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Adriane Galisteu entrou na televisão aos 9 anos e, desde então, nunca saiu de cena. Em mais de quatro décadas sob os holofotes, aprendeu que autocuidado não é vaidade. "A minha rotina vai do dedão do pé até o fio do cabelo", ela resume, sem cerimônia. Do skincare religioso aos produtos que cabem numa agenda lotada, a apresentadora construiu uma relação com o próprio corpo que vai muito além da aparência.

A pressão estética sempre esteve no horizonte, mas Adriane aprendeu a não se curvar a ela. "Tem muita gente que fala: ´nossa, mas tá magra demais. E eu gosto de mim, gosto da imagem que vejo no espelho", diz. Para ela, o caminho para todas as mulheres passa pela mesma direção: esquecer os padrões e construir uma relação honesta com o próprio reflexo.

À frente do reality A Fazenda há seis anos, Adriane também lançou em novembro de 2025 o documentário Meu Ayrton (HBO Max), onde narra sua história de amor com Ayrton Senna, focando nos últimos dois anos de vida do piloto. Recontar a história do ex-namorado não foi simples. "Nunca pensei que eu fosse mexer nessa história toda de novo, porque não é só mexer na história do Ayrton e de uma menina de 19 anos, é mexer profundamente nas minhas feridas, no que eu estava vivendo naquele momento escondido das câmeras", dispara.

Confira a entrevista abaixo onde a apresentadora ala sobre autocuidado, carreira, reality show e maturidade.

Você é a nova embaixadora da linha de cuidados pessoais da Elgin, que inclui escovas secadoras, pranchas e secadores de cabelo. Como o autocuidado faz parte da sua rotina?

A minha a minha rotina é corrida, então o eu preciso de produtos e equipamentos que ajudem a facilitar o meu dia a dia, né? É importante ter produto de qualidade, que tenha tecnologia, que me ajude a ganhar tempo, a me sentir bem e bonita. A minha rotina de autocuidado, vai do dedão do pé até o fio do cabelo, mas é sempre na corrida, sabe? Então, é fundamental ter uma marca com a gente que colabore para esse dia a dia.

Em algum momento da sua vida você se cobrou demais em relação à aparência? Como lida com isso hoje?

Eu sempre vivi o universo da moda e, de alguma forma, da beleza. Eu comecei com 9 anos de idade na televisão e sempre fiquei atenta a isso. Não preciso que ninguém me cobre, eu me cobro. Eu sou a mulher que gosta de mim do jeito que eu estou, do jeito que eu sou. A gente está vivendo esse momento das redes sociais, onde todo mundo pode dar palpite na vida de todo mundo e faz parte do game. Eu entendo isso. Então tem muita gente que fala: 'nossa, mas tá magra demais'. E eu gosto de mim, gosto da imagem que eu vejo no espelho e eu acho que esse é o caminho para todas nós mulheres. A gente tem que esquecer qualquer forma de padrão. Eu adoraria que todas as mulheres brasileiras pudessem dar esse depoimento, sabe? Que elas se aceitassem. Isso não quer dizer que a gente não possa melhorar sempre, a gente deve melhorar sempre.

Existe algum ritual de beleza ou autocuidado que virou indispensável no seu dia a dia?

Nunca escondi que eu sou uma louca alucinada por cremes. Agora se fala muito em skincare, mas isso é uma coisa que faz parte da minha vida desde que não estava na moda. Eu tomo um banho, na sequência, eu tomo um banho de creme. Isso é todo dia. E aí, para fazer qualquer tipo de maquiagem ou qualquer trabalho antes de eu sair de casa, eu tenho esse processo todo no rosto também. Sempre fui atenta a uma pele bem hidratada e acredito que a hidratação de dentro pra fora funciona. Mas eu tô falando no auge da minha maturidade, no meio da menopausa, por exemplo, que a pele e o cabelo ficam ainda mais secos. Estou num momento em que preciso ter um pouquinho mais de tempo para mim para ter mais cuidado comigo, então, aproveito tudo isso para me tratar bem.

Envelhecer na televisão e sob os holofotes muda a forma como você encara o tempo?

Muda, mas o que mais me faz encarar o tempo é o meu filho crescendo na minha frente. A forma mais clara para mim, que o tempo tá passando e rápido demais, é o Vitório mudando rapidamente na minha frente. Então, me caiu uma ficha incrível quando ele nasceu, porque faz muita diferença de você entender a passagem do tempo com alguém crescendo na sua frente, sabe? A gente tem uma vida corrida e não percebe essa passagem de tempo. Então, hoje eu tenho esse relógio bem perto de mim. Presto muita atenção em cada momento. Sou uma mulher que vive intensamente meu presente, o meu dia. Eu sou desse jeito. Eu gosto de viver cada segundo intensamente.

