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A novela Três Graças entra em sua reta final e Barbara Reis já sente o misto de "gratidão e saudade". Na pele da romântica e sonhadora Lena, a atriz enfrentou o desafio de dar vida a uma mulher que, levada pela frustração de não engravidar, atravessa a linha da legalidade ao comprar uma criança. O tema é delicado e expõe a realidade cruel do tráfico infantil. "Tentei me aproximar desse universo com respeito, entendendo as dores silenciosas que muitas mulheres vivem", conta em entrevista à Glamour.

A artista enxerga a oportunidade como um serviço necessário. Para ela, dar visibilidade a dramas que muitas vezes acontecem de forma invisível na sociedade é o primeiro passo para a reflexão e a denúncia. Barbara reforça que a história da Lena permitiu enxergar a maternidade com "mais profundidade e menos romantização": "Foi um mergulho que me deixou mais sensível e mais aberta a diferentes formas de viver."

A entrega emocional é fruto de uma trajetória sólida: Barbara completa 15 anos de carreira este ano e garante que nunca pensou em desistir. "Já questionei caminhos e formatos, mas nunca a escolha de estar nessa profissão", fala. Com o fim de Três Graças, o foco agora se volta para o teatro. A atriz já mergulha na produção de Nós Que Nos Devoramos., com estreia prevista para outubro, e organiza a retomada do espetáculo Limítrofe, que volta aos palcos em setembro para uma temporada especial.

Fora de cena, Barbara mantém a atenção redobrada à saúde, principalmente após o diagnóstico de lipedema em 2025. Entender a condição crônica provocou uma mudança profunda que mexeu com sua autoestima, mas trouxe o alívio de finalmente nomear sensações antigas de dor e inchaço. O processo exigiu que ela ressignificasse a própria imagem, trocando padrões externos de beleza por um acolhimento genuíno com o próprio ritmo. "Foi um processo de reconexão comigo mesma, de entender que meu corpo não é só estética, é saúde, é história", diz.

Acompanhe a entrevista abaixo!

Três Graças entra na reta final. Como você está vivendo esse momento de despedida da Lena?

De gratidão e uma saudade que já começa a aparecer. A Lena foi uma personagem muito intensa, que me atravessou de várias formas. Ao mesmo tempo que dá um aperto de se despedir, também sinto que é um fechamento bonito de ciclo. Fico feliz de ter contado essa história até o fim.

Lena vive a frustração de não conseguir engravidar e toma uma decisão extrema. Como foi construir uma personagem com um conflito tão delicado?

Foi um processo de muita escuta e responsabilidade. Tentei me aproximar desse universo com respeito, entendendo as dores silenciosas que muitas mulheres vivem. A frustração da Lena não é só sobre a maternidade, mas também sobre controle, expectativa e pertencimento. Construí essa personagem com muito cuidado para não cair em julgamentos, mas sim em humanidade.

A trama toca em um tema sério, que é a compra ilegal de crianças e o tráfico infantil. Como você enxerga a importância de trazer esse assunto para a televisão?

A televisão tem um alcance enorme, então quando a gente aborda temas como esse, abre espaço para conversa, reflexão e até denúncia. É desconfortável, mas necessário. Muitas vezes essas histórias existem mais perto do que a gente imagina, e dar visibilidade é um primeiro passo importante.

Barbara Reis — Foto: Marcio Farias
Barbara Reis — Foto: Marcio Farias

A maternidade é um ponto central na história da Lena. Como você enxerga esse tema hoje? A personagem mudou de alguma forma a sua visão sobre o desejo de ser mãe?

A Lena me fez enxergar a maternidade com mais profundidade e menos romantização. Hoje vejo como é um tema complexo e muito individual. Não é só desejo, envolve contexto, corpo e emoções. Foi um mergulho que me deixou mais sensível e mais aberta a diferentes formas de viver ou não essa experiência.

Existe vontade de viver a maternidade na vida pessoal?

Existe vontade, mas sem pressa e sem idealização. Hoje me permito olhar para isso com mais calma, respeitando meu tempo e minhas escolhas.

Você contou que descobriu o lipedema em 2025. Como foi esse diagnóstico?

Descobrir o lipedema em 2025 foi um misto de alívio e susto. Alívio por finalmente entender sensações que eu carregava há muito tempo, como dor, inchaço e sensação de peso, e que eu não sabia explicar. E susto por ser uma condição crônica, que exige cuidado contínuo. Hoje olho para trás com mais acolhimento com o meu corpo.

Receber esse diagnóstico mexeu com a sua autoestima em algum momento?

Mexeu, sim. É inevitável. A gente cresce com muitas referências de corpo, e quando algo foge disso, precisa ressignificar muita coisa. Mas também foi um processo de reconexão comigo mesma, de entender que meu corpo não é só estética, é saúde, é história.

Quais mudanças você precisou fazer na rotina depois disso?

As mudanças vieram muito pela escuta. Passei a prestar mais atenção no meu corpo, na alimentação e no descanso. Incluí hábitos que ajudam na circulação e no cuidado geral. Não foi algo radical, mas uma construção diária.

Barbara Reis — Foto: Marcio Farias
Barbara Reis — Foto: Marcio Farias

Como está sendo o tratamento hoje e o que já percebeu de diferença no seu corpo?

O tratamento tem sido um processo contínuo, com altos e baixos. Já percebo melhora na disposição e no conforto do corpo, principalmente nas dores. Mas é algo que exige constância e paciência.

Você completa 15 anos de carreira este ano. Quais foram os maiores desafios dessa trajetória?

Completar 15 anos de carreira me faz olhar para trás com muito respeito pela minha trajetória. Um dos maiores desafios sempre foi lidar com a instabilidade da profissão, os intervalos, os “nãos”, as incertezas. Ao mesmo tempo, foi um caminho de muita construção interna e de entendimento sobre quem eu sou dentro e fora do trabalho.

Em algum momento pensou em desistir ou mudar de caminho?

Nunca pensei em desistir. Mesmo nos momentos mais desafiadores, sempre existiu uma certeza muito forte dentro de mim de que era isso que eu queria fazer. Já questionei caminhos e formatos, mas nunca a escolha de estar nessa profissão. É algo que faz muito sentido pra mim.

Com o fim da novela, o que vem pela frente?

Agora sigo em um momento de transição, fechando esse ciclo com calma e já me envolvendo em novos projetos. Continuo na produção do projeto teatral Limítrofe, que encerrou mais uma temporada, e é um trabalho muito especial por abordar saúde mental, por isso voltaremos aos palcos em setembro dentro da campanha do Setembro Amarelo. Em outubro, estreio no teatro com um novo projeto, Nós Que Nos Devoramos. Dessa vez, além da produção, também estou em cena como atriz. A peça chega aos Paços Cariocas, e estou muito animada com esse novo momento.

Beleza: Vivi Gonzo/Styling: André de Moraes

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