Loading beleza & estilo

Preparing Beleza Estilo information...

Carol
Publicidade

Mais uma quarta-feira de coração apertado. Você foi elogiada no trabalho, conseguiu emitir com milhas sua passagem de férias, organizou finalmente os quadros na sua sala… Mas o coração segue bagunçado. Até quando vai doer? É um misto de angústia, raiva de si mesma por estar mais uma vez prolongando a estadia nesse lugar incômodo tão conhecido, e vergonha em ter que pedir colo para as amigas e uma sessão extra pra analista (talvez, já devesse ter passado para duas vezes por semana). Não está sendo fácil, né? E mais difícil ainda é ver que não está sendo fácil por mais tempo do que você achou que ia ser doloroso e difícil.

Por fora tá tudo andando, mas por dentro…. E você se sente ingrata por não conseguir curtir o voo da carreira, os novos destinos da vida e a nova morada. Até porque, para todos esses lugares novos, você tem levado um "eu que queria mesmo é voltar para o passado". Quando é que a chave vai virar, que eu vou acordar bem, que tudo isso vai passar, de repente?

"E se esse mal estar tiver se transformado numa espécie de doença autoimune? Num pedido de socorro de um coração cansado?", pensava eu. Chorando ao som de Gal, já mexia na letra da música dela enquanto minhas lágrimas corriam na tentativa de que, com elas, fosse embora também essa saudade misturada com frustração misturada com ódio misturada com vontade de explodir tudo e , paradoxalmente, de me encolher em mim mesma, me dobrar origami, para não ter espaço para ser ocupado por essa dor de amor: "Meu coração de criança já é só a lembrança de um vulto feliz de mulher. Que passou por meu sonho sem dizer adeus, e fez dos olhos meus um chorar mais sem fim. Meu coração vagabundo, quer guardar o mundo em mim", cantava no carro saindo da análise, me sentindo esse vulto vagando já cansada e perdida. Sim, eu sabia que estava sendo levemente melodramática, mas pesar a mão nas emoções era uma tentativa de aliviar toda aquela angústia que insistia em reaparecer mais um dia, e mais um dia, e mais um dia.

Minha analista obviamente não me deu um passo a passo pra sair da lama. "Luto é trabalho, processo, não acontecimento", dizia ela. Não era exatamente o que eu queria ouvir.

Eu sei que vai passar, que daqui a pouco ele vai ser só um vulto, uma lembrança num sonho meu. E isso é triste. E também cansativo. Cansativo porque me faz pensar que, mais uma vez, voltei à estaca zero, ao início do tabuleiro das relações. Do ter que me abrir, sair com várias pessoas para me conectar com alguma. Do achar que tudo vai ser diferente porque a pessoa é madura e a gente compartilha delicadezas; do me permitir arriscar… e arriscar-me a me machucar de novo. Ao contrário dos videogames, em que você volta para o início do jogo com as vidas 100% renovadas, eu me via tentando me arrastar ao recomeço da vida amorosa exausta, triste…

Pensar em ter que "trabalhar" para o luto acontecer e "tomar as rédeas do próprio destino" nessas horas me parecia algo da ordem do impossível. Quando a gente ainda está em carne viva, é difícil pensar em estar em qualquer outro lugar interno que não seja esse do coração apertado e assustado. Mas aí, enquanto ele estiver assim, eu sei que não vai dar para ninguém entrar. Por isso, meu Deus… vem a angústia e a urgência: quando isso tudo vai passar? Qual vai ser o dia em que magicamente vou acordar e perceber que, de repente, as portas da esperança no amor se reabriram para mim?

Como faço para ser mais Thales Bretas, Sabrina Sato, Fátima Bernardes, Ana Hickman? Passei uns 15 minutos listando celebridades, parentes, vizinhos e fulanos do trabalho que tinham feito o tal extreme makeover emocional. Finais trágicos seguidos de um comeback incrível: novos amores, novas vidas, novos tudos… assim, de repente. Mas e se, ao invés de Ana Hickman, eu estiver mais para Jennifer Aniston? Não me leve a mal, eu amo ela. Mas ela demorou uns 20 e poucos anos pra ressignificar tudo e ressurgir phoenix absoluta no The Morning Show (que recomendo muitíssimo, inclusive). Tô há um mês e meio borocochô e já testou exausta de estar exausta….

