Como lidar com a dor da rejeição? 5 dicas para retomar o controle da sua vida
Quando somos rejeitados, a dor vai além da perda; ela pode questionar nossa autoestima. Entenda o que acontece e como dar a volta por cima!
Fui rejeitada inúmeras vezes ao longo da minha vida. Lembro-me da dor que senti ao descobrir que não fui aceita no time principal de futebol da minha escola. Anos depois, essa dor voltou quando a faculdade dos meus sonhos recusou minha inscrição, quando alguém por quem eu estava completamente apaixonada terminou comigo e quando fui preterida para um emprego bem remunerado em uma start-up de tecnologia.
Após essas rejeições, não consegui afastar o mesmo pensamento intrusivo e insistente: eu não sou boa o suficiente. Achei que havia algo específico em mim que era inferior, como o meu tipo de personalidade ou minhas habilidades de pensamento criativo, e fiquei arrasada. “A rejeição não é apenas a perda de um sonho que você desenvolveu, mas também costuma ser vivenciada como um golpe na sua autoestima”, diz Molly Burrets, PhD, psicóloga baseada em Los Angeles e professora adjunta no departamento de terapia de casamento e família da Universidade do Sul da Califórnia, em entrevista à Self..
Quando as coisas não saem como você espera, é fácil ruminar sobre o que poderia ter feito diferente ou sobre maneiras de ser melhor — e surpreendentemente difícil parar de pensar nisso. Então, é totalmente possível se libertar da espiral pós-rejeição e, bem, retomar o controle. Mas, antes de irmos às dicas, é importante entender por que ser rejeitada pode deixá-la tão desestabilizada em primeiro lugar.
Por que a rejeição é tão dolorosa?
Quando você se depara com uma oportunidade — como um emprego incrível ou um novo relacionamento de longo prazo —, seu cérebro tende a criar uma visão idealizada de como sua vida poderia ser dali em diante, diz a Dra. Burrets. No caso daquele emprego em uma start-up, por exemplo, imaginei que me tornaria super bem-sucedida financeiramente antes dos 30 anos. Então, se e quando o cargo ou o relacionamento não dá certo, você não perde apenas a coisa em si — também precisa deixar de lado o futuro maravilhoso que construiu em sua mente.
As pessoas tendem a levar essa perda muito para o lado pessoal. “Você pode se sentir diminuída, desvalorizada ou injustiçada, o que pode gerar sentimentos de inadequação ou vergonha”, explica Lauren Phillips, PsyD, psicóloga com base no Brooklyn, no Williamsburg Therapy Group, à Self. “Contamos a nós mesmas essa história de que algo negativo em nós é a razão pela qual não conseguimos essa oportunidade”, acrescenta a Dra. Burrets, como quando eu estava convencida de que meu namorado terminou comigo porque eu não era divertida ou bonita o suficiente.
Além da dor inicial, ser rejeitada também pode trazer à tona dores ou inseguranças que você carrega de rejeições passadas. As perdas se acumulam, explica a Dra. Burrets, e pensamentos cínicos que você já teve sobre si mesma podem voltar à tona. Por exemplo, se você já passou por alguns términos, pode interpretar cada nova experiência como “prova” de que não é amável. Você pode acabar construindo um caso forte contra si mesma dessa forma, diz a Dra. Burrets — e é por isso que aprender a lidar com a rejeição sem entrar em uma espiral é tão essencial. A propósito…
E como lidar com a rejeição?
Reconhecer sua tendência a entrar em uma espiral é um bom primeiro passo, mas não para por aí. Aqui estão algumas maneiras de lidar quando sua mente começar a correr solta, seja repassando cada detalhe ou sentindo todas as emoções.
1. Escreva em um diário sobre o que acabou de acontecer
Se sua mente está acelerada pensando no que deu errado ou em tudo o que poderia ter feito de maneira diferente, pegue um caderno e comece a escrever. A Dra. Phillips recomenda anotar todos os pensamentos e emoções que você tem sobre o que aconteceu, em um formato de fluxo de consciência. “É como ligar para um amigo para desabafar e descarregar — só que, desta vez, você está sendo seu próprio apoio e conhecendo-se de uma maneira mais profunda”, ela explica.
Uma razão pela qual isso funciona tão bem? Escrever no diário desacelera sua mente que está em espiral. “Pensamos muito mais rápido do que conseguimos formular frases e significativamente mais rápido do que podemos escrevê-las fisicamente”, diz a Dra. Phillips. Além disso, pesquisas mostram que escrever em um diário pode neutralizar pensamentos negativos e estimular uma visão menos julgadora sobre suas experiências de vida, ajudando você a encontrar novas perspectivas. Você pode perceber, por exemplo, que aquela entrevista foi um bom treinamento para uma próxima oportunidade ou que você e seu ex, na verdade, não eram tão compatíveis assim.
