Morre Brigitte Bardot, lenda do cinema francês que amava o Brasil, aos 91 anos
A notícia foi confirmada neste domingo (28) pela Fundação Brigitte Bardot, que era presidida pela atriz, mas a causa não foi divulgada
Ícone do cinema internacional, a atriz Brigitte Bardot morreu aos 91 anos neste domingo (28). Em outubro, a artista havia passado por uma cirurgia em Toulon, na França, mas teve alta no mesmo mês. A causa do falecimento não foi revelada no comunicado oficial.
"Com imensa tristeza, a Fundação Brigitte Bardot anuncia a morte de sua fundadora e presidente, Madame Brigitte Bardot, atriz e cantora de renome mundial, que escolheu abandonar sua prestigiada carreira para dedicar sua vida e sua energia à defesa dos animais e à sua fundação", afirmou a nota enviada às agências internacionais de notícias.
Nascida em Paris, Brigitte começou a carreira no balé clássico. Aos 15 anos, já era modelo, o que abriu caminhos para o cinema. A estreia foi 1952 e apenas quatro anos depois conquistou projeção internacional com E Deus Criou a Mulher, dirigido por Roger Vadim, de 1956. O filme retratava uma mulher jovem, sensual e independente, adjetivo que rompia com o os costumes da época. Ele foi até censurado em Hollywood, mas consolidou a atriz como símbolo sexual.
Muitos outros longas vieram depois. É o caso de A Verdade (1960), O Desprezo (1963), Viva Maria! (1965) e As Petroleiras (1971). No total, foram 56 filmes antes de encerrar a carreira em razão da perseguição midiática.
Nesse período, a influência da atriz ultrapassou as telas de cinema. O cabelo loiro platinado, com volume especialmente no topo da cabeça, e o delineado preto marcante nos olhos se tornaram uma marca registrada que inspira até hoje.
Na década de 70, entretanto, decidiu se afastar da arte. Aos 38 anos, criou a Fundação Brigitte Bardot, instituição dedicada à luta contra a crueldade e exploração de animais. Apesar do reconhecimento internacional neste trabalho, não se afastou das polêmicas relacionadas a outros assuntos de impacto social.
Algumas de suas declarações problemáticas sobre imigração, islamismo e homossexualidade a levaram a uma série de condenações por incitação ao ódio racial. Só entre 1997 e 2008, ela foi multada seis vezes pela Justiça francesa em razão de suas falas, especialmente aquelas dirigidas à comunidade muçulmana da França.
Ela deixou um único filho, Nicolas Jacques Charrier, hoje com 65 anos, fruto do relacionamento com o ator Jacques Charrier. Já para os fãs, ficou a autobiografia "Iniciais B.B.: Memórias", lançada em 1996.
Relação com o Brasil
No desejo de fuga do assédio frenético da imprensa europeia em torno de sua vida, antes de se afastar definitivamente da arte, Brigitte desembarcou em Búzios acompanhando o namorado brasileiro e jogador de basquete do Flamengo Bob Zagury, em meados de 1964. Ali, encontrou um refúgio improvável: uma vila de pescadores anônima. Durante semanas, viveu de forma discreta, andando descalça, convivendo com moradores locais, até ser descoberta pela imprensa.
A relação, entretanto, permaneceu como um capítulo simbólico de sua trajetória. Búzios nunca deixou de ser associada à atriz, que acabou se tornando parte da memória afetiva do lugar. Não à toa, lá repousa eternamente uma estátua da atriz sentada num banco à beira-mar.