A televisão e as redes sociais ainda valorizam muito a juventude. Como você vê seu espaço como apresentadora depois dos 50?

Eu não tenho dúvida que isso, especialmente aqui no Brasil, a juventude é mega valorizada e está tudo bem, porém, nada se compara ao tempo de trabalho, nada se compara a maturidade, nada se compara ao exercício do ofício depois de muitos anos.

Estou há muitos anos fazendo o meu trabalho e continuo nessa à frente das câmeras. Mas eu não tô sozinha nessa. Tem uma turma comigo que a gente meio que começou junto na televisão e que está aí mostrando a que veio. A gente está aí firme e forte, a gente não desiste da gente. Eu não largo minha mão.

Lá fora, isso já foi entendido há um tempo, tanto que as campanhas com mulheres acima de 50, 60 e até 70 anos estão em todos os lugares com as grandes marcas do mundo. Aqui a gente tá começando com esse movimento, não faz mal. Não tem problema, eu tenho toda a paciência do mundo, mas tô ali firme e forte segurando essa bandeira com outras mulheres do meu lado. E faço questão de estar em todas as plataformas que eu posso me comunicar. Desde um livro que eu acabei de escrever até todas as plataformas digitais, todas as maneiras que eu tenho de chegar mais perto de outras mulheres, eu faço questão de estar.

Adriane Galisteu — Foto: Reprodução/Instagram
Adriane Galisteu — Foto: Reprodução/Instagram

O doc-reality Barra Invisíveis mostrou um lado mais íntimo da sua vida em duas temporadas. Como foi se expor dessa forma? O projeto vai seguir para um terceiro ano?

Sou uma apaixonada por reality show, né? Já tô seguindo para o meu sexto ano à frente de A Fazenda, mas eu nunca tinha me imaginado vivendo essa experiência como papel principal. Foi um super desafio, mas foi delicioso de experimentar porque eu tô junto da minha família, é, ao mesmo tempo eu aprendi a lidar com uma câmera na minha frente. Acho que a segunda temporada é muito melhor que a primeira. Tomara que tenha a terceira e o quarta, tô pronta e preparada.

A série Meu Ayrton por Adriane Galisteu teve grande repercussão. Como você recebeu o retorno do público?

Meu Ayrton, que é um documentário na HBO Max, é o mais visto dos últimos três anos na plataforma. Eu fiquei muito feliz com o resultado, com sucesso. Não é um reality, mas é biográfico, então também abro o meu coração, minha alma, de uma história super difícil de contar, mas que valeu muito a pena.

Qual foi o momento mais emocionante para você ao assistir à série pronta?

Contar essa história de novo foi muito difícil, mas ao mesmo tempo muito emocionante e me deixou muito mais leve. Bem ou mal isso tudo estava organizado na minha cabeça, cada coisa na sua caixinha. Nunca pensei que eu fosse mexer nessa história toda de novo, porque não é só mexer na história do Ayrton, de uma menina de 19 anos, é mexer profundamente nas minhas feridas, no que eu estava vivendo naquele momento escondido das câmeras, então, eu tive que entrar de novo nesse lugar, que não foi fácil, mas valeu muito a pena.

Sempre que falo isso, eu me emociono porque contar essa história de novo, madura, olhando para mim, eu fiz esse exercício, sabe? Eu, Adriane, hoje com 53 anos, olhando para Adriane de 19 anos. É muito diferente, nunca imaginei que eu fosse passar por isso. Então, o resultado ficou lindo.

Acho que a delicadeza do João Wainer também conta muito para que a história tenha sido contada dessa forma e ficou maravilhoso e eu indico todo mundo para assistir.

Adriane Galisteu — Foto: Reprodução/Instagram
Adriane Galisteu — Foto: Reprodução/Instagram

Existe a possibilidade de uma nova temporada ou novos desdobramentos desse projeto?

Quem me conhece sabe que eu sou pronta para novos desafios, eu tô sempre preparada para novidades, adoro encarar tudo isso, faz parte um pouco da minha personalidade, da minha história profissional. Por enquanto, a gente tá pensando, propostas não faltaram, estamos estudando alguma coisa, mas eu acho que esse assunto tá bem contado no documentário, no meu livro.

O que o público pode esperar de você nos próximos meses?

Estou sempre aberta para novidades. Esse ano tem A Fazenda chegando em setembro, que vai até dezembro, e eu já estou me preparando para isso.

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