Tô querendo a receita do intensivão da superação. Topo mergulhar no fundo do poço, mexer nas feridas sem dó, sem anestesia, mas quero voltar rápido. Mais Ana e menos Jen. É possivel?

"Devagar, devagar, de repente. Vai devagar. Devagar, devagar… de repente", me disse essa sábia amiga num dia de colo que eu vou lembrar para sempre. Essa mensagem com ares de oráculo me tocou num lugar tão profundo e, ao mesmo tempo, tão sutil que fez com que eu, devagar, transformasse meu jeito de cuidar da minha dor de amor.

Ao invés de querer superar, acordar bem, parar de sentir saudades, raiva e angústia, fui me autorizando, devagarinho, a viver meus novos dias com essas novas companhias - considerando-as visitantes passageiros e não novos moradores permanentes do meu coração. Ao invés de dar atenção para eles, lembrei de um ensinamento de um grande amigo budista: "Tudo o que você foca, expande". Na maior parte do tempo, eu, CDF que sou, quero focar 200% até resolver o problema. Mas esse hiperfoco só torna o problema maior e faz com que ele contamine todos os campos da sua vida. Quem aqui já viveu uma dor de amor sabe bem como é isso. Tentar não pensar ou reprimir o pensamento é também focar na pessoa. E quanto mais eu brigava com meus pensamentos e minhas saudades, mais trazia a pessoa e as dores da história para perto de mim. Devagar, parei de focar.

Devagar, comecei a me experimentar ser meio Russel Crowe em "Uma mente Brilhante". Dando um mini spoiler do filme, ele era um grande matemático esquizofrênico que, por conta da doença, via um amigo imaginário com uma filhinha e tinha certeza que os dois eram reais. Parte de seu processo de tratamento foi entender que os dois eram alucinações. Um dia, ele olhou para o amigo e disse "vou ter que parar de falar com vocês". Anos se passam. No fim do filme, ele passeia com sua mulher, os dois já idosos. E ela pergunta "você parou de vê-los?" Ele olha para o lado e eles estão lá…. Ele apenas decidiu ignorar. Ou aprendeu a conviver.

Devagar, fui parando de ficar angustiada com minha própria angústia e aprendi a conviver com ela. Devagar, fui organizando meus livros na estante de casa. Já moro nesse apartamento há uns 3 anos e ainda tinha um monte de coisa para arrumar. Era tanta coisa que me paralisava. "Quando tiver mais tempo, dinheiro, energia, faço tudo de uma vez", dizia para mim mesma. E, obviamente, não fazia nunca. Numa quarta-feira, quando o coração apertou e me deu saudades do ex-mocinho, eu levantei e, devagarinho, arrumei meus livros por cor. Me permiti ir mais devagar com o trabalho, coloquei o celular, o computador e o coração no mudo e reli trechos grifados de frases que me relembraram que a vida é cheia de pequenas magias. Fiz um bolinho de caneca, tomei uma taça de vinho à noite. Devagar, sorri para mim mesma. Cuidei de mim, ainda que sentisse saudades dele.

Devagar, "levei minha dor para passear". Essa é uma frase que li há uns 10 anos num texto da Mariana Maciel e que levo comigo até hoje. Ao invés de esperar estar plena, radiante, paquerativa e eufórica para voltar pra pista, voltei do jeito possível. Levei na bolsa o batom vermelho e o coração ainda partido. Tudo bem. Em alguns dias, fiquei uma horinha no bar e voltei para o cobertor de casa. Num dos caminhos de volta, chorei no Uber. Pedro Paulo, o motorista, ao me oferecer um lenço e uma balinha de caramelo, sem saber, foi um colo que fez parte do processo de cura.

Em outra das saídas, me distraí quase a noite inteira. Dei risada, flertei com um ruivo sardento e magrelo, alternativinho pero no mucho… Bem estereótipo clichê dos caras que eu acho interessantes. Devagar, fui reencontrando gostos antigos. Devagar, fui conhecendo novos sabores sem pensar "ele ia adorar conhecer aqui também". Quando parei de contar e brigar com os dias, devagar, eles foram passando como podiam passar. E como eu podia passar. Devagar, fui vendo que a lembrança dele ia ocupando outros lugares dentro de mim.

Devagar, rosquei lâmpadas amareladas que, finalmente, comprei para os meus abajures da sala e assim, devagar, vi surgir uma outra atmosfera criada por mim. Uma atmosfera quente, charmosa e aconchegante. Devagar, arquivei as fotos num hd para que meu celular não me pregasse a peça de enviar as famosas memórias de bons tempos em domingos chuvosos. Devagar, fui abrindo espaço no disco rígido e no coração, que voltava a amolecer.

