O prazo de validade do Labubu já expirou?
A colunista Carla Lemos fala sobre o monstrinho 'feio-fofo' que virou a tendência mais bombada do TikTok em 2025
Pelo amor de Deus, até quando a gente vai ver todo mundo falando de Labubu? Em todas as timelines, não se fala de outra coisa. O monstrinho da vez. Feio e fofo? Só feio? Só fofo? Essa é a mais nova obsessão da geração TikTok, que transformou esse toy art de pelúcia no acessório de luxo mais desejado (e odiado?) do momento.
O Labubu virou símbolo fashion em 2024, quando começou a aparecer pendurado nas bolsas grifadas de celebridades e influencers globais, como Rihanna e Lisa, do Blackpink. Em 2025, já virou item viral — seja como desejo ou repulsa.
Confesso que até acho ele fofo (sim, gosto de umas coisas meio esquisitas). Mas o grande trunfo do Labubu é exatamente esse: ele provoca reações contraditórias. Ame ou odeie. Eu tenho, você não tem. Um emblema de pertencimento pra quem é cronicamente online.
Criado em 2019 por Kasing Lung, artista de Hong Kong com referências da mitologia nórdica (sim, ele cresceu na Noruega), o Labubu fazia parte de uma das várias linhas vendidas pela Pop Mart, marca chinesa de blind box colecionáveis. Mas foi só com a febre dos vídeos de unboxing no TikTok que ele explodiu como tendência global. Hoje são mais de 1,4 milhão de vídeos com a hashtag #labubu só na plataforma.
O hype não é só sobre o bonequinho, mas sobre o ritual de abrir a caixinha misteriosa. Você compra sem saber qual versão veio, tipo um Kinder Ovo, e torce por uma edição rara. Por exemplo, tem as colabs hypadas ou o “Labubu especial” de cada coleção, com chance de 1 em 72 de encontrar.
Mas por que esse chaveiro peludo virou o novo “it-bag” da gen Z? Porque ele é tudo o que um bom acessório de moda precisa ser em 2025: fofo, caro, esquisito e instagramável. E, principalmente, um marcador de identidade.
Com todo mundo usando os mesmos uniformes de moda (jeans largos, jaqueta bomber, camiseta branca), o Labubu virou um símbolo de diferenciação. E mais: ele se conecta com uma microtendência cada vez mais forte nas redes: a de usar os itens que estariam dentro da bolsa do lado de fora.
Dá pra traçar uma linha direta entre a febre do Labubu e o viral da Hailey Bieber com sua capinha de celular acoplada ao balm da Rhode (a marca recém-vendida por 1 bilhão de dólares). A lógica é a mesma: exibir os pequenos desejos. Mostrar os “essenciais”. Sinalizar afeto, cuidado, gosto… Mesmo que no formato de um monstrinho peludo.
E olha só que curioso: esses penduricalhos têm uma ancestral fashion de peso, os chatelaines do século 18. Eram verdadeiros cintos de utilidades usados por mulheres antes da invenção da bolsa: ali ficavam pendurados chaves, tesourinhas, agulhas, tudo o que elas precisassem ao sair de casa. Ou seja, tem uma linhagem aí.
Mas a pergunta segue: até quando o hype do Labubu vai durar? Os sinais de saturação já apareceram. O Labubu já furou a bolha. Já tem Lafufu (a versão pirata do monstrinho) pipocando no camelô, no Mercado Livre, na Shopee. E convenhamos: quem vai autenticar um chaveiro de pelúcia? Mesmo com filas homéricas em lançamentos internacionais e revendas por preços astronômicos, o ciclo da tendência acelera. Ainda mais quando a moda vira meme.
E o mercado já especula: o Labubu é o novo indicador de recessão? Parece piada, mas não é. O velho “lipstick index” (a teoria de que, em tempos de crise, aumentam as vendas de pequenos luxos) pode ter encontrado sua versão 2025.
Mas será que o Labubu vai resistir? Vai se tornar um ícone atemporal dos acessórios ou vai ser mais uma microtendência do TikTok que vai parecer cringe antes mesmo de 2026 chegar?
Bom… A próxima blind box dirá.









