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Saúde
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Nós sabemos que a creatina e o whey protein são grandes aliados quando o assunto é ganho de massa muscular e recuperação pós-treino. Mas o que talvez você ainda não tenha conhecimento é que esses dois suplementos também podem impactar diretamente na saúde da sua pele (positiva ou negativamente). Enquanto a cretina é apontada por estudos como uma aliada contra o envelhecimento cutâneo, o whey levanta dúvidas, principalmente quando o assunto é acne.

Com tantas informações circulando na internet e nas redes sociais, é natural surgir a pergunta: afinal, a creatina e o whey protein fazem bem ou mal para a pele? A verdade é que tudo depende de fatores como o tipo de suplemento, a quantidade consumida, o perfil hormonal de cada pessoa e, claro, o acompanhamento médico e nutricional. Alguns compostos nesses produtos podem trazer benefícios como a melhora da firmeza, elasticidade e até na produção de colágeno. Por outro lado, em determinados casos, eles também podem estimular a oleosidade ou agravar quadros de acne já existentes.

Para entendermos de uma vez por todas os efeitos desses suplementos, conversamos com o médico integrativo pós graduado em metabologia, endocrinologia, fisiologia e nutrição clínica, Wandyk Allison, e as dermatologistas Raphaella Marques e Laís Rios. Eles explicam como a creatina e o whey protein agem na pele, quando podem ser aliados do skincare e quando é melhor ter cautela.

A creatina e a pele

Como a creatina age na pele?

Muito conhecida no mundo fitness, a creatina também pode brilhar no universo da beleza (e com razão!). Segundo os especialistas, ela atua diretamente no metabolismo energético das células cutâneas. “A creatina atua como um doador de fosfato para a produção de ATP, que é a energia celular. Com mais energia disponível, as células da pele, especialmente os fibroblastos, trabalham melhor na produção de colágeno, estimulam a renovação celular e melhoram a barreira cutânea da pele”, explica o médico integrativo Wandyk Allison. O resultado? Uma pele mais firme, com aspecto revitalizado e viçoso.

A dermatologista Laís Rios complementa que esse efeito energético se soma a uma ação antioxidante poderosa. “Além de estimular o colágeno, a creatina protege contra os radicais livres, que causam o envelhecimento precoce”, afirma. Ela ainda ajuda as células da pele a funcionarem melhor mesmo sob estresse oxidativo, como o causado pela exposição solar. Ou seja, ela atua nos bastidores, garantindo um suporte celular essencial para manter a pele mais saudável e resistente aos danos do dia a dia.

A creatina contribui para manter a firmeza e elasticidade da pele?

Sim e já existem estudos que mostram que a creatina pode melhorar a firmeza e elasticidade da pele, especialmente quando usada de forma tópica. Estudos in vitro e in vivo mostram que a creatina tem potencial para suavizar os sinais do envelhecimento cutâneo. “A cretina estimula a produção de colágeno e elastina, melhora a hidratação e, consequentemente, contribui para a firmeza e elasticidade da pele”, afirma a dermatologista Raphaella Marques.

Existem estudos promissores, como um publicado no Journal of Cosmetic Dermatology, que demonstrou uma melhora visível na aparência da pele após seis semanas de uso tópico de creatina, segundo Wandyk, apontando a capacidade do suplemento na redução de rugas finas. “Além disso, ela é muito eficaz na proteção contra o fotoenvelhecimento, que é o dano acumulado pela exposição ao sol. Porém, é importante ressaltar que, embora os resultados sejam positivos, ainda precisamos de mais estados comparativos com outros ativos anti-idade consolidados”, aponta Laís Rios.

Peles maduras se beneficiam mais?

Se a creatina já oferece vantagens para qualquer pele, nas maduras o impacto pode ser ainda maior. Isso porque, a partir dos 30 anos, a produção natural de colágeno e ATP começa a cair, enquanto o estresse oxidativo aumenta. “Mas é realmente a partir dos 40 anos que o efeito antioxidante se torna mais visível e relevante, pois nessa fase a síntese de colágeno já está mais comprometida e a pele precisa de mais suporte energético para se manter suave”, explica Laís Rios.

A dermatologista Raphaella ainda destaca: “Nessa fase, a suplementação de creatina pode ser uma aliada interessante, especialmente para quem pratica atividade física. Ela não substitui os cuidados dermatológicos, mas pode complementar a rotina de dentro para fora.

Suplemento ou creme com creatina: o que é melhor?

Depende do seu objetivo, visto que elas têm diferenças importantes entre si, mas podem funcionar de forma complementar. “O uso tópico entrega a creatina diretamente para as células da pele, sendo mais eficaz para objetivos como firmeza, hidratação e redução de rugas finas”, aponta Raphaella.

