Seriam os livros as novas bolsas Birkin?
Os livros agora são símbolos de status e marcas como Dior e Coach estão lucrando com isso
Será que os livros são os acessórios indispensáveis de 2026? Ainda não dá para usá-los como uma peça de roupa, mas você pode carregá-los, e duas marcas já transformaram os clássicos em acessórios. A bolsa Dior Book Tote, de US$ 3.600, está disponível em versões inspiradas em obras como Madame Bovary, Drácula, As Flores do Mal e mais.
A Coach está lançando chaveiros com pingentes de US$ 95 que são basicamente pequenos livros (reais!) e estarão disponíveis para o público no próximo mês. Na nova campanha para a Calvin Klein, Dakota Johnson posa com um taco de bilhar... e um romance. No ano passado, a Prada encomendou uma coleção de contos de Ottessa Moshfegh para criar hostórias sobre cada look da coleção Primavera/Verão 2025.
A obsessão literária da moda coincide com a viralização da "bolsa analógica", composta por um kit para passar o dia longe do celular. Você precisa de algo para fazer enquanto espera no metrô ou pelo seu café com leite. Que tal ler?
Mas a tendência de carregar livros não é exatamente nova. Celebridades há muito tempo exploram o poder de serem vistas segurando o livro certo. Lembra quando Grimes terminou com Elon Musk e saiu para ler Marx? Ou Addison Rae folheando a autobiografia de Britney Spears enquanto passeava? Dua Lipa e Kaia Gerber são menos exibicionistas quanto a isso, mas ambas têm clubes de leitura, surfando na onda dos "livros de garotas populares" ao máximo.
E funciona para os homens também: Chris Pine comprando livros durante a pandemia virou moda porque todos nós gostamos de pensar em nossos ídolos como leitores com L maiúsculo. Nem vamos entrar na discussão sobre a política do fundo estilizado de estante de livros no Zoom.
Na essência, ler um livro físico, especialmente um romance, denota mais do que apenas bom gosto, intelecto ou mesmo o desejo de passar o tempo de uma forma mais produtiva do que rolando a tela sem parar em busca de notícias ruins. Representa o luxo supremo: desconectar-se completamente. Você não está respondendo a e-mails de trabalho, não está buscando validação nas redes sociais, nem mesmo lendo as notícias de um jornal ou revista. Sua vida real está tão organizada que você pode escapar para um mundo ficcional, bloqueando ostensivamente o ruído e a sujeira em que o resto de nós está afogado.
Revistas de moda já chamaram o "desconectar-se" como o luxo supremo. E o que é mais desconectado do que os clássicos? É claro que as casas de moda querem estar dentro ou perto do mercado editorial. Principalmente quando podem vender o que é essencialmente mercadoria literária por US$ 3.600 a mais do que custaria um cartão de biblioteca.









