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Saúde
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Por Redação Glamour

A preocupação com uma irregularidade no ciclo menstrual foi o estopim para que a contadora Carine Barth, de 32 anos, procurasse um médico. "Meu fluxo normal sempre durava de três a quatro dias. Em dado momento, percebi que o sangramento já seguia há sete e achei estranho. Achei melhor agendar o ginecologista", conta. Na consulta, o profissional suspeitou de que algo não estava bem e encaminhou a gaúcha para mais exames. Após uma biópsia, foi confirmado o diagnóstico de câncer de útero.

Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o triênio 2026-2028, o Brasil deve registrar cerca de 19 mil novos casos anuais de câncer de colo de útero. Esse é o terceiro tumor maligno mais incidente entre pessoas com útero, excluindo o câncer de pele não melanoma.

Segundo uma pesquisa do Instituto Locomotiva em parceria com o EVA Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos, 42% das pessoas com útero entre 18 e 45 anos não sabem se foram vacinadas contra o HPV ou não se recordam. O vírus causa quase 100% dos casos de câncer do colo do útero, sendo os tipos 16 e 18 responsáveis por 70% das manifestações da doença, de acordo com o Ministério da Saúde.

A vacinação contra o vírus, recomendada principalmente para adolescentes antes do início da vida sexual, é considerada a principal estratégia de prevenção primária. Paralelamente, exames de rastreamento, como o Papanicolau e o teste de DNA-HPV, permitem identificar alterações celulares precursoras do câncer anos antes de sua evolução para doença invasiva. A boa notícia? Nas fases iniciais de diagnóstico, o tratamento costuma ser simples e altamente eficaz.

A seguir, os ginecologistas João Bosco Borges e Silvia Jau tiram todas as dúvidas sobre o assunto em consonância com o Março Lilás, mês de conscientização sobre a doença.

Quais são os sintomas?

As fases iniciais do câncer de colo de útero nem sempre têm sintomas. Alguns sinais possíveis são:

  • Sangramento e secreção vaginal anormais. Coloração marrom e odor fétido são alterações possíveis
  • Dor abdominal associada com queixas urinárias ou intestinais
  • Sangramento menstrual prolongado ou mudanças repentinas
  • Sangramento após a relação sexual e dores durante a relação
  • Sangramento vaginal após a menopausa
  • Dor lombar
  • Perda de peso sem justificativa
  • Dificuldades para urinar e defecar

Qual é a relação dele com o HPV?

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica, de 85 a 90% dos casos de câncer de colo de útero se referem ao carcinoma epidermoide, que acomete o epitélio escamoso. Já o adenocarcinoma é o tipo mais raro e atinge o epitélio glandular, em aproximadamente de 10% dos casos. Ambos são causados por uma infecção persistente por tipos oncogênicos do Papiloma Vírus Humano (HPV).

É possível preveni-lo?

Sim. Um dos fatores de risco mais importantes para o câncer do colo do útero está relacionado à infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV), que é responsável por cerca de mais de 90% dos casos. Portanto, é fundamental se prevenir do contágio pelo vírus, que se dá pelo contato sexual. Além do sexo com preservativos, há outras medidas, como a vacinação contra o HPV e a realização anual do papanicolau a partir dos 20 anos ou início da vida sexual.

Os hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, prática de exercícios físicos e abandono do tabagismo são algumas das dicas para prevenir este e outros tipos de câncer.

Como funciona a vacinação contra o HPV?

No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza a vacina quadrivalente contra o HPV para meninas e meninos de 9 a 14 anos, homens e mulheres transplantados, pacientes oncológicos em uso de quimioterapia e radioterapia, pessoas vivendo com HIV ou Aids e vítimas de violência sexual. Na rede privada, há ainda a disponibilidade da vacina nonavalente, que protege contra os nove tipos mais comuns de HPV e oferece 90% de proteção contra o câncer de colo de útero

Quais são os tratamentos possíveis?

O tratamento do câncer de colo de útero pode incluir cirurgias (entre elas, a histerectomia), bem como quimioterapia, radioterapia e braquiterapia. O tipo de conduta dependerá do estadiamento da doença, tamanho do tumor e fatores pessoais, como idade e desejo de preservação da fertilidade.

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