Livros que abrem o diálogo sobre sexualidade, prazer e autoconhecimento
Existe uma obra para cada dúvida, descoberta e a vontade de entender melhor o próprio corpo
Falar sobre sexualidade ainda provoca desconforto em muita gente, mas a literatura tem feito esse papel há décadas: abrir espaço para conversas que o cotidiano insiste em silenciar. Dos ensaios filosóficos às autobiografias mais íntimas, existe um livro para cada dúvida, descoberta e a vontade de entender melhor o próprio corpo e o próprio desejo.
A boa notícia é que nunca houve tanta opção nas prateleiras. Autores de diferentes países e perspectivas têm se dedicado a explorar temas como prazer, identidade, gênero e autoconhecimento. Seja para quem está começando a se conhecer ou para quem quer aprofundar o olhar sobre a própria sexualidade, a leitura pode ser uma boa companhia nesse caminho.
Glamour reuniu uma seleção de livros que abordam o assunto de formas distintas. O que todos têm em comum é a coragem de tratar a sexualidade como o que ela é: uma parte essencial e legítima da experiência humana. Confira abaixo!
O clitóris foi historicamente apagado do pensamento ocidental: ignorado em pinturas, ausente de esculturas e suprimido até dos livros de anatomia. É sobre esse silêncio que a filósofa francesa Catherine Malabou se debruça neste livro, investigando não só o órgão em si, mas os mecanismos que o mantiveram fora das narrativas hegemônicas sobre o corpo e o prazer. A partir de perspectivas queer, intersex e trans, a autora oferece uma crítica à normatização do sexo e propõe uma leitura do clitóris como um órgão de pensamento, não apenas de prazer.
O que quer uma mulher? A pergunta de Freud ainda ecoa, e é a partir dela que os psicanalistas Maria Homem e Contardo Calligaris mergulham nas questões do feminino, do desejo e da sexualidade em suas múltiplas formas. Com franqueza e discernimento, o livro questiona por que o corpo e a sexualidade da mulher foram historicamente recalcados no Ocidente, analisa os impasses dos feminismos e propõe uma reflexão livre em um mundo cada vez mais polarizado.
Vencedor do National Book Critics Circle Award em 2015, o livro de Maggie Nelson mistura autobiografia e teoria para falar sobre desejo, identidade e os limites do amor e da linguagem. No centro da narrativa está o relacionamento da autora com o artista Harry Dodge, uma pessoa de gênero fluido, e a experiência da gravidez que se seguiu. Na linha de Susan Sontag e Roland Barthes, Nelson entrelaça vivência pessoal e análise intelectual para questionar o que se diz sobre sexualidade, gênero, casamento e maternidade.
A especialista em sexualidade Betty Dodson enfrenta um dos últimos grandes tabus ao tratar a masturbação como uma forma legítima e saudável de expressão sexual. No livro, ela mostra como qualquer pessoa pode se relacionar com o próprio corpo sem culpa, e defende que o autoconhecimento sexual é enriquecedor tanto para homens quanto para mulheres. Mais do que uma alternativa entre relacionamentos, a masturbação é apresentada como uma prática contínua e prazerosa que acompanha o ser humano ao longo de toda a vida. Versão em inglês.
O que você deseja quando ninguém está olhando? É a partir dessa pergunta que a atriz Gillian Anderson reúne cartas anônimas de centenas de mulheres ao redor do mundo, incluindo a sua própria, para falar sobre fantasias, medos, amor e sexo com uma liberdade que o cotidiano raramente permite. O resultado é um livro sobre tudo aquilo que as mulheres sentem, mas raramente dizem em voz alta.
Baseado nos trabalhos de Michel Foucault, o livro percorre a sexualidade humana da Antiguidade clássica ao início do século XXI, investigando as conexões entre corpo, gênero, cultura e poder. A partir de pesquisa documental e referências da demografia histórica, da antropologia cultural e da história social, a obra reconstitui fantasias, práticas e opressões ligadas ao desejo para revelar a sexualidade como um fato social central na compreensão da relação humana com o prazer e a liberdade.
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