de couro e leggings.

 — Foto: Reprodução/X/@sukiwaterhouse
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 — Foto: Reprodução/X/@sukiwaterhouse
— Foto: Reprodução/X/@sukiwaterhouse

Mas será que as calças apertadas realmente são as grandes causadoras de hérnias abdominais? E elas podem causar outros problemas ginecológicos? Para entender melhor o caso e tirar todas as dúvidas, conversamos com a cirurgiã de hérnias e diástase Natália Pascotini e a ginecologista e obstetra Mirelle José Ruivo.

O que é uma hérnia abdominal e como ela se forma?

Segundo a cirurgiã do aparelho digestivo Natália Pascotini, especialista no tratamento de hérnias inguinais, da parede abdominal e diástase, a hérnia é um defeito na parede abdominal. Ou seja, um buraco na parede, por onde podem sair estruturas internas, como gordura ou alças intestinais.

“As hérnias se formam a partir da combinação entre uma fragilidade natural ou adquirida da parede abdominal e o aumento da pressão dentro do abdômen. Fatores genéticos, envelhecimento, gestações, obesidade e esforços repetitivos contribuem para o problema”, explica.

Roupas apertadas podem causar hérnias abdominais?

Apesar de o caso de Suki Waterhouse ter sido associado ao uso prolongado de calças justas, a cirurgiã esclarece que as roupas, por si só, não são causa direta de hérnias. “O uso de roupas muito justas no abdome podem causar o aumento da pressão intra-abdominal de maneira momentânea, mas elas não causam nenhum tipo de dano à parede abdominal e não pode ser considerada um fator de risco para o surgimento de hérnias”, esclarece. Em pessoas que já possuem hérnias, o uso de roupas justas pode agravar os sintomas, causando dor ou intensificando o abaulamento.

Áreas mais suscetíveis a hérnias

As hérnias geralmente ocorrem em áreas naturalmente mais frágeis na anatomia da parede abdominal. Alguns locais de maior fraqueza são:

  • Linha média do abdome: podem surgir hérnias epigástricas, umbilicais e diástase dos retos;
  • Região inguinal (virilha);
  • Locais de cicatrizes de cirurgias anteriores: as chamadas hérnias incisionais.

“O diagnóstico é feito com base no exame físico e pode ser complementado por exames de imagem. O tratamento cirúrgico é o único definitivo e, atualmente, pode ser realizado por técnicas minimamente invasivas, com recuperação mais rápida”, destaca Natália.

Dor na região íntima: quando roupas justas são um risco ginecológico?

Além da saúde abdominal, roupas muito apertadas podem afetar a região íntima feminina. A ginecologista e obstetra Mirelle José Ruivo, afirma que a compressão constante da vulva pode provocar incômodos que variam de irritações a condições mais complexas. “Desconfortos leves e pontuais podem acontecer e serem considerados como ‘normais’, mas se a dor é frequente, intensa ou interfere nas atividades diárias, precisa ser investigada”, alerta.

Entre as condições associadas estão:

  • Infecções fúngicas ou bacterianas;
  • Hipertrofia dos pequenos lábios e do clitóris, que podem sofrer atrito constante ao usar roupas apertadas. “O uso de anabolizantes pode contribuir para esse aumento da região íntima, então é importante ficar atento”, diz Mirelle;
  • Vulvodínia, caso seja uma situação crônica.

Tecidos e hábitos que podem agravar o desconforto

“Roupas muito justas, como jeans e leggings apertadas, e tecidos sintéticos dificultam a ventilação da área íntima e aumentam a umidade, favorecendo infecções e irritações. A fricção contínua, somada ao calor e ao suor, pode agravar o quadro”, explica a ginecologista. Para prevenir, ela recomenda:

  • Optar por calcinhas de algodão;
  • Evitar rendas e tecidos sintéticos para uso diário;
  • Dar preferência a roupas mais soltinhas;
  • Evitar o uso prolongado de calças justas;
  • Dormir sem calcinha para a ventilação da área íntima;
  • Evitar o uso contínuo e protetores diários;
  • Escolher sabonetes íntimos com pH entre 4,2 e 5,5.

Sinais de alerta que exigem atenção médica

Para hérnias

Segundo Natália Pascotini, a hérnia se torna uma emergência quando ocorre o encarceramento, que é quando o conteúdo da hérnia fica preso, ou o estrangulamento, que é a interrupção da circulação sanguínea da estrutura herniada. Os sinais de alerta incluem:

  • Dor súbita, intensa e contínua;
  • Abaulamento endurecido, que não desaparece e geralmente vem acompanhado de vermelhidão ou calor local;
  • Náuseas, vômitos e distensão abdominal.

Para dor íntima

Apesar de muitas mulheres serem ensinadas a não falar sobre as dores íntimas ou serem descredibilizadas ao relataram esse tipo de desconforto, é preciso ser investigado. “Se não for dito, pode contribuir para diagnósticos tardios e tratamento ineficazes. A informação correta, o acolhimento e o cuidado especializado são fundamentais para garantir o bem-estar íntimo feminino”, esclarece Mirelle. Dentre os sinais de alerta estão:

  • Desconforto que persiste por mais de uma semana;
  • Dor associada a inchaço, ardência ou dificuldade nas relações sexuais;
  • Sintomas frequentes desencadeados pelo uso de roupas justas.

Prevenção e cuidados no dia a dia

Embora nem sempre seja possível prevenir hérnias, especialmente em pessoas com predisposição genética, alguns cuidados ajudam a reduzir riscos:

  • Manter a alimentação saudável e peso adequado;
  • Tratar constipação e evitar esforço excessivo para evacuar;
  • Não levantar peso de forma inadequada;
  • Controlar tosses persistentes;
  • Fortalecer a musculatura abdominal com orientação profissional;
  • Evitar o tabagismo, pois o cigarro é um fator de risco para hérnias.

Já para desconfortos íntimos, a prevenção envolve atenção ao vestuário e higiene adequada. “Dores e desconfortos persistentes nunca devem ser normalizados. A avaliação médica é indispensável para diagnóstico e tratamento adequados”, reforça Dra. Mirelle.

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