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Giovanna Antonelli está de volta aos cinemas com Rio de Sangue, dirigido por Gustavo Bonafé, que estreia no dia 16 de abril. Na trama, a atriz vive Patrícia Trindade, uma agente afastada após uma operação que dá errado e que passa a viver sob ameaça do narcotráfico. A decisão de se refugiar no Alto Tapajós ao lado da filha, Luiza, interpretada por Alice Wegmann, ganha outro peso quando uma missão humanitária termina em sequestro e transforma a narrativa em uma corrida contra o tempo.

Ambientado na Amazônia, o longa traz para a tela questões que fazem parte do cotidiano da região e raramente ganham espaço em produções comerciais. “O que vemos ali acontece todos os dias, há muitos anos. A floresta e o olhar do povo indígena, contam nossa história de uma forma muito potente”, dispara Giovanna, em entrevista à Glamour.

Com o cinema brasileiro em evidência no cenário internacional, com presença recente no Oscar e até uma vitória histórica, a atriz não arrisca previsões sobre o caminho do filme, mas reforça a conexão com o público nacional. “Foi feito para o nosso público. E, principalmente, trouxe duas mulheres como protagonistas, num gênero somente estrelado por homens”, destaca.

Com uma carreira de mais de 30 anos, Giovanna mantém o interesse por histórias que a desafiam. “A paixão pela profissão me trouxe até aqui. E a possibilidade de me reinventar como atriz. Essa profissão não depende da idade, e sim, de como eu encaro cada papel como se fosse a ‘primeira vez’. Isso mantém minha chama acesa pra todo projeto”, afirma.

Aos 50 anos, completados recentemente, ela encara o tempo com leveza e sem rótulos. “Tirando a menopausa (risos), ainda não tive tempo de parar pra pensar. Deixo 50 sendo somente um número. Vivo intensamente. Talvez essa seja uma boa solução pra não sentir o tempo passar!”. Confira a entrevista a seguir.

O filme aborda temas delicados e necessários, como violência, narcotráfico e a realidade na Amazônia. Como foi mergulhar em uma história tão densa e qual impacto isso teve em você?

Apesar de não ser o tema central do filme, foi muito importante mostrar nossa realidade pouco falada e muito sabida. O que vemos ali acontece todos os dias, há muitos anos. A floresta e o olhar do povo indígena contam nossa história de uma forma muito potente.

A personagem Patrícia Trindade está longe de ser uma heroína clássica. O que te atraiu nessa personagem e quais foram os maiores desafios para dar vida a essa mulher?

Todas as suas contradições e o fato de ser uma anti-heroína. É uma personagem que não está preocupada em agradar, nem conquistar ninguém. E já começa errando logo na sua apresentação. Isso é muito humano. Real.

Como foi lidar com os limites do corpo durante as gravações, especialmente em um ambiente como a Amazônia?

Precisa de muita resistência. E principalmente exercitar presença, foco e concentração. Tivemos o suporte de uma equipe muito competente, que ajuda o dia a dia ser mais leve.

Giovanna Antonelli — Foto: Vinicius Mochizuki
Giovanna Antonelli — Foto: Vinicius Mochizuki

Patrícia é movida por urgência, medo e coragem ao mesmo tempo. Em algum momento você se reconheceu nela?

Com certeza, nós mulheres, somos ‘Patrícia’, ou já fomos, em algum momento da vida, em outras situações. Quem não sente medo? Ainda mais com o número alarmante de violência contra mulheres? Que mulher não tem urgência e muita coragem?

O cinema brasileiro vive um momento forte lá fora, com presença no Oscar nos dois últimos anos e até uma vitória histórica. Você acredita que Rio de Sangue pode trilhar um caminho parecido?

Não faço ideia, porque não domino o mercado internacional. Mas posso dizer que torço muito pra que o filme seja muito bem aceito especialmente no Brasil, e foi feito pro nosso público. E, principalmente, trouxe duas mulheres como protagonistas, num gênero somente de estrelado por homens. Achei lindo isso!!!

Giovanna e Alice Wegmann em cena — Foto: Barbara Vale
Giovanna e Alice Wegmann em cena — Foto: Barbara Vale

Depois de tantos anos de carreira, o que ainda te instiga a aceitar projetos como esse?

A paixão pela profissão que me trouxe até aqui. E a possibilidade de me reinventar como atriz. De me desafiar. Essa profissão não depende da idade, e sim, de como eu encaro cada papel como se fosse a ‘primeira vez’. Isso mantém minha chama acesa pra todo projeto.

Você completou 50 anos recentemente. Como você enxerga a nova idade?

Tirando a menopausa (risos), ainda não tive tempo de parar pra pensar. Deixo 50 sendo somente um número. Vivo intensamente. Talvez essa seja uma boa solução pra não sentir o tempo passar!

Existe algo que você faz questão de priorizar nessa fase da vida, seja pessoal ou profissionalmente?

Sem dúvida, cada vez mais, meus filhos, amigos, curtir muito, viajar muito, selecionar onde coloco tempo e energia, escolher cada vez mais meus trabalhos… Isso deve ser amadurecer.

O que vem por aí além do filme? Novos projetos?

Já estamos preparando o Elas 2027. O maior evento feminino da América Latina, que lançamos este ano. Com mais de três mil mulheres presentes, em dois dias de imersão. Tenho outro filme e uma série até julho. Passo uma temporada na Europa, levando esse projeto de desenvolvimento pessoal e profissional pra mulheres. E participo do palco do Fire em setembro deste ano, pela primeira vez.

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