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São 17h de uma segunda-feira quando Giulia Marinho Kennedy surge, sorridente, na tela do meu computador, com um look de academia. Em sua mesa, ela me conta, é possível ver de um lado o roteiro de um filme e do outro, um planner de casamento. Na sala, está um violão, é claro. Não é exagero dizer que 2026, definitivamente, é o ano de Giulia Be.

A carioca de 26 anos tem tantos compromissos na agenda que conseguir uma hora para esta entrevista pareceu um milagre, mas os astros estavam ao nosso favor. "Cada assunto me propõe um escape diferente. Está sendo uma loucura, mas eu gosto. Se minha vida fosse muito pacata, eu não estaria tão feliz", analisa.

É neste ano que ela lança o maior projeto de sua carreira musical, o álbum “GIULIA BE”, seu segundo de estúdio. Uma obra audiovisual com 21 faixas em três idiomas, acompanhadas de videoclipes com enredos que se conectam. Giulia desenvolveu três personas para interpretar suas canções em inglês, português e espanhol – cada idioma mostra uma faceta das vivências da cantora, que explora temas como vida adulta, amadurecimento, amor e vulnerabilidade.

“Eu sentia que tinham várias Giulias dentro do meu cérebro, cada uma falando um idioma. A Giulia em inglês é confiante, porque quem passou pelos traumas foi a Giulia em português. Ela é mais adulta, centrada, objetiva, que é o que aconteceu quando me mudei para os Estados Unidos e me apaixonei por um gringo. A minha versão brasileira é mais coração, porque tem mais vivência, é a minha história. Já a versão em espanhol vai para um lado mais caliente da minha personalidade, sem papas na língua e que não necessariamente quer agradar a todos, não tem medo de se divertir”, explica, em entrevista para a capa da Glamour Abril.

Na vida pessoal, a menina não é mais solta: ela celebra a união com o advogado John Conor Kennedy, com quem namora desde 2022. No início de março, casaram no civil em Los Angeles, nos Estados Unidos, na presença dos familiares. "Queríamos um momento nosso antes de fazer uma festa para tanta gente, mas ainda não nos consideramos casados". Giulia explica que, religiosos, ambos estão esperando a cerimônia marcada para 10 de outubro na Igreja Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, no Rio de Janeiro, para virar a chave.

Na conversa a seguir, ela entrega detalhes sobre o momento especial da vida e da carreira:

Na sua última capa da Glamour, em 2023, você usava apenas Giulia como nome artístico, mas voltou a assinar como Giulia Be, por que?

Decidi voltar atrás nessa decisão no sentido de que Giulia Be representa uma parte muito grande de mim. A partir do momento que eu era só Giulia, ficou um pouco confuso porque esse é meu nome na minha vida pessoal também. É muito positivo ter esse momento no qual eu viro a chavinha, mudo o arquétipo e sei qual é a parte de mim que estou doando para pessoas. Agora que casei, não queria ter um sobrenome atrelado que não representasse tudo o que já construí sozinha.

“GIULIA BE” é o seu novo álbum composto em três idiomas. São 21 músicas, cada uma com seu próprio videoclipe. O que esse projeto representa para você?

Esse é o maior projeto da minha vida, o que estou esperando para fazer desde que me entendo por gente. Nunca tinha tido a oportunidade de cantar nesses três idiomas com tanta fluidez. Foi muito interessante conseguir identificar quem eu era como compositora em cada uma dessas línguas. Este álbum não tem um fio sonoro, mas cada uma das "personas" tem uma musicalidade que conversa com o mercado que ela se propõe estar. Eu queria que meu público soubesse que mesmo essas personalidades sendo tão diferentes, no fim das contas tudo ainda sou eu. Eu só canto porque escrevo, se eu não o fizesse não faria sentido cantar, seria vazio. O fio conector entre todas essas músicas é que são todas as minhas histórias. Isso é muito poderoso.

Quem são essas três versões de você trabalhadas neste projeto?

Elas sempre existiram dentro de mim, eu realmente sentia que tinham várias Giulias dentro do meu cérebro, cada uma falando um idioma. Isso é interessante, a gente nunca consegue ser exatamente a mesma pessoa em todas essas línguas, cada uma vai trazendo algo de diferente da personalidade. A Giulia em inglês é confiante, porque quem passou pelos traumas foi a Giulia em português. Ela é mais adulta, centrada, objetiva, que é o que aconteceu quando me mudei para os Esta - dos Unidos e me apaixonei por um gringo. A minha versão brasileira é mais coração, porque tem mais vivência, é a minha história. Já a versão em espanhol vai para um lado mais caliente da minha personalidade, sem papas na língua e que não necessariamente quer agradar a todos, não tem medo de se divertir.

Giulia Be em ensaio para a capa da Glamour Abril — Foto: Glamour
Giulia Be em ensaio para a capa da Glamour Abril — Foto: Glamour

Hoje, as produções musicais estão muito pautadas na viralização nas redes sociais. Como você avalia este cenário na hora de criar?

