Marina Ruy Barbosa: "A moda é uma ferramenta muito poderosa na construção de uma personagem e de uma história"
À Glamour, a atriz revisita suas primeiras memórias ligadas à moda, fala sobre como o vestir acompanha seu trabalho como intérprete e reflete sobre preservação cultural após prestigiar evento da Bvlgari e Pinacoteca
"Valorizar a arte e a expressão artística locais é cuidar de um patrimônio vivo que faz parte da memória coletiva do nosso país". Foi com essa visão que Marina Ruy Barbosa marcou presença no evento que celebrou a parceria entre a Bvlgari e a Pinacoteca de São Paulo, e apresentou ao público as primeiras cinco obras recém-restauradas do acervo, fruto do patrocínio da Maison ao Centro de Conservação e Restauro da instituição.
Em seu discurso, a atriz falou sobre memória, identidade e o compromisso de manter viva a produção artística nacional. Mais tarde, em conversa com a Glamour Brasil, ela aprofundou essa reflexão e compartilhou o sentimento ao ver, de perto, o resultado do processo: “Me emociona ver as obras restauradas, pois isso permite que a história da nossa arte se perpetue.”
As obras reveladas, todas emblemáticas, incluíam: "Em Busca da Luz" (1940), de Maria Martins, uma das escultoras mais importantes do modernismo; "Portadora de Perfume" (1923–1924), de Victor Brecheret, ícone do modernismo ítalo-brasileiro, além de outras três peças selecionadas pelo museu para abrir essa etapa do projeto.
Mas a iniciativa vai além de devolver às esculturas seu esplendor original: ela traz à tona o trabalho prolongado — e frequentemente invisível — dos profissionais que garantem a sobrevivência dessas obras. Para Marina, ter acesso a esse bastidor foi decisivo para entender a profundidade do processo.
“Me tocou também como esse formato proposto pela Bvlgari dá destaque ao trabalho dos conservadores e restauradores da Pina, que são os grandes agentes dessa transformação”, relata. "Ver esses profissionais celebrados e no centro de um grande patrocínio também me fez olhar para o projeto com outros olhos. É um gesto de profundo respeito ao trabalho de preservação que garante que as obras continuem inspirando as gerações do futuro".
À primeira vista, a aproximação entre uma joalheria e um museu de arte pode soar como uma união inesperada — mas, a artista acredita que esses universos conversam há muito tempo. A joalheria, segundo ela, bebe das artes visuais, da simbologia, da narrativa e dos movimentos culturais que atravessam séculos.
E é justamente nesse ponto de encontro que começa outra parte essencial da conversa: a moda, linguagem que acompanha Marina desde a infância e que, no ofício de atriz, se tornou também ferramenta criativa, meio de expressão e extensão da construção de personagens.
"A moda é uma ferramenta muito poderosa na construção de uma personagem e de uma história. Por isso, costumo dizer que ela está presente na minha vida de maneira muito profunda, seja como atriz, como empresária ou como mulher."
Para aprofundar esse diálogo entre arte, moda e expressão pessoal, Marina compartilhou um pouco mais sobre suas referências, sua relação com o vestir e a construção do próprio estilo. Confira a seguir:
Como começou a sua relação com a moda? Para você, o que é moda — e o que o seu jeito de se vestir, hoje, diz sobre quem você é?
A minha paixão pela moda vem desde a minha infância; já estava presente nas minhas primeiras memórias. Acho que é uma relação que foi crescendo e amadurecendo ao longo da minha vida. Minha carreira como atriz também me deu muitas oportunidades de viver o universo da moda de uma outra perspectiva. Ela é parte do processo criativo de uma personagem. Eu pude participar de desfiles, de elaboração de coleções, de editoriais, processos criativos extraordinários… Isso aprofundou toda essa conexão, que hoje faz parte de mim.
Moda, para você, é mais estilo, emoção ou narrativa? Como você descreveria melhor?
Emoção e narrativa. E não deixa de ser uma forma de expressão, um jeito de se colocar no mundo. Ela nos ajuda a contar quem somos, inclusive no meu ofício. A moda é uma ferramenta muito poderosa na construção de uma personagem e de uma história. Por isso, costumo dizer que ela está presente na minha vida de maneira muito profunda, seja como atriz, como empresária ou como mulher.
Seu olhar estético sempre parece muito apurado. Existem artistas, movimentos ou referências visuais que influenciam a forma como você pensa estilo e imagem?
Eu me sinto profundamente inspirada pela vida, de forma geral. Mas arte, literatura, arquitetura e natureza são sempre grandes referências enquanto criativa. Gosto de abrir meus horizontes e me deixar beber em fontes diversas quando se trata de inspiração. Acho que mais do que me limitar a certos artistas e movimentos, sou mais interessada em me manter curiosa. A vontade de aprender e de me expor a coisas novas é o que me ajuda a construir o meu ideal de imagem e de estilo. Quero sempre saber mais, me profundar no que me interessa.
Você recebeu o prêmio de Ícone Global da Moda neste ano. O que esse título representa para você no sentido mais íntimo, não só profissional?
Acho que qualquer prêmio ou conquista acaba sendo uma validação no sentido profissional, mas também no emocional. É um privilégio poder ser reconhecida por algo que você ama. E essas conquistas, grandes ou pequenas, reforçam internamente esse propósito de manter sempre autêntica e fiel às minhas escolhas.
Muita gente te vê como referência de estilo. O que você sente quando percebe que suas escolhas inspiram outras pessoas?
Eu fico feliz quando minhas escolhas inspiram alguém, mas eu tento olhar isso de um jeito muito natural e sem nenhuma pretensão. Para mim, estilo é sobre autenticidade. Então, quando vejo que algo que usei gerou identificação, eu interpreto mais como uma troca do que como uma referência. No fim, acho bonito quando as pessoas se reconhecem ou se permitem experimentar a partir do que eu faço. Se isso vira inspiração, ótimo. Mas eu continuo guiada pelo que faz sentido para mim naquele momento, e é essa verdade que eu acho que acaba reverberando nos outros.
E como esse olhar para moda se reflete na Ginger? O que você busca traduzir na marca que talvez não caiba apenas nos seus próprios looks?
A Ginger nasce a partir do meu olhar sobre a moda, da minha visão criativa. Fundar a minha marca nasceu justamente dessa vontade de propor algo com identidade, mas também com propósito. A gente se propõe a criar peças com informação de moda, qualidade e uma estética atemporal. Eu também sempre amei a ideia de construir um guarda-roupa inteligente e editado. Sinto que conquistamos o nosso lugar no mercado de moda brasileiro sem abrir mão do nosso design autoral – o que, para mim era inegociável.
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