Alice Wegmann sobre 'Rio de Sangue': "O filme é uma espécie de denúncia"
Ao lado de Giovanna Antonelli, Alice Wegmann protagoniza o longa que aborda o garimpo ilegal em terras indígenas. À Glamour, ela fala a respeito dos desafios de filmar na floresta e revela que "pediu licença" ao entrar nos rios da Amazônia
Alice Wegmann mergulha no coração da Amazônia para dar vida à Luiza em Rio de Sangue, filme de Gustavo Bonafé, que estreia em 16 de abril nos cinemas. Médica de uma ONG, a jovem é sequestrada durante uma expedição no Alto Tapajós, mostrando um lado pouco explorado da realidade brasileira: o garimpo ilegal em terras indígenas.
Em meio a ação e tensão, o longa coloca duas mulheres (Alice divide cena com Giovanna Antonelli, que interpreta a sua mãe, Patrícia) no centro da narrativa. "Eu amo que o audiovisual brasileiro tem retratado as mulheres com força e proatividade, não apenas como submissas que esperam o príncipe encantado chegar", dispara, em entrevista à Glamour.
A imersão de dois meses na floresta trouxe experiências intensas e lições sobre respeito e cuidado com a natureza e as comunidades. "Não entrei nenhuma vez no rio ou nos igarapés sem pedir licença. Aquilo tudo é tão maior do que a gente. Então tentei ter o máximo de respeito, mas ainda assim sinto que foi pouco", explica.
Depois de atuar em Vale Tudo, filmar Rio de Sangue e gravar uma nova série na Netflix que estreia em novembro, Alice quer desacelerar. "Eu amo, mas preciso de férias. Inclusive preciso de um tempo pra me cuidar, tirar os sisos debaixo, fazer umas consultas médicas, sabe?", diz a atriz de 30 anos, que estreou na TV aos 15, em Malhação.
Confira a entrevista abaixo!
O que te chamou atenção na Luiza quando você recebeu o convite para Rio de Sangue?
Começou quando soube que o filme seria rodado no Pará. Eu amo o norte do Brasil, mas nunca tinha filmado por lá… Passamos dois meses entre Santarém e Alter do Chão, vivemos momentos mágicos dos quais nunca vou me esquecer. Fazer essa personagem que é médica, a profissão que mais admiro, foi um presente desde o início. Eu já sabia que ia me acrescentar muito logo quando recebi o roteiro.
Luiza está inserida em um contexto muito forte, ligado ao garimpo ilegal e à realidade de populações indígenas. Qual a importância de o cinema jogar luz sobre esses temas?
É a realidade do nosso Brasil. Nossos bens mais preciosos são explorados todos os dias de maneira ilegal, invadem terras indígenas constantemente, cometem crimes sem parar. Acho que o filme é uma espécie de denúncia, também; não é um filme de ação sem propósito com 'tiro, porrada e bomba'. A gente mostra o pulmão do mundo, que é a floresta amazônica, e as pessoas que batalham por ela, pelo bem e pelo mal.
Rio de Sangue é um filme de ação com duas mulheres no centro da narrativa. Como você enxerga esse protagonismo feminino dentro de um gênero que ainda costuma ser dominado por homens?
Bem, eu cresci vendo As Panteras e Três Espiãs Demais. Quando era pequena, meu sonho era ser detetive. Sempre quis fazer filmes de ação, fui atleta quando era criança, treinava 7h por dia. Depois, fiz boxe. Nunca parei de me exercitar. Meu corpo é muito preparado pra esse tipo de filme, e vivi isso algumas vezes em Onde Nascem Os Fortes, por exemplo. Então pra mim nunca foi algo distante, eu sempre soube que acabaria caindo aqui mais cedo ou mais tarde… A personagem, Luisa, não é policial nem nada, mas acaba sendo inserida nessas cenas porque está tentando sobreviver. Eu amo que o audiovisual brasileiro tem retratado as mulheres com força e proatividade, não apenas como submissas que esperam o príncipe encantado chegar.
