Fernanda Paes Leme: Por que você precisa aprender a desapegar
Em sua nova coluna para a Glamour, a Fepa reflete sobre as mudanças de rota que fizeram com que ela evoluísse (e muito) como mulher
O ano: 2014. O programa: SuperStar. A emissora: TV Globo.
Foi no dia 6 de abril, depois do Fantástico, que eu apareci ao vivo com um microfone na mão exercendo, até então, uma nova função: apresentadora. E fui bastante elogiada por isso. “Uau você se encontrou”, “nossa, como você é espontânea”, “nota 10 para Fernanda Paes Leme”. Eu apenas segui o conselho do diretor do programa, o Boninho: seja você mesma.
OK, mas rebobina um pouco... Essa transição não foi tão simples assim.
Quando aceitei o convite de abraçar uma carreira diferente da que eu estava seguindo desde pequena, fiquei muito insegura. Desapegar de ser atriz, naquele momento, era algo muito forte e incerto para mim. Era como se eu estivesse abrindo mão de tudo que tinha construído antes do dia 6 de abril de 2014.
Pula para 2019.
Pensei em escrever essa coluna há algumas semanas, quando finalizava as gravações da nova temporada do Desengaveta, que acabou de estrear no Canal GNT (toda quarta-feira às 22h30!). Câmeras desligadas, tiro o figurino, vou para meu quarto no hotel e tudo isso, desde as coisas que precisei abrir mão a tantas outras que conquistei, voltam para a minha cabeça. É muito louco pensar que precisei sair do meu casulo, confortável e seguro, para ir rumo ao desconhecido, bater asas e ganhar o mundo. É uma analogia clichê, sim, mas é real também. Desapegar não é só largar algo para trás.
A minha carreira de atriz ficou em modo avião um tempo, é verdade – mas hoje ela segue de mãos dadas com a de apresentadora (e com qualquer outra coisa que eu queira ser). Mas, cada vez que você desapega de uma coisa, abre espaço para abraçar uma coisa nova. O que você fará com essa configuração diferente de vida é um dos fatores que definirão o seu futuro.
Largar sua cidade é também se reencontrar em outra. Terminar um namoro é também ter um tempo maior para se conhecer e conhecer novas pessoas. Fazer uma limpa no guarda-roupa é também ter espaço para descobrir novos estilos, fazer a energia circular... E claro, nada dessas coisas são regras. Você pode sofrer por mudanças, pode chorar, pode não querer. Mas mudar é inevitável e, pessoalmente, acho fundamental.
Voltando ao quarto do hotel... Vejo não só a profissional que, entre apegos e desapegos, eu estou me tornando, mas também a Fepa filha, mãe de pet, irmã, amiga, consumidora e cidadã que aprendeu a ter mais responsabilidade consigo e com o mundo. Olho o meu Desengaveta e tenho muito orgulho em ver um programa sobre consumo consciente indo para a quarta temporada renovado, divertido, evoluindo junto comigo e com toda a sociedade
O meu envolvimento com esse projeto é mais que entretenimento. É uma escolha de vida que iluminou meu já existente olhar sobre moda, consumo e empatia. Sim empatia, afinal, de que adianta se preocupar com o meio ambiente e consumir um sapato com a ideia de usá-lo uma única vez?!
No final do programa, quando eu digo “desengaveta, deixa sua vida mais leve”, não falo apenas de roupas, mas de ideias e ideais, de emoções e de relações.
Esse é um exercício de renovação. Deixe sair para caber NOVAS COISAS, mas não necessariamente coisas novas.









