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Saúde
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Kate Middleton e Príncipe William têm um novo lugar para chamar de casa. Em outubro de 2025, o casal e os três filhos se mudaram para o Forest Lodge, nova propriedade isolada no Windsor Great Park que oferece, segundo a revista Hello!, um lago privado, perfeito para a Princesa de Gales praticar um de seus hobbies favoritos.

No podcast The Good, The Bad & The Rugby, ao lado do Príncipe William e da Princesa Anne, em 2023, ela falou sobre o seu amor por "natação em água fria". "Eu adoro todos os esportes. Na verdade, eu realmente adoro todos os esportes em geral. Eu adoro natação. Natação em água fria", disse Kate no podcast coapresentado por Mike Tindall, genro da Princesa Anne .

Na gravação, ela ainda revelou que quanto mais gelada for a água, melhor para ela é. Mas, será que esse hobby é recomendado para todos? Quais são os benefícios e os riscos? A dermatologista Ana Carolina Sumam e o cardiologista Marcelo Bergamo respondem as principais dúvidas sobre o assunto. Confira na sequência:

"O frio provoca vasoconstrição, o que pode reduzir temporariamente a vermelhidão, o inchaço e a oleosidade da pele. Em alguns casos, também pode ajudar a acalmar processos inflamatórios leves, como acne inflamada ou rosácea em fase controlada. Entretanto, as baixas temperaturas tendem a reduzir a produção natural de sebo, favorecendo o ressecamento, a descamação e até pequenas fissuras na pele. Além disso, podem comprometer a barreira cutânea, facilitando irritações, dermatites e aumento da sensibilidade. Em pessoas predispostas, o clima frio pode agravar condições como dermatite atópica, psoríase e rosácea. A exposição prolongada também pode causar vasoconstrição excessiva, prejudicando a oxigenação da pele", diz Ana Carolina Sumam, dermatologista.

Após a exposição à água fria, alguns cuidados devem ser tomados com a pele e o cabelo. O principal objetivo é restaurar a hidratação e proteger a barreira cutânea e capilar. A médica indica higienizar a pele de forma suave, utilizando sabonetes syndet ou hidratantes, evitando produtos muito adstringentes. Logo após o banho, com a pele ainda levemente úmida, deve-se aplicar um hidratante corporal, priorizando fórmulas com ceramidas, glicerina, ácido hialurônico, manteiga de karité ou óleos vegetais.

Em áreas mais sensíveis, como lábios, mãos e pés, o ideal é utilizar produtos mais oclusivos, como pomadas ou bálsamos. Também é importante evitar água muito quente imediatamente após a exposição ao frio, pois isso intensifica o ressecamento.

Os cabelos devem ser lavados com shampoos suaves, preferencialmente com ação hidratante. O uso de condicionador ou máscara nutritiva ajuda a repor a oleosidade natural perdida. Sempre que possível, vale aplicar um leave-in ou óleo capilar para selar a hidratação.

Também é recomendado evitar o uso imediato de secadores muito quentes após a exposição ao frio extremo. Caso haja sensibilidade no couro cabeludo, produtos com ativos calmantes, como pantenol ou aloe vera, são boas opções.

E o sistema cardiovascular? O cardiologista Marcelo Bergamo, explica que indivíduos saudáveis que praticam natação em águas geladas devem ter as seguintes respostas:

•O coração aprende a lidar melhor com variações de frequência cardíaca e pressão arterial

•Pode ocorrer melhora da variabilidade da frequência cardíaca, um marcador de bom funcionamento do sistema nervoso autônomo

•Há estímulo à circulação sanguínea, especialmente após a saída da água, quando ocorre vasodilatação compensatória

Um dos efeitos mais relatados — e também estudados — da natação em águas geladas é o impacto positivo sobre o humor e o bem-estar mental. A exposição ao frio ativa áreas do cérebro relacionadas à liberação de neurotransmissores como:

•Noradrenalina, associada à atenção, foco e redução de sintomas depressivos

•Endorfinas, ligadas à sensação de prazer e bem-estar

Revisões científicas sugerem que o contato regular com água fria pode ajudar a reduzir sintomas de ansiedade, estresse e depressão leve, funcionando como um estímulo natural ao sistema nervoso.

Alguns estudos observacionais indicam que nadadores habituais em águas frias apresentam menor frequência de infecções respiratórias e melhor resposta adaptativa ao estresse físico. Entretanto, é importante destacar que essas evidências ainda são limitadas, e a ciência não afirma que a natação em água gelada “fortalece” o sistema imunológico de forma direta. O que se observa é uma melhor capacidade de adaptação do organismo ao estresse, quando a prática é feita com regularidade e bom condicionamento físico.

Existem contraindicações para mulheres?

Do ponto de vista científico, não existem contraindicações específicas relacionadas ao sexo feminino que impeçam mulheres de nadar em águas geladas. Mulheres saudáveis podem praticar essa atividade com os mesmos cuidados recomendados aos homens.

No entanto, alguns pontos merecem atenção especial:

1. Composição corporal e tolerância ao frio

Em média, mulheres apresentam maior percentual de gordura corporal, o que pode oferecer ligeira proteção térmica, mas também diferenças hormonais que influenciam a percepção do frio. Isso significa que a tolerância é individual, e não determinada apenas pelo sexo.

2. Ciclo menstrual

Algumas mulheres relatam maior sensibilidade ao frio em determinadas fases do ciclo menstrual. Embora não haja evidências de riscos adicionais, é importante respeitar os sinais do corpo e evitar exposições prolongadas em dias de maior desconforto.

3. Gravidez

A natação em águas geladas não é recomendada durante a gestação, principalmente em temperaturas muito baixas, devido ao risco de vasoconstrição intensa, alterações da pressão arterial e estresse fisiológico excessivo para mãe e feto.

4. Doenças pré-existentes

Independentemente do sexo, a prática é contraindicada ou deve ser avaliada por um médico em pessoas com:

•Doença cardíaca conhecida

•Arritmias

•Hipertensão não controlada

•Histórico de síncope (desmaios)

•Doenças respiratórias graves

Segurança: o ponto mais importante

Os benefícios potenciais da natação em águas geladas só são observados quando a prática é feita com segurança e progressão. Especialistas recomendam:

•Nunca entrar sozinho em águas geladas

•Evitar mergulhos prolongados

•Entrar e sair da água de forma controlada

•Manter aquecimento adequado após a saída

•Evitar consumo de álcool antes da prática

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