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Clara
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Por Clara Sodré (@clarasodree)

Especialista em investimentos, analista de Alocação e Fundos da XP e educadora na XP Educação (XP Inc.). Foca em educação financeira e diversidade no mercado.


A nossa sociedade foi construída em cima de estereótipos que definiam o que era “coisa de mulher” e o que era “coisa de homem”. Dentro dessa segregação existia a ideia de que mulheres deveriam cuidar do lar e o homem sair para trabalhar e gerar renda. Há muito tempo acompanhamos o rompimento dessas divisões e vemos a crescente presença feminina no mercado de trabalho. Mas, o que acontece quando falamos sobre investimentos?

Primeiro, um papo sobre história! Até 1962, mulheres casadas só podiam trabalhar fora, viajar ou abrir conta no banco se o marido permitisse. A justificativa era a “incapacidade”, já que a geração de renda era uma tarefa masculina. Por outro lado, a parte dos gastos com a família como um todo (alimentação, vestiário, decoração) era “coisa de mulher” e daí vem a ideia de que mulheres só gastavam. Ah, e sabe aquele dinheiro que sobrou? Nada mais masculino do que falar em negócios, expansão e bolsa de valores - mais um estereótipo da cultura machista.

Dinheiro e investimentos? É coisa de mulher, sim! (Ilustração: @leticia.olieveirx) — Foto: Glamour
Dinheiro e investimentos? É coisa de mulher, sim! (Ilustração: @leticia.olieveirx) — Foto: Glamour

Os estereótipos se tratam de uma construção social que começa na primeira infância. No período escolar as crianças já escutam que os homens possuem pensamento mais lógico e racional e as mulheres um pensamento mais emocional. Dessa forma, mulheres tendiam a gostar das matérias de “humanas” e os homens das matérias de “exatas”. E quando falamos de negócios e bolsa de valores, como envolve um raciocínio matemático, logo vem a premissa de que “não é coisa de mulher”. Um outro fator impactante é o contexto histórico!

“Além disso, de nada adianta perguntar o que teria acontecido se a sra Seton, a mãe dela e a mãe da mãe dela tivessem acumulado uma grande fortuna sob os alicerces da faculdade e da biblioteca, porque, em primeiro lugar, era impossível ganharem dinheiro e, em segundo lugar, mesmo que fosse possível, a lei lhes negava o direito de serem donas do dinheiro que ganhassem [...]. O dinheiro teria sido propriedade do marido – pensamento que, talvez, deve ter contribuído para manter a sra. Setor, sua mãe e sua avó longe da Bolsa de Valores.” (Um teto todo seu - Virginia Woolf)

Esse trecho da Virginia retrata bem a estrutura machista da sociedade. Quando falamos estrutura, estamos levando em consideração que as gerações atuais ainda estão em processo de desfazer algumas crenças que são muito antigas. Hoje as mulheres já são maioria quando o assunto é orçamento doméstico, mas isso não quer dizer que a educação financeira acompanhou esse crescimento.

E o mercado financeiro?

Estagnando em 23% do total de CPFs cadastrados, no Brasil as mulheres seguem minoria na bolsa de valores. Isso não quer dizer que as mulheres não conseguem poupar, vamos lembrar que até pouco tempo atrás, a abertura de conta era somente com permissão. E grande parte dos investimentos da família estão em nome dos homens.

Muito se fala na aversão a riscos que as mulheres possuem, porém, quando olhamos investimentos mais conservadores como o tesouro direto as mulheres ocupam uma fatia de apenas 31% da base total. Logo, o problema não está no risco, mas sim na ideia de que mundo dos investimentos é masculino.

A capacidade de aprender é a mesma tanto para homens, quanto para mulheres. Alguns estudos mostram uma diferença comportamental – os homens no geral demonstram mais autoconfiança nas aplicações e por isso são vistos como mais arrojados nas decisões, já as mulheres mais analíticas e estratégicas. Na compra e venda de ações, por exemplo, as mulheres tendem a pensar no longo prazo.

“Mas Clara, eu ouvi dizer que mulheres não gostam de risco e você disse que homens são vistos como mais arrojados, é verdade?”

Essa visão de que os homens são mais arrojados é justamente pela auto confiança comentada anteriormente. Na hora da tomada de decisão as mulheres tendem analisar e avaliar mais o risco X retorno de cada aplicação. Mas isso não quer dizer que os retornos são menores ou que isso é errado. Vale citar o estudo do banco Goldman Sachs, que mostrou que fundos geridos por mulheres possuem rendimentos superiores aos geridos por homens. Logo, é possível dizer que essa característica mais analítica, ajuda no mercado financeiro.

Próximos passos

Você sabia de todo esse contexto histórico que eu trouxe hoje? O que acha de compartilhar com suas amigas para que elas também entendam toda essa construção e comece o processo inverso. O que é o processo inverso? Desconstrução para entender que o mercado financeiro é para todas nós! No momento que você compartilha com pelo menos uma amiga, teremos mais uma mulher despertando para esse assunto.

Falando em amigas, como andam as conversas na sua roda de amigas? Vocês conseguem falar abertamente sobre dinheiro? Sabia que esse é o primeiro passo? Falar sobre dinheiro abertamente ajuda a desconstruir ideias errôneas sobre finanças além de engajar quem está mais próximo incentivando a estudar sobre mercado. Provoque suas amigas! Levar esse assunto para sua próxima conversa com elas já é um passo importante.

Comentei que essa construção começa na infância, como estão as crianças que estão a sua volta? Um diálogo aberto com as crianças irá ajudar a construir novas gerações preparadas e empoderadas.

Para finalizar, o grupo MLHR3 da XPInc em parceria com a Xpeed lançou uma jornada especial de educação financeira para mulheres. O curso vai do Equilíbrio financeiro até os primeiros passos no mundo dos investimentos. E o objetivo é te ajudar nessa jornada com os melhores especialistas da área. Não vai ficar de fora, né?

Ah, e já fica um outro convite! No dia 03/11 teremos uma live aberta “Você protagonista da sua independência financeira” então te convido a ficar ligada la no meu instagram (@clarasodree) para não perder nada.

Vamos desbravar o mercado financeiro juntas? Mãos à obra!

Clara Sodré é especialista em Investimentos e Assessora de Investimentos da XP. Criadora de conteúdos voltados para educação financeira e diversidade no mercado financeiro. Antes disso trabalhou no Banco Bradesco e no escritório de investimentos EQI. (Foto: Divulgação) — Foto: Glamour
Clara Sodré é especialista em Investimentos e Assessora de Investimentos da XP. Criadora de conteúdos voltados para educação financeira e diversidade no mercado financeiro. Antes disso trabalhou no Banco Bradesco e no escritório de investimentos EQI. (Foto: Divulgação) — Foto: Glamour
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