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Mariana Gonzalez (@marianazalez)

A bateria é o coração de uma escola de samba. Logo à frente dela, desfila uma das figuras mais conhecidas do Carnaval brasileiro: a rainha.

Na noite deste sábado (21), veremos algumas das mais importantes delas cruzando a Sapucaí no Desfile das Campeãs do Rio de Janeiro: Viviane Araújo (Salgueiro), Sabrina Sato (Vila Isabel), Juliana Paes (Viradouro), Lorena Raíssa (Beija Flor), Evelyn Bastos (Mangueira) e Iza (Imperatriz Leopoldinense).

Mas, afinal, qual é o papel de uma rainha de bateria?

Lorena Raíssa, rainha de bateria da Beija-Flor, escola vice-campeã do Carnaval 2026 — Foto: Reprodução/Instagram
Lorena Raíssa, rainha de bateria da Beija-Flor, escola vice-campeã do Carnaval 2026 — Foto: Reprodução/Instagram

Viviane Martins, coreógrafa, mestre em Artes e pesquisadora das escolas de samba, explica que uma rainha de bateria tem pelo menos duas funções muito importantes na agremiação: “Durante o desfile, ela apresenta a bateria e cria um diálogo entre os músicos e o público. Mas, fora da Avenida, ela é uma figura ainda mais potente, porque representa a identidade daquela comunidade e é uma referência para as sambistas mais jovens”, explica a pesquisadora.

Embora não configure um quesito que vale nota por si só, as rainhas de bateria influenciam (e muito!) nas notas dos jurados. Como elas seguem à frente da bateria, ditam o ritmo do andamento da escola e podem impactar as notas do quesito evolução se andam devagar ou muito rápido, por exemplo. “Por isso, é tão importante que as rainhas estejam presentes nos ensaios. Elas precisam estar entrosadas com a bateria para que não sejam apenas uma figura bonita ali no meio e prejudiquem a escola”, fala Viviane.

“Na minha visão, quando uma personalidade de fora da escola assume o cargo de rainha bateria, precisa entender que está representando o amor, a identidade, a cultura e a ancestralidade de uma comunidade inteira”, defende a pesquisadora. “É visível quando uma pessoa está ali só pelos holofotes, mas não se envolve com a cultura do samba”.

O surgimento da realeza

Eloína dos Leopardos foi rainha da Beija-Flor em 1976 — Foto: Reprodução/Instagram
Eloína dos Leopardos foi rainha da Beija-Flor em 1976 — Foto: Reprodução/Instagram

Os primeiros desfiles de escolas de samba do Rio de Janeiro aconteceram na década de 1930, mas as rainhas surgiram apenas quarenta anos mais tarde, quando algumas passistas começaram a ganhar destaque e ocupar o espaço à frente da bateria. As primeiras rainhas, portanto, eram mulheres da própria comunidade – a maioria delas negras e filhas ou netas de passistas.

A primeira personalidade de fora da escola a ser rainha de bateria foi a atriz e dançarina Eloína dos Leopardos, uma mulher trans. Em 1976, ela foi convidada pelo carnavalesco Joãosinho Trinta para ocupar o posto na Beija-Flor.

Na década seguinte, celebridades passaram a ser convidadas, justamente quando foi inaugurado o Sambódromo da Marquês de Sapucaí e os desfiles das escolas de samba ganharam status de espetáculo midiático. Estamos falando de nomes gigantes do Carnaval, como Luma de Oliveira, Monique Evans e Luiza Brunet.

Luiza Brunet desfile como rainha de bateria da Imperatriz Leopoldinense, em 2010 — Foto: Getty Images
Luiza Brunet desfile como rainha de bateria da Imperatriz Leopoldinense, em 2010 — Foto: Getty Images

À medida que o carnaval cresceu, o posto de rainha se tornou mais cobiçado. Hoje, algumas escolas colocam o posto de rainha de bateria em meio a negociações que envolvem visibilidades, seguidores e patrocinadores. Outras, seguem a tradição e têm rainhas que cresceram na agremiação – é o caso de Lorena Raíssa, na Beija-Flor, Evelyn Bastos, na Mangueira, e Mayara Lima, na Tuiuti.

Isso significa que celebridades não deveriam ser rainhas das escolas de samba? Para a pesquisadora, não. Ela cita Viviane Araújo, Juliana Paes, Paolla Oliveira e Sabrina Sato como exemplos de personalidades que transitam bem entre a televisão e a Avenida. “Elas criaram uma conexão visível com as suas escolas. Frequentam a comunidade, estão presentes nos ensaios e entendem a responsabilidade de estar à frente dos ritmistas”, percebe.

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