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Moda
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Por
Raíssa Basílio

Matthieu Blazy fez sua estreia na alta-costura da Chanel, nesta terça-feira (27/01), e, para além de renovar clássicos, ele trouxe à passarela diversidade –algo que precisa voltar a ser prioridade na moda. O desfile contou com a presença de brasileiras, mas o cuidado foi além da representação étnica: a grife trouxe também mulheres de diferentes idades.

Enquanto há modelos de 19 anos estreando na passarela do Grand Palais, há também espaço para as mais velhas, segundo os padrões da indústria da moda. O palco de Blazy contou com cabelos grisalhos, rugas visíveis e corpos que fogem da obsessão pela juventude eterna. A alta-costura também pode ser um espaço de pluralidade, sem perder sofisticação ou impacto estético.

A presença de mulheres de diferentes idades na mesma passarela representa um avanço simbólico importante. Historicamente, a indústria da moda construiu padrões excludentes, descartando mulheres por idade, peso e até cor da pele. Ver essa diversidade em uma das semanas mais importantes do calendário fashion mundial é um lembrete poderoso: se a moda é ilimitada em conceito, ela também pode — e deve — ser mais ampla em suas causas.

As brasileiras na Chanel

Mariane Calazan, natural de Belo Horizonte, fez seu debut para a grife em dezembro, em Nova York. Agora, retorna à passarela da Chanel pela primeira vez na alta-costura. Ela, que tem 36 anos, começou sua carreira em 2011, após ser descoberta por um olheiro em um shopping.

Estreantes na alta-costura, essas modelos brasileiras refletem sobre o peso da idade no mundo da moda — Foto: Getty Images
Estreantes na alta-costura, essas modelos brasileiras refletem sobre o peso da idade no mundo da moda — Foto: Getty Images

“Foi um dos momentos mais importantes, mais felizes assim, na minha profissão, porque, enfim, desfilar para Chanel e com um estilista que eu admiro muito", conta. “Eu me senti muito honrada e ao mesmo tempo muito feliz de estar conseguindo viver esse momento nessa fase da minha carreira".

Estreantes na alta-costura, essas modelos brasileiras refletem sobre o peso da idade no mundo da moda — Foto: Getty Images
Estreantes na alta-costura, essas modelos brasileiras refletem sobre o peso da idade no mundo da moda — Foto: Getty Images

Já a alagoana Sayonara Araujo fez sua estreia na alta-costura da Chanel, traçando um rumo internacional. "Poder galgar minha carreira aqui fora, entender que tudo é possível, independente do tempo –as coisas acontecem no tempo que tem que acontecer", conta à Glamour.

"Quero falar para todas as meninas: sonhem e sonhem alto. Eu falo que a nossa intuição é Deus falando com a gente, então ouça a sua intuição e acredite, sonhando que tudo é possível", completa.

Estreantes na alta-costura, essas modelos brasileiras refletem sobre o peso da idade no mundo da moda — Foto: Getty Images
Estreantes na alta-costura, essas modelos brasileiras refletem sobre o peso da idade no mundo da moda — Foto: Getty Images

Completando o trio, Victoria Blecher, modelo recorrente nas últimas temporadas de moda internacionais, já coleciona trabalhos para grifes como Jacquemus e Céline.

“É sempre um privilégio e prazer enorme viver tudo isso, não sinto receio, ao contrário, sinto cada vez mais vontade de viver essas experiências o máximo possível", diz.

Carioca, de 10 anos, começou a carreira há pouco mais de um ano e já conquistou visibilidade internacional. Ela comenta que “o backstage é um lugar onde todo mundo se ajuda, todo mundo vibra positivamente e isso se reflete na emoção de cada pessoa da equipe".

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