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2. Verifique os fatos da história que você está contando a si mesma
Existem inúmeras razões pelas quais você pode não ter sido escolhida para algo, mas, de acordo com a Dra. Burrets, as emoções nem sempre nos ajudam a enxergar as coisas com clareza. Em vez disso, tendemos a ignorar os fatores que não são pessoais e focar em nossas possíveis falhas. Por isso, a Dra. Burrets destaca a importância de dar um passo atrás e examinar os fatos da situação — ou pelo menos considerar explicações alternativas.
Pegue o meu exemplo: frequentemente envio histórias que são rejeitadas pelos meus editores. Em vez de assumir que tenho ideias ruins, pode ser que eu não tenha aprofundado bem o ângulo da ideia — e essa rejeição pode ser um lembrete de que, se eu dedicar mais tempo ao brainstorming, terei uma chance melhor na próxima vez.
O objetivo é avaliar a situação de forma objetiva e racional, o que provavelmente fará você perceber que não é totalmente culpada. “Você pode analisar as partes de si mesma que precisam ser aprimoradas para alcançar seu objetivo — e também as partes que não têm a ver com você — para que possa abandonar uma narrativa insalubre e imprecisa de que você não é boa o suficiente ou nunca será”, explica a Dra. Burrets.
3. Considere a perspectiva da outra pessoa
Verificar os fatos da sua monólogo interno pode ajudá-la a ter uma visão mais ampla, mas nem sempre responderá a todas as perguntas ou aliviará todas as dores — especialmente quando os motivos ou as circunstâncias de outra pessoa estão envolvidos. Por isso, vale a pena refletir sobre as perspectivas das outras partes envolvidas, afirma a Dra. Phillips. Por exemplo, aquele match promissor no Tinder mencionou recentemente um término. Talvez ter recusado o segundo encontro tenha mais a ver com o fato de ainda não estarem prontos para namorar do que com você.
Considerar o ponto de vista da outra pessoa pode não apenas lembrá-la de que a decisão talvez não seja pessoal, mas também ajudá-la a ter empatia pelo que ela está enfrentando, explica a Dra. Phillips. Isso pode ajudá-la a se acalmar e a silenciar aquela mentalidade pessimista de "eles contra mim". “Quando você consegue ver a outra pessoa ou instituição como separada e vivendo sua própria experiência, entende que não se trata de nenhum defeito pessoal seu”, diz ela.
4. Conecte-se com coisas — ou pessoas — que façam você se sentir bem consigo mesma
Se estiver se sentindo desanimada, faça uma atividade na qual sabe que é boa ou passe um tempo com pessoas que a fazem se sentir apoiada. Por quê? Situações que permitem que você brilhe ajudam a recuperar o sentimento de validação e apreciação, diz a Dra. Burrets. Nesse sentido, este não é o momento de visitar aquela amiga de infância que sempre a critica ou de começar um hobby novo e desafiador. “Tenha um limite contra pessoas e experiências que façam você questionar seu valor”, sugere a Dra. Burrets.
Em vez disso, cerque-se de aliados confiáveis, que a escutem e façam você rir, e participe de atividades que a deixam orgulhosa de quem você é. Se você ama cantar e frequentemente recebe elogios por sua voz, vá ao karaokê. Se todos elogiam sua comida, convide amigos para um jantar em sua casa. Fazer uma atividade já testada e aprovada com boa companhia a ajudará a enxergar que você não é um fracasso — na verdade, você é incrível.
5. Diga adeus aos seus antigos objetivos e crie novos
Como a Dra. Burrets explicou acima, a rejeição é uma forma de perda — e é fundamental lamentar o que poderia ter sido. Permita-se ficar triste por um tempo, recomenda a Dra. Burrets. Fale sobre a oportunidade perdida com amigos, ouça músicas, leia livros ou assista a séries e filmes que ressoem com suas emoções.
Depois de viver o luto, a Dra. Phillips incentiva a se perguntar: você realmente precisava daquele resultado específico ou há outras opções que também poderiam dar certo? Às vezes, nossas expectativas são lineares e inflexíveis — mas é importante lembrar que existem muitas outras oportunidades para você, diz a Dra. Burrets.
Olhando para trás, consigo ver que ser rejeitada na verdade me direcionou a um caminho diferente e melhor. Aquele relacionamento na faculdade precisava acabar para que eu conhecesse meu marido. E a start-up que me recusou? Escrever é, sem dúvidas, uma escolha muito melhor para mim do que um trabalho de atendimento ao cliente na indústria de tecnologia. Como diz a Dra. Burrets: "Talvez não conseguir aquilo aponte a seta para uma direção diferente."
Então, crie novos objetivos. Navegue por vagas de emprego, baixe apps de namoro, explore as ofertas de outra universidade — e permita-se se entusiasmar com a próxima grande oportunidade!
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