Como foi dividir essa história com Giovanna Antonelli? Que tipo de troca vocês construíram em cena?
Eu fiquei apaixonada pela Giovanna, ela é uma companheira muito astral. Repete mantras pra ela e pra equipe todos os dias, joga a frequência do set lá em cima. É divertidíssimo. Ela sempre foi uma grande referência nas novelas, sempre roubava a cena. Mas foi muito interessante ver de perto ela habitando um lugar tão diferente com essa personagem.
As gravações na Amazônia trazem um contexto muito específico. Quais foram os maiores desafios de filmar em meio à floresta, ao clima e à logística da região?
Eu acho que era ficar ligado e lembrar o tempo todo que, apesar da floresta ser a nossa casa, tínhamos que cuidar três vezes mais dela. Quando você filma em outra cidade, outra região, você já tem que pedir licença pra entrar. Quando você filma na Amazônia, então… É muito mais delicado e especial. Porque envolve não só a questão da natureza e dos povos originários, mas também envolve a questão espiritual. Não entrei nenhuma vez no rio ou nos igarapés sem pedir licença, e olha que entrei muitas vezes… Aquilo tudo é tão maior do que a gente. Então tentei ter o máximo de respeito, mas ainda assim sinto que foi pouco.
Como você avalia o momento atual do audiovisual brasileiro? Acha que estamos vivendo uma fase de maior visibilidade e reconhecimento?
Sim, claro. Viver agora o Golden Globes deu também um gostinho de que estão investindo mais na gente. Os artistas do audiovisual precisam de incentivo pra criar, não dá pra fazer só 'por amor' pra sempre. São equipes gigantes que trabalham 12h por dia pra levantar um longa, uma série, um curta. São pessoas que sustentam suas famílias, que trabalham com suor e muita dedicação pra alimentar suas famílias. Espero que não seja só uma fase.
Depois de títulos como O Agente Secreto e Ainda Estou Aqui, você acredita que Rio de Sangue pode trilhar um caminho parecido e ganhar projeção internacional?
Eu acho que hoje em dia, com os festivais, a globalização e ainda mais com os streamings, o caminho internacional é sempre possível. É muito difícil chegarmos na proporção desses dois filmes, mas só de saber que seremos dublados em outras línguas, é divertido de imaginar. Temos ido muito mais longe com as nossas produções. Mas o que sempre me encanta mais é fazer cinema brasileiro para os brasileiros.
A sua carreira começou cedo e você cresceu sob os olhos do público. Como você lida hoje com a fama e a exposição?
Cada vez melhor. Antes, era muito insegura com tudo. Hoje, sou mais relax. Não me dou tanta importância e não acho que o mundo vai acabar se eu fizer algo de errado. Tento fazer o que meu coração manda, ser pontual no horário de chegada pro trabalho, tratar bem as pessoas. O resto vem.
Houve algum momento em que você sentiu necessidade de desacelerar ou rever prioridades na carreira?
Sim. Vou desacelerar um pouco agora, porque emendei o Rio de Sangue em Vale Tudo e logo que acabou, comecei a filmar a série. Agora, a série acaba, mas vou me dedicar ao lançamento do filme… Então não tenho parado. Em novembro, a série estreia, mas antes disso vou filmar um longa. Eu amo, mas preciso de férias. Inclusive preciso de um tempo pra me cuidar, tirar os sisos debaixo, fazer umas consultas médicas, sabe? Então agora em maio e junho eu separei pra não ter quase nada pra fazer…
Para fechar, o que você espera que o público leve depois de assistir a Rio de Sangue?
Eu acho que esse olhar pra um Brasil mais amplo, o cuidado com a nossa floresta e também uma distração boa, um filme que remexe com a gente, dá vontade de gritar no cinema! É tão gostoso quando isso acontece…









