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Kim Kardashian usou as redes sociais para mostrar que conseguiu mais um vintage para o seu closet desejado, através de um carrossel de imagens, nesta quarta-feira (23.07). E não é apenas uma peça antiga; é um dos looks mais icônicos de Thierry Mugler.

Kim Kardashian — Foto: Instagram
Kim Kardashian — Foto: Instagram

Nos cliques, a empresária estadunidense mostrou os detalhes da peça assinado pelo designer francês, roupa em que precisou de ajuda para ser vestida, por conta do corset apertado, causando polêmica nas redes sociais. "Cadê os órgãos dela?", questionou um seguidor. "Me desculpa, mas isso é uma beleza irrealista", analisou outra. "Arrasou, diva, porém como você está respirando?", perguntou uma mulher. Até o momento, a postagem conta com quase 6 mil comentários.

Aliás, o uso da peça apertada faz parte das escolhas de Kim. "Nunca senti tanta dor." Kim Kardashian explicou assim a sensação de usar o espartilho que deixou sua cintura extremamente fina Met Gala do ano passado. A peça, assinada por John Galliano quando era diretor criativo da Maison Margiela, compunha o vestido prateado, que combinado com cardigã cinza, deixou marcas no corpo da empresária. "Era como se eu realmente não conseguisse respirar", relatou em uma das cenas da sexta temporada de The Kardashians, reality show que acompanha a vida da família.

Se valeu a pena sustentar o look? "Com certeza absoluta! É assim que eu sou: se ficou bonito, valeu a pena!", explicou ela. O resultado é que a passagem de Kim pelo tapete vermelho do evento ainda gera assunto, quase dois anos depois.

Kim Kardashian — Foto: Instagram
Kim Kardashian — Foto: Instagram

"Nas décadas de 1940 e 1950, já existia a cultura das celebridades de cinema e teatro, mas elas não faziam parte do cotidiano do público. A vida não era exposta. Com o individualismo das redes sociais, elas se tornaram um produto de si mesmas. A Kim sempre representou essa mulher que faz sacrifícios em nome da beleza com maquiagens, cirurgias plásticas, procedimentos, dietas, treinos, espartilhos", analisa a historiadora de moda Pauline Kisner.

Para cruzar o red carpet, há contratos entre as marcas de alta-costura e prêt-à-porter com os empresários das famosas. "É um investimento que as grifes e os estilistas fazem, uma relação comercial. É aquele ditado: 'Falem mal, mas falem de mim'. Pode ser um vestido mais estruturado, como Dior, por exemplo, ou um saco de lixo da Balenciaga. Todos querem o buzz."

A briga pela estatueta de Melhor Atriz nas premiações cinematográficas não começa após a indicação dos nomes pelas associações. Por trás das possíveis indicadas, há uma equipe que busca aquela produção que vai dar o que falar nos eventos oficiais. Para brigar pelos flashes dos fotógrafos presentes no cercadinho da imprensa, carão é o que não falta.

Agora, junte a atitude da pose com o look que vai viralizar nas redes sociais. Pode ser o vestido de carne crua criado por Franc Fernandez e estilizado por Nicola Formichetti, usado por Lady Gaga no MTV Video Music Awards (VMA) em 2010, ou o vestido que deixava o corpo de Rihanna à mostra no CFDA Awards, em 2014, assinado por Adam Selman, com aplicações de cristais Swarovski.

John Galliano e Kim Kardashian no Met Gala em 2024 — Foto: Getty Images
John Galliano e Kim Kardashian no Met Gala em 2024 — Foto: Getty Images

"É uma competição de peso pesado, são muitas estrelas de grandes quilates nos tapetes vermelhos. Elas precisam ir além do trabalho artístico, precisam chamar atenção pelo visual também. Eu não vejo as roupas restritivas como uma diferenciação social. Elas querem se diferenciar entre elas, como indivíduos dentro do próprio grupo", explica Pauline.

Quem faz isso com maestria é Zendaya. Para promover Homem- Aranha: Sem Volta para Casa (2021), Duna (2021), Duna: Parte 2 (2024) e Rivais (2024), a atriz e o stylist Law Roach seguiram a linha method dressing, em que looks apresentados durante as promoções dos longa-metragens conversam com a história contada nas telonas.

Quem não se lembra da armadura que ela usou para promover a segunda parte de Duna, uma peça vintage assinada por Mugler e datada de 1995? Se ela não conseguia se mexer direito na hora de ser fotografada, pouco importava, afinal a aparição do traje robótico gerou US$ 13,3 milhões em exposição na mídia para grife francesa. Ou seja, um frenesi viral.

Num passado não tão distante, Naomi Campbell foi ao chão durante uma apresentação de Vivianne Westwood por conta do tamanho do salto alto desfilado por ela na coleção batizada de Anglomania, em 1993, um evento canônico comentado até hoje. O drama de Jennifer Lawrence ao cair na escada do Oscar, emocionada para receber a estatueta de Melhor Atriz por O Lado Bom da Vida (2013), também. Parece que foi ontem que ela se espatifou usando um vestido sem mangas com a cintura marcada e saia volumosa de alta-costura da Dior, mas já tem quase 15 anos.

Ainda o Met Gala do ano retrassado, Tyla precisou da ajuda de quatro seguranças para riscar o tapete vermelho do evento que arrecada fundos para o Costume Institute do Metropolitan Museum of Art, em Nova York. Os funcionários levantaram a cantora que não conseguia caminhar por conta da criação de Olivier Rousteing, da Balmain. A peça feita de areia foi uma homenagem às areias do tempo. Confeccionado sob medida e com cauda de organza, contou com três tonalidades distintas de areia, além de ser enfeitado com microcristais. Para aproveitar o jantar, precisou diminuir o comprimento do vestido em uma cena realizada na frente das câmeras, para que viralizasse.

"Na história da indumentária ocidental, a moda se torna 'fútil' só no século 19. Antes, a questão de restrição e imobilidade voltada às mulheres também se aplicava aos homens. Eles usavam gibões, casacos estruturados que estufavam o peito, enquanto elas usavam espartilhos e sapatos com saltos altíssimos, e precisavam da ajuda de criadas para se vestir e andar pelas cidades. A imobilidade era sinônimo de status social para diferenciar a nobreza, a burguesia e o povo", explica a historiadora. Em pleno 2025, a diferenciação é outra: quem causa mais burburinho na internet enquanto gera exposição para marcas que têm essas celebridades como modelos de produto.

* Matéria originalmente publicada na edição de março de Glamour Brasil e atualizada em 23 de julho.

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