Percebi que tinha medo em ir devagar e ficar ainda mais para trás nessa corrida rumo à felicidade plena - ou apenas ao amor possível, sendo mais realista. Dava medo de, devagarinho, ir sendo sugada pelas lembranças e se tornar aquela amiga que fala do ex de 2008 como se fosse ontem. Igual mancha de vinho no sofá branco que a gente tem que tirar rápido para não impregnar na fibra do tecido, penso que é essa assepsia rápida e eficiente que a gente busca fazer no fim dos amores. Dá medo da lembrança ficar por muito tempo e contaminar tudo. Não por acaso, o meu filme preferido é "Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças", onde os dois, após terminarem um relacionamento, pagam um serviço para apagar da memória todas as lembranças do ex (nem precisa dizer que não funciona bem assim, né?).

Devagar, a gente percebe que não existe extreme makeover de coração. Conviver com a dor que ainda existe não é estar resignada: é estar se curando devagar. Percebi que ir devagar me tirou um peso imenso de ter que superar rápido e, em tempos onde a gente já está carregando o peso da dor, poder ser mais leve ajuda muito.

Devagar, devagar…. De repente, acordei e lembrar dele não doeu mais. Ficou uma saudade quentinha. "Levo seus sorrisos comigo" é uma frase que escrevi no fim de um dos meus primeiros amores. "Levo nossos passos de dança na sala comigo". Devagar, foi isso que, de repente, me veio desse amor.

Sempre tem algo bonito que fica. Devagar, a gente se lembra de Elizabeth Bishop: "A arte de perder não é nenhum mistério. Tantas coisas contêm em si o acidente de perdê-las, que perder não é nada sério. Perca um pouquinho a cada dia. Aceite… a arte de perder não é nenhum mistério". Devagarinho, de repente, a gente faz as pazes com a falta. Elaborar não é esquecer, é ressignificar, e devagar, devagar, de repente, a gente consegue.

| Canal da Glamour |

Quer saber tudo o que rola de mais quente na beleza, na moda, no entretenimento e na cultura sem precisar se mexer? Conheça e siga o novo canal da Glamour no WhatsApp.

Mais recente Próxima "Boy Sober", o detox de homens que virou tendência no mundo. Solução ou escapismo?

Mais lidas

Mais de Glamour

Marciele fala sobre preparação para o Parintins e representatividade indígena no Prêmio Sim à Igualdade Racial

Marciele fala sobre preparação para o Parintins e representatividade indígena

Atriz, que interpreta a craque na cinebiografia, participou da cerimônia do ID_BR nesta quarta-feira (13) no Rio de Janeiro

Alice Carvalho exalta Marta: “Uma intelectual, sempre à frente do seu tempo”

Confira o que os astros reservaram para a quinta-feira

Horóscopo do dia: a previsão para os signos de hoje, quinta (14/05/2026)

Em entrevista ao “Papo Íntimo”, a coach falou sobre os julgamentos que enfrentou ao assumir o relacionamento

Maíra Cardi revela o medo que sentiu antes de se casar com Thiago Nigro: 'Como as pessoas vão fazer para não terem preconceito?'

Cantora reuniu amigos próximos, incluindo Jacquemus e Giuliano Calza, para dias de festa na ilha espanhola

Dua Lipa celebra despedida de solteira em Ibiza com looks de noiva e joias milionárias

“Gostaria de conseguir congelar o tempo”, escreveu a modelo ao postar as fotos

Kelly Piquet registra momento em família com Verstappen e a filha Lily em Saint Barthélemy

Equipe do novo filme de herói da DC desembarca no Rio de Janeiro em junho

Milly Alcock, Craig Gillespie, Ana Nogueira e Peter Safran vêm ao Brasil divulgar 'Supergirl'

Nós encontramos versões parecidas para você se inspirar na cantora

Taylor Swift usa vestido branco no valor aproximado de R$ 2000 em jantar com amigas

Atriz integra o júri do evento de cinema este ano

Festival de Cannes: Demi Moore aposta em visual sereia para segundo dia do evento

O casal prestigiou a première de "La Vie D'Une Femme" no evento

Festival de Cannes: Alexandra e Charles Leclerc atraem todos os flashes em tapete vermelho