Tecnologia e sustentabilidade: é possível unir os dois temas?
Não só é possível, como também é necessário para conquistarmos um futuro melhor – e um presente também
Por Por Malu Pinheiro (@mariluisapp)
A tecnologia é sim uma das principais aliadas da sustentabilidade. “Ela permite extrair informações, avaliar e monitorar o resultado das ações humanas sobre o meio ambiente”, garante a professora Juliana da Costa Mantovani, do curso de pós-graduação em Geoprocessamento do Centro Universitário Senac.
Juliana Fullmann, coordenadora de projetos do Cataki, ferramenta que conecta o catador de resíduo com o gerador, também afirma que não dá para isolar os dois assuntos: “O mundo hoje depende da tecnologia, então a sustentabilidade também vai entrar a reboque dessa nova realidade”.
“Sem tecnologia a gente não conseguiria chegar nos avanços de tratamento de resíduos, por exemplo. Hoje a gente consegue transformar o esgoto sanitário em água potável”, diz Gelma Reis, diretor técnico da Ética Ambiental e com mestrado pela COPPE/UFRJ em Tecnologia Ambiental
Mas, como fazer essa conexão?
Os avanços tecnológicos permitem a implementação de soluções e rotinas mais sustentáveis, que vão desde a gradual substituição do uso de combustíveis fósseis por fontes renováveis de energia, até a possibilidade de manutenção do dia a dia de muitas empresas e escritórios de forma remota, cujo impacto na melhora da qualidade do ar e da água foram muito importantes.
“Para que a gente alcance o máximo da sustentabilidade, é preciso que se ajuste os processos e se otimize as operações com inovações tecnológicas”, é o que afirma Gelma. É claro que isso leva em conta também a produção. “As grandes empresas estão hoje implementando a automação, por exemplo, sempre associada ao menor custo energético e a menor geração de resíduo. É direcionado para aumentar a produção, sim, mas usando a tecnologia para aumentar o rigor e os critérios de sustentabilidade”, diz.
Outro exemplo de tecnologia é o sensoriamento remoto, que tem permitido rastrear e monitorar a ação humana e suas consequências sobre o meio ambiente. “O Projeto MapBiomas e o monitoramento, realizado pelo INPE, do desmatamento e de focos de queimadas em território nacional, são bons exemplos da aplicação da tecnologia a serviço da sustentabilidade e da qualidade ambiental”, diz a professora Juliana da Costa.
E na prática?
Para garantir essa sintonia é importante estimular a inovação, com o desenvolvimento de novas ferramentas ou formas de aplicação das tecnologias já existentes. Como o Cataki, por exemplo. A ferramenta surgiu em 2017 para conectar quem gera o material reciclável e quem o coleta – hoje, já são 978 catadores cadastrados só em São Paulo.
“Buscamos nessa versão mais atual do Cataki ter mais informações de catadores autônomos, ter mais informações sobre as coletas e, por uma demanda própria deles, ter uma bancarização maior. É um público vulnerável e que muitas vezes nunca teve um cartão de banco. Hoje, a grande maioria dos catadores cadastrados no Cataki tem um registro bancário onde podem receber o pagamento pelo serviço prestado”, disse Juliana Fullmann, coordenadora do projeto.
E, claro, a tecnologia não se esgota – pelo contrário. “Agora, estamos desenvolvendo uma espécie de rastreabilidade do começo ao fim do processo. A gente sabe quem é o gerador de resíduo, a gente sabe quem o coletou e estamos desenvolvendo um QR Code onde o catador vai dar um check no Ecoponto.”
Outro aspecto importante é a incorporação de tais tecnologias nas iniciativas públicas e governamentais para viabilizar um maior entendimento e assimilação delas nos usos de interesse coletivo. “A democratização das novas tecnologias por meio de softwares de código aberto é fundamental para que outros atores sociais possam ter acesso a ferramentas de ponta, ampliando as possibilidades de inovação e de surgimento de iniciativas de indivíduos, grupos sociais, universidades, empresas”, afirma Juliana da Costa.
A professora continua: “Isso permitirá que as tecnologias não sejam desenvolvidas e implementadas exclusivamente para atender certos setores da sociedade, mas os bens públicos, aquilo que nos afeta em coletivo, do qual todos dependemos, como a qualidade ambiental, dos alimentos e da água potável, o acesso ao saneamento e outros”.
Tudo isso depende do interesse coletivo em prol de hábitos mais sustentáveis. “A população como um todo está mais criteriosa e isso leva grandes instituições e empresas também se adequarem a esses novos formatos”, finaliza Gelma. É o caminho para o futuro!









