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Moda
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O efeito Bianca Censori no Grammy Awards 2025 pede cautela ou o conservadorismo na moda foi longe demais? Desde que o novo dress code do Festival de Cannes furou a bolha de convidados, esses questionamentos pipocaram em posts sobre as proibições de vestimenta no tapete vermelho, sendo a da nudez com maior repercussão.

A falta de detalhes sobre o que seria considerado "nudez" só apimentou a discussão e colocou até looks transparentes em risco. “Por razões de decência, a nudez é proibida no tapete vermelho, bem como em qualquer outra área do Festival”, limitou-se o comunicado disponível no site do festival, que também proíbe looks volumosos por conta do “fluxo adequado dos convidados e a acomodação dos assentos no teatro.”

Marina Ruy Barbosa — Foto: Getty Images
Marina Ruy Barbosa — Foto: Getty Images

De volta às hipóteses sobre o intuito da atualização do dress code, tanto a cautela para evitar que a banalização do nu ganhe holofote quanto a teoria do avanço do puritanismo na moda revelam uma tentativa de controle do corpo alheio. É a retirada de um direito individual de vestir-se com a justificativa do “bem-estar” coletivo.

No entanto, o passado recente do festival mostra que essa preocupação com os convidados não era tão igualitária assim. Na última edição, era para a cantora e atriz Kelly Rowland ser clicada no tapete vermelho do festival, quando o que marcou sua passagem foi os seguranças retirando a estrela às pressas do local com a justificativa, novamente, que o todo precisava fluir. "Eu tenho um limite, e eu o respeito, e é isso. Havia outras mulheres que estavam naquele tapete que não se pareciam muito comigo, e elas não foram repreendidas, empurradas ou mandadas embora”, disse Kelly à Associated Press após o episódio.

Expert em leitura labial revela o que Kelly Rowland realmente disse em confusão no red carpet — Foto: Reprodução/Instagram
Expert em leitura labial revela o que Kelly Rowland realmente disse em confusão no red carpet — Foto: Reprodução/Instagram

Incômodo como forma de resistência

A coleção couture de inverno 2019 de Jean Paul Gaultier com a icônica estampa “free the nipple”, ecoada pelo movimento feminista em protestos, e a cauda com as cores da bandeira da Palestina do vestido de Cate Blanchett no Festival de Cannes de 2024 nos lembram que looks têm ligação direta com o mundo. O barulho que certos códigos de vestimentas ecoam são justificados por acordos históricos firmados pela sociedade com instituições tradicionais, como o catolicismo, e o espectro político em ascensão.

Cate Blanchett no Festival de Cannes em 2024 — Foto: Getty Images
Cate Blanchett no Festival de Cannes em 2024 — Foto: Getty Images

E, com certeza, não é de hoje que a quebra desses acordos vem sendo feita e gerando incômodo. De Marilyn Monroe de Jean Louis em 1962, passando por Cher a bordo de um look de Bob Mac Mackie no Met Gala 1974 à Rihanna de Adam Selman no CFDA de 2014, a transparência tem sido alocada como uma ferramenta de poder na mão de mulheres que, de certa forma, questionam o que é esperado delas.

Rihanna no CFDA Awards 2015 — Foto: Getty Images
Rihanna no CFDA Awards 2015 — Foto: Getty Images

As interpretações que são criadas a partir dessas escolhas geram as mais diversas reações. Logo, coibir o uso da nudez ou dos caminhos que remetem a ela, é fechar espaço para conversas que vão nos levar a outra patamar de relação com o próprio corpo. Assim como palpitar no quão evasê será uma saia ou se o vestido pode ou não ter cauda, é mais sobre limitar como a moda pode ser usada como instrumento de expressão do que pensar no vai e vem das pessoas.

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