Loading beleza & estilo

Preparing Beleza Estilo information...

Shopping
Publicidade

Nos dias que antecederam a final do Big Brother Brasil 26, exibida ontem (21), o luto atravessou a narrativa do programa de forma inesperada. Dois dias antes da decisão, Ana Paula Renault foi informada da morte do pai, Gerardo Renault, e optou por permanecer no reality show. No mesmo período, o apresentador Tadeu Schmidt também lidava com uma perda pessoal: a morte do irmão, Oscar Schmidt, aos 68 anos, na sexta-feira (17). Ao entrar ao vivo para conversar com os finalistas, ele quebrou o protocolo ao compartilhar sua própria dor com a participante.

"Sabe quando a gente está sofrendo e a gente se dá as mãos para ficar mais forte? [...] Eu também estou vivendo um luto, meu irmão morreu anteontem", disse Tadeu, em um momento raro de suspensão da lógica do jogo. O que se viu, ali, foi uma experiência íntima sendo vivida em rede nacional, sem mediação possível. A vitória de Ana Paula carrega esse atravessamento, mas também expõe um ponto menos óbvio: assistimos a uma pessoa enlutada seguir adiante sob os olhos de milhões, como se fosse possível manter o ritmo. Na prática, porém, o luto não é (e nunca foi) uma experiência igual para todos.

O luto é um dos sentimentos mais dolorosos na experiência humana — afinal, perder alguém que se ama nunca é fácil. Lidar com as memórias, a saudade e entender que aquela pessoa nunca mais vai estar presente na rotina é uma nova realidade que se desenha acompanhada de tristeza e vazio.

A busca por conforto se faz necessária para passar pelos dias em que a dor ainda é latente. E, nesse novo cenário, a literatura também pode ser um refúgio para lidar com a perda e atravessar o luto mais forte ao se reconhecer em outras pessoas, ainda que sejam personagens de uma história.

Pensando nisso, separamos uma lista de livros que falam, de forma sensível, sobre alguém que atravessa a jornada de perder uma pessoa amada. Confira a seguir:

Ferida - Oksana Vassiákina — Foto: Divulgação
Ferida - Oksana Vassiákina — Foto: Divulgação

Em Ferida, romance autobiográfico de Oksana Vassiákina, a autora narra a viagem de Moscou até sua cidade natal, Ust-Ilimsk, para enterrar as cinzas da mãe, que morreu devido a complicações com um câncer de mama. Ao longo dos mais de 5 mil quilômetros percorridos, ela revisita a relação entre as duas e a história de uma linhagem de mulheres marcadas por trabalho excessivo, abandono e violência - retrato intenso da Rússia pós-soviética.

Com linguagem poética e introspectiva, o livro é uma jornada de autoconhecimento da protagonista e um exercício de encontrar voz para expressar o amor e a dor diante da perda materna. Esta é a primeira parte de uma trilogia traduzida em diversos países, que alterna memórias, reflexões sobre identidade e ensaios de poesia.

O Avesso da Pele — Foto: Divulgação
O Avesso da Pele — Foto: Divulgação

No elogiado livro de Jeferson Tenório, o leitor acompanha Pedro em sua jornada para compreender o passado da família e o legado do pai recém-falecido. Com escrita delicada e contundente, o autor expõe as marcas do racismo estrutural e as falhas do sistema educacional brasileiro, construindo um retrato íntimo das relações entre pais e filhos.

A narrativa reflete a dor e a luta de um homem negro em busca de reconciliação, liberdade e sentido diante das feridas de sua condição social e a perda trágica do pai — e tudo com profundidade emocional e o domínio narrativo de Jeferson Tenório.

O Ano do Pensamento Mágico, de Joan Didion — Foto: Divulgação
O Ano do Pensamento Mágico, de Joan Didion — Foto: Divulgação

Em O Ano do Pensamento Mágico, Joan Didion narra o período em que perdeu o marido, John Gregory Dunne, vítima de um infarto súbito, enquanto a filha, Quintana, enfrentava graves complicações de saúde.

A partir dessa sucessão de tragédias, Didion reflete sobre o luto, a memória e o amor, transformando a dor pessoal em uma meditação universal sobre a perda e o sentido da vida compartilhada. Sensível e lúcido, o livro é um dos retratos mais comoventes já escritos sobre a fragilidade humana diante da ausência.

Antes Que Eu Esqueça, de Anne Pauly — Foto: Divulgação
Antes Que Eu Esqueça, de Anne Pauly — Foto: Divulgação

No livro da francesa Anne Pauly, em meio a objetos, documentos e lembranças, a filha inicia um processo de reconstrução do pai pela memória. À primeira vista, a imagem dele parece estar resumida às frustrações profissionais, aos vícios e à violência doméstica, mas, com o desenrolar da narrativa, emerge uma figura complexa e ambígua.

Junto com as memórias da narradora e autora, o leitor se depara com um homem afetivo à sua maneira, porém marcado por sonhos frustrados ao se ver preso em uma cadeira de rodas e tomado pela solidão e consequências de uma doença terminal.

O Amigo, de Sigrid Nunez — Foto: Divulgação
O Amigo, de Sigrid Nunez — Foto: Divulgação

Em O Amigo, primeiro livro de Sigrid Nunez publicado no Brasil em 2019, a autora conta a história de uma escritora e professora de escrita criativa que lida com o suicídio de seu melhor amigo registrando suas memórias e sentimentos.

Surpreendentemente, a protagonista herda do homem um dogue alemão chamado Apolo — um animal enorme, idoso e abalado pela perda do tutor. Apesar da recusa inicial, muito por conta das regras do apartamento em que mora, ela acaba aceitando ser tutora do cachorro e passa a se dedicar inteiramente a ele. Assim, isolada do mundo, transforma essa convivência em uma tentativa de cura e redenção mútua.

Paula, de Isabel Allende — Foto: Divulgação
Paula, de Isabel Allende — Foto: Divulgação

Em Paula, Isabel Allende transforma a dor da perda da filha em uma poderosa narrativa de memória e amor. Enquanto a acompanha em coma, a autora escreve para que, ao despertar, Paula se lembre de sua história caso tenha perdido a memória — e, nesse processo, reconstrói também a trajetória de sua família e da América Latina marcada por ditaduras, exílios e afetos.

A filha acabou morrendo com o avanço da doença. Após a perda, Allende revisita as anotações e cartas escritas durante o período, transformando o luto em literatura. O resultado é um relato comovente sobre a fragilidade da vida, a força da lembrança e a coragem de seguir adiante.

Uma Mulher - Annie Ernaux — Foto: Divulgação
Uma Mulher - Annie Ernaux — Foto: Divulgação

Neste livro, a escritora francesa - ganhadora do Nobel de Literatura em 2022 - divide as memórias que escreveu sobre a mãe nos meses seguintes à morte depois da luta contra o Alzheimer. Ao longo da narrativa, Annie Ernaux lida com o sentimento da perda e descreve suas lembranças de maneira sutil e visceral ao mesmo tempo, abordando temas como amor, ódio, culpa e, acima de tudo, um vínculo inabalável.

Canal da Glamour

Quer saber tudo o que rola de mais quente na beleza, na moda, no entretenimento e na cultura sem precisar se mexer? Conheça e siga o novo canal da Glamour no WhatsApp.

Mais recente Próxima Do liso ao cacheado: as ferramentas capilares que vão facilitar sua finalização

Mais lidas

Mais de Glamour