Loading beleza & estilo

Preparing Beleza Estilo information...

Moda
Publicidade

Anote este nome: Karoline Vitto. Nascida em Caçador, Santa Catarina, a designer baseada em Londres, é uma das novas referências quando o assunto é a democratização da moda com a marca de roupas que leva o seu nome. Com desfiles nas semanas de moda de Milão e Londres, inaugurou recentemente e-commerce em território nacional. "Buscamos levar peças que são ícones da marca, que funcionaram muito bem no mercado exterior, mas adaptadas para o público brasileiro", disse em entrevista exclusiva à Glamour Brasil diretamente do ateliê, na Inglaterra. "Os tecidos são mais leves e nos preocupamos com aspectos sustentáveis". A grade de tamanhos vai do PP ao 3G ou do 36 ao 52.

Criação de Karoline Vitto disponível no e-commerce brasileiro — Foto: Bruno Barreto/Divulgação
Criação de Karoline Vitto disponível no e-commerce brasileiro — Foto: Bruno Barreto/Divulgação

Integrante do calendário oficial da semana de moda de Londres, Karoline antecipou o que vai mostrar na passarela, em setembro. E deu um spoiler: algumas das peças vendidas no Brasil, serão vistas na apresentação da marca, que vestiu Camila Pitanga no Festival de Cannes. Confira a entrevista na íntegra:

Glamour Brasil: Como é o processo de produção para a coleção do Brasil? Tudo é feito por aqui?
Karoline Vitto:
Sim, tudo o que vendemos no Brasil é feito no país. Eu me orgulho muito da matéria-prima brasileira, tanto que estamos começando a vender os mesmos produtos, em Londres. Para mim, é muito importante também o movimento de exportação, produzir no Brasil e mostrar por aqui. A logística é bem maior quando se fala em estrutura porque fazemos tudo do ateliê. No Brasil, os processos são tercerizados. São pequenas diferenças que deixam a operação um pouco maior em relação a estrutura do Brasil do que por aqui. Por exemplo: em Londres, trabalhamos com experimentação em um vai e volta com produtos mais complexos. Isso alterou a forma como trabalhamos. Para o Brasil, desenvolvemos as peças na Inglaterra, enviavamos para o país, sendo re-desenvolvidas para o público brasileiro com matérias-primas que fazem mais sentido, até mesmo por conta do clima e dos corpos.

Quais são as diferenças entre as coleções do Brasil e as de Londres?
Para o Brasil, buscamos levar peças que são ícones da marca, que funcionaram muito bem no mercado exterior, mas adaptadas para o público brasileiro. Os tecidos são mais leves. Nos preocupamos com aspectos sustentáveis. Nessa coleção, por exemplo, utilizamos o jeans que não passa pelo processo de lavagem. Ele utiliza 75% menos de água no processo produtivo. Tivemos o cuidado de tentar trazer um impacto ambiental menor possível, já que a indústria textil é uma das mais poluentes do mundo. As viscoses são trabalhadas com banho circular, em que tingimos vários lotes de tecido no mesmo banho para um processo mais benéfico, com menos impacto do que o processo tradicional. Pensamos em pequenas alternativas para a coleção do Brasil. Além disso, as peças contam com diversos detalhes ajustáveis. Tivemos esse cuidado para que as pessoas que compram na loja multimarcas ou pelo e-commerce pudessem ajustar a peça no próprio corpo. Por exemplo, as calças têm alças, como se fossem de sutiã, para ajustar a cintura ou a bainha da calça para que fique mais larga ou mais fechada. Elásticos também foram colocados na lateral da peça para serem ajustados ao peito. São pequenos pontos para que a peça tenha um bom caimento no corpo.

Você pretende ir além do e-commerce no Brasil, quem sabe inagurar loja física?
Espero que sim, espero poder abrir o espaço no Brasil. A experiência de provar peças é incrível, quando as pessoas provam, elas realmente se enxergam nas peças. Temos conversas incríveis com clientes que vem aqui, provam e já sabem. Essa experiência direta com a consumidora, quero fazer em um futuro próximo. Além do site, inauguramos também um Instagram focado ao público brasileiro, escrito em português para facilitar a nossa comunicação. Nossas peças também podem ser encontradas na Pinga, loja multimarcas.

