Pucci Girl Summer: por que a estampa psicodélica é a cara da temporada
Depois de tanto minimalismo, tons neutros e terrosos, vem aí uma tendência que é exatamente o oposto
Estampas coloridas, vibrantes, psicodélicas — que prometem invadir o nosso verão com energia de festa, sol e alegria. Mas, antes de pensar “lá vem mais uma lista de tendências”, vale lembrar: moda não é só sobre o que vestir. Cada peça e cor carrega histórias, desejos coletivos e até reflexos de um tempo. E essa estética psicodélica não escapa disso.
A febre começou no verão europeu, ganhou força com influencers — de Hailey Bieber à uma viagem da marca com influenciadoras pra Capri — e se tornou uma das trends mais virais do TikTok. No Pinterest, as buscas por estética psicodélica, anos 1970 e roupas vibrantes dispararam. O timing faz sentido: depois de anos de roupas calmas, discretas, a moda pede de volta uma dose de diversão.
E poucas marcas traduzem diversão tão bem quanto a Pucci. A energia alegre, festiva e despreocupada das estampas parece encapsular aquele mood de drinks à beira-mar. Curioso é lembrar que essa fantasia de verão nasceu… na neve.
Emilio Pucci era um marquês italiano e esquiador olímpico que, no fim dos anos 40, desenhou um look colorido para uma amiga numa estação de ski. Uma editora de moda viu, se apaixonou e pediu peças para um editorial. Dali nasceu o “Príncipe das Estampas”.
O timing não podia ser mais certeiro: era o pós-guerra, o mundo queria mais cor, mais leveza, mais liberdade. E as criações de Pucci, inspiradas nas paisagens do litoral italiano e em movimentos como o futurismo e o surrealismo, capturavam exatamente esse desejo coletivo.
Não à toa, a Itália é mestra em criar identidades estampadas: a psicodelia da Pucci, os zigue-zagues da Missoni, o barroco exuberante da Versace. Todas com uma assinatura visual tão forte que a gente reconhece de longe.
Nos anos 50 e 60, a Pucci conquistou os maiores ícones da época: Marilyn Monroe, Sophia Loren, Jackie Kennedy. Era a roupa da mulher cosmopolita, que viajava, queria conforto mas não abria mão do glamour. Emilio foi pioneiro em tecidos inovadores, como sedas elásticas que não amassavam — perfeitas para quem estava sempre em movimento. Nos anos 70, as estampas explodiram de vez, virando símbolo de estilo da década.
Depois de altos e baixos, em 2021 a LVMH chamou Camille Miceli para assumir a direção criativa. Detalhe: ela não tem formação em moda, mas é uma das poucas mulheres a liderar uma grande casa de luxo. Sua leitura foi precisa: a força da Pucci não está na alta-costura séria, mas no lifestyle, nessa fantasia de verão mediterrâneo.
O resultado? A marca cresceu mais de 80% em buscas e mais de 50% em vendas no último ano. E a gen Z abraçou sem hesitar: garimpou peças vintage em brechós, viralizou no TikTok e transformou Pucci em aesthetic de desejo.
No fim, essa tendência não é só sobre luxo italiano — mas sobre uma energia que tem tudo a ver com a gente: vibrante, festiva, solar.