É difícil, não vou mentir. As redes sociais, a aceleração do TikTok, a maneira como as coisas são consumidas tão rapidamente e as pessoas não têm mais atenção — é difícil de navegar. Muitas vezes, estou tentando alcançar o coração da pessoa e tenho só 15 segundos para conseguir. Tento não lutar contra o zeitgeist, é um momento. Nós, como artistas, precisamos nos adaptar para continuarmos relevantes. Tento fazer isso de uma forma que faça sentido para mim, sem abrir mão da minha essência e do que acredito enquanto artista.

Como é a sua relação com números, seja de streams ou de seguidores e views nas redes sociais?

Para ser sincera, não presto muita atenção. Claro que números são maravilhosos, mas tem tanta coisa na vida que não é pautada por isso. Quero ser uma artista que cria coisas atemporais, que talvez demore alguns anos para as pessoas descobrirem, mas que elas cheguem lá. O importante é que aquela música conecte com alguém num nível profundo. Os números vêm, os números vão, o que fica são as memórias e as pessoas que estão lá para te apoiar. Menina Solta é uma música que lancei há muitos anos e até hoje ela é muito escutada diariamente. Não veio e passou. Espero que esteja em máquinas de karaokê daqui a 20 anos.

Você vai voltar para o cinema em "As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você". Como se preparou para viver a Julia e como foi a troca com a Any Gabrielly?

Foi muito intensa. Fizemos a preparação com a Fátima Toledo, que é uma gênia e soube nos conduzir muito bem. A Julia é uma personagem muito feliz e, mesmo após a morte, é cheia de vida, isso é algo que curti o filme inteiro. Esse é um papel que nunca vou esquecer e me ensinou muita coisa. Ela tem 17 anos, adora sair, beber, curtir e eu até entrei de penetra em uma festa para fazer uma pesquisa para vivê-la (risos). É raro vermos um filme sobre amizade como esse, é uma história muito linda. A Any, eu amo, sou suspeita para falar, ela se doou muito para viver essa personagem. Ainda foi uma honra ter escrito uma música para o filme, "Te Olhando Daqui".

Para onde você vai quando precisa dar uma pausa?

Para o piano, para o violão, para o meu jardim na frente do Buda, para os braços do meu amor e da minha mãe. São meu top 5 polos de paz, com certeza.

Giulia Be em ensaio para a capa da Glamour Abril — Foto: Glamour
Giulia Be em ensaio para a capa da Glamour Abril — Foto: Glamour

Qual é o maior desafio de amadurecer sob os olhos e julgamentos do público?

Aos 20 anos, eu me agarrava às oportunidades de uma maneira que nem parava para pensar na repercussão que poderia ter no meu desenvolvimento enquanto pessoa e enquanto artista. Hoje, consigo olhar para trás e ser mais carinhosa comigo mesma, na época eu era muito dura. Fico pensando em tudo o que passei, todo esse julgamento, os haters no Twitter… Eu colocava uma máscara de “eu sou forte, isso não me afeta”, quando obviamente afetava. Isso criou até certas travas nas redes sociais, sobre quais partes da minha vida quero expor. Vejo que é uma sequela. De certa forma, isso me tornou uma pessoa mais privada. Olho para aquela menina com muito orgulho, quero aprender com ela. Eu não tinha dimensão do que eu estava vivendo, meu sucesso foi rápido. Foram aprendizados que me trouxeram até aqui e me tornaram a artista que sou hoje. Me sinto grata por qualquer pessoa que continue me acompanhando nessa jornada, até pelos haters, fiz as minhas pazes com eles. Pode falar, tá ótimo.

Você está oficialmente casada desde o início de março. Como está a vida a dois, mudou alguma coisa?

A gente fez um casamento super íntimo, só a gente e nossas famílias, foi lindo e especial. Queríamos um momento nosso antes de fazer uma festa para tanta gente. Mas ainda não nos consideramos casados. O Conor disse: "Eu prefiro a palavra fiancé, vou usá-la até o dia que eu não puder mais". Nós dois somos católicos, então até fazer o ritual do casamento diante dos olhos de Deus, sacramentar isso na igreja, não está fechado 100%. Tecnicamente eu sou, mas ainda não me sinto casada.

Como está o planejamento para o grande dia do casamento religioso?

Estou muito animada, agora finalmente no modo noiva. Já sei várias coisas do casamento, estou organizando detalhes. Tenho a minha "momager" que cuida de todas as partes que eu não estou tão a fim de fazer. Por exemplo, eu ligo muito para o vídeo, para a foto, para como as imagens vão transparecer, se vai ter um olhar vintage, essas coisas que são do mundo mais artístico. Já a minha mãe toca uma parte muito mais operacional, quantos bares a gente vai ter, como vai ser a decoração de cada mesa… Estamos fazendo muito bem a divisão das coisas. É muito legal planejar um casamento, pode ser estressante, mas estou tentando não me levar muito a sério nesse lugar. As pessoas colocam muita pressão. Foi ótimo que fiquei noiva por um bom tempo, porque a filosofia que eu tinha em relação ao meu casamento quando fiquei noiva versus agora, é outra.

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