Como vai ser o desfile na semana de moda de Londres?
Com o apoio do British Fashion Council (BFC), estamos planejando as próximas ações da marca nas duas temporadas. Eles nos dão um apoio por um ano, então seria a temporada de setembro e fevereiro. Vamos dar continuidade à coleção que apresentamos anteriormente, mostrando também as peças feitas no Brasil na London Fashion Week. Então, esperem que terão muitas peças feitas no Brasil mostradas por aqui.

Vestido moldura, um dos hits de Karoline Vitto — Foto: Ana Flores/Divulgação
Vestido moldura, um dos hits de Karoline Vitto — Foto: Ana Flores/Divulgação

A marca é conhecida por abraçar diversos corpos. Quais são as dificuldades que enfrenta para seguir com esse propósito?
Sobre os tamanhos, as dificuldades que enfrento são práticas: não é uma tarefa simples. Quando a marca aumenta a grade de tamanhos, cria-se uma variante de produtos, criam diversas vírgulas em uma frase. Cada variante que críamos, você acaba atrasando, entre aspas, o processo já estabelecido da indústria. Acredito que seja por isso que muitas marcas acabam optando por não aumentar a grade de tamanhos devido ao processo mais demorado e complexo. Existem muitas questões envolvidas em aumentar o tamanho. Não é apenas usar mais tecido, como muitas pessoas pensam que é. Falam que as marcas não querem porque se usa mais tecido, ficando mais caro para desenvolver. Isso é só 5% dos fatores. Quando desenvolve tamanhos maiores, tem que pensar na grade. Tem que pensar como a graduação vai ser feita para cada peça, os intervalos dessas grades vão variar de um tamanho para o outro. Não é simples. Fomos encontrando soluções aos poucos e há itens que não conseguimos solucionar. Continuamos pesquisando e buscando desenvolver. A palavra inclusiva é um pouco traiçoeira, sabe? Porque você só consegue dizer que a marca é realmente inclusiva se ela atende todos os tamanhos. Atendemos mais tamanhos do que a maioria, porém não conseguimos atender a todos. Seria incrível, mas é um projeto ambicioso e que exige um investimento enorme em desenvolvimento, pesquisa e, principalmente, modelagem e caimento das peças.

Você acredita que a moda abraçou a diversidade ou é a tendência do momento?
A minha opinião varia. Às vezes, estou otimista. Às vezes, pessimista. Tudo o que é relacionado ao controle do corpo da mulher aparece com alguma outra tendência de consumo. São muitas tendências interligadas, outros produtos que estão em volta que não apenas englobam a moda, mas outras indústrias, como a farmacêutica. Essa pergunta não é tão fácil de responder, pois é um fenômeno cultural. Nós, enquanto designers e criadores, fazemos parte disso. A conversa é cultural: a gente escolhe como responder, se é se adequando ou confontrando. São as únicas respostas possíveis. Então, vemos muitas marcas se adequando às novas realidades ou retornando às realidades que já eram presentes no passado. Algumas confontram, e isso vai acontecer sempre. Seja qual for o padrão de beleza vigente em um determinado período, sempre haverá os dois lados. Atualmente, como vemos a marca, a diversidade de tamanhos é parte do nosso DNA e não uma bandeira. Não é uma bandeira que vamos levantar sempre, sabe? Porque ela faz parte de quem somos e isso está incluído em nosso universo através do processo de design. Para mim seria estranho desenvolver uma criação que só tivesse P, M e G. Meu trabalho não é assim. Estamos passando por uma onda mais conversadora seja cultural ou política em diversos aspectos. A moda é apenas uma resposta. É um reflexo disso e eu espero que mais marcas possam ter voz própria, que possam mostrar uma alternativa a isso. Como moda, vínhamos construíndo novas e diferentes propostas ao longo dos últimos anos e, parece, que nas últimas temporadas apareceram mais tímidas. Espero que a gente ainda consiga lutar contra elas.

Mais recente Próxima Vestidos de cintura baixa estão em todo o seu feed por esse motivo

Mais lidas

Mais de Glamour