Já a suplementação oral age de forma mais sistêmica e a sua concentração depende de vários fatores, como a absorção intestinal e distribuição pelo corpo. “Na dosagem de 3 a 5 gramas por dia, ela beneficia a pele, os músculos e o cérebro. Os efeitos na pele via oral são mais indiretos, mas podem ser complementares”, diz Laís e afirma que é ótimo combiná-los quando possível.

A creatina causa acne ou oleosidade?

Aqui vai uma boa notícia: a creatina, por si só, não costuma causar acne, nem aumentar a oleosidade da pele. “Não há evidência científica que ligue seu uso ao surgimento de espinhas. Em alguns casos raros, pode ser que a oleosidade aumente em pessoas predispostas, mas isso não é regra. E, se a creatina for de baixa qualidade ou estiver contaminada, pode haver reação inflamatória”, afirma o médico integrativo.

A dermatologista Raphaella Marques acrescenta que, especialmente em pessoas com tendência à acne inflamatória ativa ou pele sensível, qualquer suplemento que interfere no metabolismo ou nos níveis hormonais pode, indiretamente, influenciar a pele. “Por isso, sempre indico acompanhamento com um dermatologista e um nutricionista ao iniciar qualquer suplementação”, diz ela. Além disso, em situações muito específicas, pode haver retenção hídrica facial, mas esse efeito é temporário.

O whey protein e a pele

O whey pode aumentar a acne?

Infelizmente, a fama do whey protein quando o assunto é acne não é só mito e tem comprovações científicas. De acordo com os profissionais, especialmente em pessoas predispostas geneticamente à acne, o suplemento pode agravar o quadro de espinhas. Isso acontece porque o whey, em especial o tipo concentrado, estimula a produção de insulina e IGF-1 – fator de crescimento semelhante à insulina –, que aumentam a produção de sebo e ativam processos inflamatórios na pele. “Essa combinação cria um ambiente perfeito para a proliferação bacteriana e o surgimento de novas lesões acneicas”, explica a dermatologista Raphaella Marques.

A especialista Laís Rios acrescenta que esse é um efeito que observa com frequência no consultório, principalmente em jovens que começam a suplementar e notam piora na acne. “O whey ativa uma via chamada mTOR, que eleva a produção sebácea. Isso não significa que todos terão espinhas, mas é um efeito que precisa ser levado a sério”.

Quais as diferenças entre os diferentes tipos de whey em relação à pele?

Os wheys possuem diferentes categorias, que precisam ser consideradas quando o assunto é cuidado com a pele. De acordo com o médico integrativo Wandyk Allison, o whey concentrado é o mais associado à acne, visto que é o que contém mais lactose, gorduras e bioativos, podendo aumentar potencialmente o quadro inflamatório. Dessa forma, é o menos indicado para quem tem propensão à espinhas.

Para peles sensíveis ou acneicas, os especialistas recomendam versões mais purificadas, como o isolado e o hidrolisado. O whey isolado passa por um processo que remove quase toda a lactose e gorduras, reduzindo o impacto na pele. Já o hidrolisado, além de ter perfil semelhante ao isolado, apresenta uma absorção mais rápida, minimizando reações inflamatórias, mas ainda requer cuidados. “Para pacientes que têm tendência e acne ativa, o isolado ou até outras fontes proteicas, como proteína vegetal, costumam ser mais seguros”, complementa Raphaella.

Ele pode influenciar na firmeza da pele e no colágeno?

O whey protein não é uma fonte direta de colágeno, mas pode ajudar indiretamente na sua produção. Isso porque ele é rico em aminoácidos essenciais – como glicina, prolina e lisina – que são matérias-primas importantes para a síntese da proteína estrutural no corpo. “É como fornecer o ‘material de construção’ para a pele produzir colágeno”, exemplifica Laís.

Porém, apesar de contribuir para a estrutura da pele, o whey não substitui suplementos específicos de colágeno hidrolisado, que têm melhor biodisponibilidade para esse objetivo. “Apesar de não possuir peptídeos específicos que encontramos em suplementos próprios, manter um bom aporte proteico ajuda na firmeza e estrutura da pele com o passar dos anos, especialmente se aliado a outros nutrientes, como a vitamina C”, diz Raphaella.

O whey pode auxiliar na saúde da pele, unhas e cabelos?

Sim e a explicação está na sua composição. Por ser uma proteína de alto valor biológico, ele fornece aminoácidos essenciais que são usados pelo organismo para formar a queratina, colágeno e a elastina, que compõem a pele, os cabelos e as unhas. “Além disso, ele é rico em aminoácidos sulfurados, como a cistina e a metionina, fundamentais para fortalecer cabelos e unhas, e essenciais na hora de auxiliar na regeneração da pele”, aponta Laís Rios.

A dermatologista Raphaela Marques acredita que, quando consumido com moderação e aliado a uma dieta equilibrada, ele pode, sim, contribuir positivamente para a saúde estética como um todo. “Desde que não haja efeitos adversos como acne, ele é um bom suporte nutricional para manter a qualidade estética e estrutural dos tecidos”, finaliza Wandyk Allison.

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