A gente quer mesmo ouvir o que Camila Fremder tem a dizer
De noias aos mais variados assuntos do cotidiano, Camila Fremder dialoga com diferentes públicos, inclusive a geração TikTok. No Dia Nacional do Podcast, formato que a consagrou, conheça mais sobre sua trajetória e o que ainda vem por aí
Publicitária de formação, escritora, podcaster e, agora, também TikToker. Camila Fremder é muita coisa, mas gosta de brincar que só não é daquelas com carisma. O que não parece tão justo assim, já que parar para ouvir o que ela tem a dizer é sempre tão interessante. "Se eu for citar uma coisa que as pessoas não imaginam é que, na verdade, sou muito quieta", conta durante papo com a Glamour.
Em sua estreia como apresentadora (em vídeo!) ao lado de Gabriel Santana, na segunda temporada de O Amor na Influência, da Amazon Music, ela vive um dos melhores momentos de sua carreira e se felicita por, aos 42 anos, poder ouvir e ser ouvida pela geração Z. Seja no aplicativo que dominam, o TikTok, ou fora dele. “A maior dificuldade é quem ainda não entendeu a galera mais jovem”, reflete, entre outros assuntos, no papo a seguir.
Você sempre leva as críticas que surgem na internet com muito humor. Tem algum cuidado específico para se blindar?
Quando eu era mais nova, ficava muito indignada com comentários de pessoas sem noção. Questionava o que eu tinha dito ou a minha existência por completo na internet. Hoje em dia, é difícil eu parar para olhar tudo e, quando vejo algo ruim, não prende minha atenção. Nunca tive nenhum grande problema. O que já aconteceu, e que acho generoso que façam, foi darem um toque do tipo "olha, a gente não usa mais essa expressão", e daí eu agradeço e digo que vou editar o conteúdo.
Sente alguma dificuldade em falar com várias gerações?
A maior dificuldade é quem ainda não entendeu a galera mais jovem; eles estão perdendo muito! Não sei se é o meu jeito de falar que criou essa identificação, mas fui muito sortuda de conseguir entrar em contato e ter essa troca.
Como comunicadora e influenciadora, para você, qual a maior responsabilidade que acompanha esse compromisso?
Saber misturar episódios leves e engraçados com outros que prestam algum serviço para o tamanho da audiência que tenho. É por isso que a gente criou o quadro "Não Desconversa", por exemplo, no Nóia, onde debatemos assuntos que as pessoas têm uma resistência maior em falar - como capacitismo, racismo, assédio e pressão para ter filhos.
Você estreou como apresentadora em O Amor na Influência, ao lado de Gabriel Santana. Como foi a entrada nesse projeto e que lado diferente seu vamos conhecer?
É o passo que eu não tinha pensado em dar quando migrei das crônicas para podcast: fui para o áudio e, agora, estou indo para o vídeo. Eu até tenho alguns conteúdos em vídeo, mas estou como apresentadora mesmo, em um formato mais parecido com televisão. Dei mais um passo de algo com o qual não me sentia segura antes. Estou me sentindo em casa! Parece que sempre fiz isso da minha vida. Também me sinto presenteada com a troca maravilhosa com o Gabriel, que tem 24 anos. É muito rico ter a visão dele, alguém que começou trabalhando tão novo e que tem esse gap geracional comigo.
Como era sua relação com Rita Lee e qual o maior aprendizado que ela te deixou?
Eu fiquei muito tempo com o Antônio (Lee) e, mesmo depois da separação, continuamos com uma ótima relação e em formato família. Então, estive, até o fim, bastante próxima à Rita. Ela tinha noias muito boas e específicas, e era ótima em debater a respeito do nada. Acho que o maior legado que ela deixou para todos nós foi essa mente criativa até o último segundo. Muito feminista sem nem saber que estava sendo, deixou o ensinamento de que não existe nenhum empecilho para uma mulher que tem 60, 70 anos continuar criando.
E a Camila fora dos conteúdos da internet? Algum lado seu que ninguém espera?
As pessoas conhecem bastante das coisas que me encantam, porque, quando gosto de algo, sou muito intensa. Minha relação com os bichos, por exemplo, nem preciso falar: é só entrar nos meus stories para ver que tenho seis pets aqui, né? [risos]. Mas, se for para citar algo que não imaginam é que, na verdade, sou muito quieta. Adoro e tenho necessidade de ficar sozinha! E o sozinha que eu falo é sem pessoas, mas com bichos, porque acho que eles recarregam mesmo a energia.
Quais as novidades até o fim do ano?
Lanço agora no começo de outubro o meu segundo livro infantil, Quibe e o Tesouro das Abelhas, que também vai sair em audiolivro. Foi um projeto lindo idealizado pelo Arthur, meu filho, depois que começaram a trabalhar acessibilidade na escola dele. É um audiolivro específico para crianças com deficiência visual, que tem todo um trabalho lúdico de descrição e efeito sonoro. Também tem a estreia do É Nóia Minha? no teatro, que já está com três datas esgotadas aqui em São Paulo.
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