10 artistas e curadoras de arte negras para acompanhar
Marina Bortoluzzi, co-idealizadora do Women On Walls, destaca os talentos do cenário da arte brasileira e latino-americana para ficarmos de olho
Por Redação Glamour
Sabe aquela máxima de "uma sobe e puxa a outra"? É assim que o Women On Walls (ou WOW) traz anualmente, por meio de cursos, workshops e mentorias, um caminho de capacitação para artistas visuais mulheres. Deste incrível network, formado entre professoras, curadoras e alunas, que saem novas formas e oportunidades de apresentar os trabalhos ao mundo. Idealizado por Marina Bortoluzzi e Marcelo Pimentel, o evento é um braço do Instagrafite, comunidade digital que fomenta o trabalho de artistas urbanos ao redor do mundo.
Na edição de 2021, o Women On Walls selecionou 50% de alunas negras para o programa, reafirmando o compromisso com a diversidade e a real transformação do cenário artístico no Brasil. E, como não poderia ser diferente, convidamos a Marina Bortoluzzi para apresentar 10 artistas e curadoras de arte negras para você acompanhar o trabalho nas redes sociais, incentivar a produção de cada uma e, se possível, claro, também adquirir as criações delas.
Grafiteira, ilustradora e artista urbana, a recifense radicada em Fortaleza atua desde 2008 focando os traços e as cores em figuras de mulheres negras e as lutas interseccionais. Suas criações já foram expostas em lugares como Arizona, nos Estados Unidos, em Lima, no Peru, e Santiago, no Chile. Alexsandra também recebeu da Câmara Municipal da Cidade de Fortaleza uma homenagem em reconhecimento de seu trabalho.
Assim como Alexsandra Ribeiro, Ianah participou como aluna da edição 2021 do WOW. Moradora de Olinda, em Pernambuco, ela tem grande afeição pelas pautas de proteção ambiental e agroecologia, o que reflete em suas pinturas – tanto no conteúdo quanto nos materiais usados. A artista usa pigmentos vindos da terra, no que chama de geotinta, para dar vida às mulheres e seus rituais internos, os ciclos e elementos da natureza.
Ceramista e artista plástica, a jornalista de formação vive no bairro Jardim Catarina, considerado um dos maiores loteamentos da América Latina, no Rio de Janeiro. Nas peças criadas, a relação da mulher negra enquanto corpo-potência estética e decolonial é o grande destaque. Subjetividade e corporeidade conduzem Gabriella no manuseio do barro, colorido com tonalidades dentro do espectro natural. A artista está na SP-Arte com suas peças e já expôs no SESC. Gabriella Kianda - Nascimento de Nana, 2019; Cerâmica, 25x20cm
Cores vibrantes e formas orgânicas tomam conta do processo criativo da artista, grafiteira e ilustradora autodidata. Atuante na arte urbana de Minas Gerais há 5 anos, Fênix busca resgatar a ancestralidade por meio da valorização das raízes culturais, com foco na exaltação da força e belezas afros e indígenas, além da arte egípcia, xilo nordestina e a filosofia oriental.
A artista de Itabatã, na Bahia, começou a se interessar pela arte nos projetos culturais que se envolveu na escola pública onde estudou no ensino médio. A sua poética ligada ao corpo preto, suas memórias, expressões e culturas, visa ressignificar a imagem estereotipada e marginalizada de pessoas negras. As inspirações também surgem da ancestralidade afro-indígena. Ione Reis – Menino Tupi (Afro-indigena)
A grafiteira, designer e ilustradora compõe o time de professoras do WOW. Moradora de Embu das Artes, São Paulo, ela é bacharel em Design de Interface Digital pelo Centro Universitário SENAC. Para o seu universo repleto de sutileza, amor e reflexão, Crica traz elementos da cultura negra, do hip hop, do universo feminino, da cultura popular e alguns elementos da natureza.
Outra professora do projeto é Renata Felinto, mulher afro-diaspórica, artista visual, doutora e mestre em Artes Visuais pela UNESP, e especialista em Curadoria e Educação em Museus de Arte pelo MAC/USP. Premiada pelo PIPA 2020, Select 2020 e 25º Salão Anapolino 2020, Renata teve trabalhos expostos nas mostras Histórias Afro-Atlânticas: no Instituto Tomie Ohtake/MASP (2018), 12° Bienal do Mercosul (2020) e artista convidada do 29° Programa de Exposições do Centro Cultural São Paulo (2019). Renata Felinto - Mãe Oxum 50x40
Igi Ayedun é artista multimídia autodidata, fundadora da galeria-residência HOA, que faz experimentações artísticas com pintura, vídeo, escultura digital 3D e som. Seu trabalho é orientado pelo potencial cultural e biológico das cores, em particular do azul. Na pintura, Igi explora técnicas têxteis ancestrais usando pigmentos naturais e materiais como argila, cera, milho e algodão. Com um vasto currículo no mercado da moda, artes e arquitetura, ela é também CEO da plataforma MJOURNAL.
Formada em jornalismo, tem extensão em Pesquisa e Análise de Tendências pela Central Saint Martins/University of the Arts London (UAL), a curadora independente, atuante desde 2017, discute em suas pesquisas a inserção, os desafios e as conquistas de jovens mulheres artistas no mercado da arte. É curadora adjunta da 13ª. edição da Bienal do Mercosul, mostra que acontece em Porto Alegre em 2022. Este ano, Carollina criou uma aula sobre mulheres artistas, corpo e subjetividades na luta, na década de 70, pela própria identidade e direito ao próprio corpo. Você pode assistir pelo YouTube.
Outra curadora para ter no radar: Luciara Ribeiro, que enxerga no ofício uma potente ferramenta de transformação, mudanças efetivas e reflexões atuais no mercado da arte. Mestre em História da Arte pela Universidade de Salamanca (USAL, Espanha, 2018) e pelo Programa de Pós-Graduação em História da Arte da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP, 2019), ela é colaboradora de conteúdo da Diáspora Galeria e docente no Departamento de Artes Visuais da Faculdade Santa Marcelina. Você também pode assistir uma de suas aulas pelo canal do WOW no YouTube.









