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Moda
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Por
Laura Reif

Em um mundo saturado de imagens geradas por inteligência artificial e filtros de redes sociais, o luxo está passando por uma redefinição. São tempos de crise social, política e econômica no globo, e as passarelas estão se voltando para dentro, abraçando o caos e a autenticidade da vida real. São coleções que funcionam como diários íntimos e coletivos, posicionando a imperfeição e a narrativa humana como o novo luxo, onde diretores criativos atuam como arquitetos do emocional.

@lystapp #SummerDirx walks the runway for @7 For All Mankind’s SS26 collection in New York. #NYFW #7ForAllMankind

O catwalk da modelo Summer Dirx na passarela da 7 For All Mankind trouxe de volta o estilo das "party girls" do Tumblr dos anos 2000 e invadiu as redes sociais dos apaixonados por moda. Os vídeos com o corte dos passos caóticos e cabelos bagunçados da modelo a bordo de um vestido míni bombaram por conta da nostalgia de outros tempos. Em quem o diretor criativo Nicola Brognano se inspirou? Ícones da década de 2000, como Mary-Kate Olsen e Sienna Miller. Na Gucci de Demna, Emily Ratajkowski desfilou como "super sexy party girl", como o próprio criativo denominou no moodboard da apresentação.

Diesel — Foto: glamour
Diesel — Foto: glamour

Paralelamente, marcas como Diesel, sob o comando de Glenn Martens, transformaram o cenário caótico em identidade de marca. A passarela da grife se tornou uma representação física de "mentes sobrecarregadas de estímulo", com a iconografia da marca amontoada no meio das modelos.

Esse mesmo princípio se estende ao styling "desajustado": roupas amassadas e sobreposições jogadas. O objetivo não é mais apresentar um visual impecável e inatingível, mas espelhar o estado de espírito fragmentado e acelerado da sociedade, onde a perfeição dá lugar à expressão crua da realidade e da sobrecarga sensorial.

Bella Hadid - Prada Outono/Inverno 2026 — Foto: Launchmetrics Spotlight
Bella Hadid - Prada Outono/Inverno 2026 — Foto: Launchmetrics Spotlight

Já a Prada, sob o comando de Miuccia Prada e Raf Simons, ofereceu uma resposta mais funcional. A grife explorou a sobreposição de peças para narrar a mudança da mulher durante o dia, capturando a fluidez e a complexidade das identidades modernas, que são muitas em uma mulher só. Vestidos sobre bermudas, regatas sobre camisas são alguns exemplos. Quinze modelos desfilaram 60 looks, com camadas sendo apenas removidas a cada volta na passarela.

Ao buscar referências no mundano, a moda deixa de ser uma fantasia aspiracional para se tornar um espelho. Em um período de crises, esses designers acertam ao lembrar que o maior luxo é a conexão genuína. Seja por meio da nostalgia, da representação da sobrecarga mental ou da adaptação diária da mulher contemporânea, as marcas estão costurando um diálogo íntimo mirando em um resultado mais eficaz.

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