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Um Só Planeta
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O diamante ronda o imaginário de quem entende ou não de joalheria. Quando Rose arremessou o colar no mar, na direção em que o Titanic naufragou, tratava-se dessa preciosidade. As histórias de amor marcadas por um anel de diamante, seja na ficção, seja na realidade, também constroem essa ideia de desejo e encanto.

Mas antes do passo da usabilidade, há uma outra etapa que vem atraindo cada vez mais olhares e interesse: a produção desses diamantes. Tradicionalmente, a pedra é extraída da natureza, processo que pode levar milhares de anos e também danos ao meio ambiente por conta da exploração. No entanto, desde 2018, o lab grown, em tradução livre para o português, diamante de laboratório, passou a ser reconhecido pela Comissão Federal de Comércio, mas desde os anos 1950 a técnica já vem sendo desenvolvida.

No mercado, o diamante pode ser feito no laboratório das seguintes formas: Síntese de Alta Pressão e Alta Temperatura (HPHT) e a deposição química de vapor (CVD). Na primeira, o clima, leia-se pressão e temperatura, da Terra em uma camada a 150 quilômetros distante da superfície é reproduzido com exatidão. Essa condição ideal, que chega a registrar 1500°C, faz com que o diamante se desenvolva em semanas. Já no método CVD, a semente fica em uma cápsula de gás, em que um mix de gases de carbono desenvolvem o crista.

De lá para cá, o recurso ganhou mais espaço entre gigantes, como a Vivara, mas também entre designer com produções em menor de escala. Pesquisadores provaram isso ao cruzar dados de 2016 com 2022, sendo que o primeiro ano teve R$ 5,07 bilhão na venda de lab drow, enquanto, em 2022, o lucro saltou para R$ 60,9 bilhões, cerca de 38% de aumento no faturamento.

Anel de diamante assinado por Mariah Rovery — Foto: Divulgação
Anel de diamante assinado por Mariah Rovery — Foto: Divulgação

A publicitária e designer Mariah, da marca Mariah Rovery, enxergou como o investimento no setor seria lucrativo. "Cheguei usar de madeira de demolição, flor vitrificada, cerâmica reutilizada. Eu acho que foi algo que veio de uma forma muito natural, exatamente por eu querer explorar novos materiais e não ter esse preconceito que eu acho que a joalheria clássica acaba criando mesmo", conta a fundadora da joalheria.

Segundo Mariah, mesmo com uma lupa, os tipos de diamantes são idênticos. "Se você olha as duas pedras ao vivo, você não distinguirá. Se estiver usando uma pedra natural da mesma qualidade, é impossível alguém falar", lembra Mariah, que chegou a conciliar os seis primeiros anos da marca com a carreira de publicitária.

Expandir o cuidado com a matéria-prima para além do diamante de laboratório também é parte da trajetória da Naive, dos sócios Taisa Hirsch e Alexandre Lazzini. "Pra gente, não fazia sentido trabalhar com lab grown e continuar usando ouro de mineradora", reflete Taisa Hirsch, que fundou a marca em 2022 com essa premissa de ser a primeira marca brasileira produzindo as duas opções.

Brinco de diamante da Naive, joalheria da Taisa Hirsch — Foto: Divulgação
Brinco de diamante da Naive, joalheria da Taisa Hirsch — Foto: Divulgação

Para Taisa, o design é a maior arma contra o preconceito. "O cliente se identifica com aquela joia e ele quer usá-la. Então, é uma porta aberta para a sustentabilidade", conta a joalheira, reconhecida com o Selo B em sua marca. A certificação atesta que o negócio segue padrões de exigência para desempenho social, ambiental, transparência e responsabilidade.

Por falar em design, Mariah se debruça no colorido das pedras de diamante para imprimir o estilo da joalheria. "É algo que há um tempo eu já acredito bastante, mas o grande interesse segue sendo o tradicional mesmo."

Agora, você deve estar se perguntando sobre valores, que Taisa explica a seguir. "O diamante de mineração passa por muitas notas, é uma cadeia muito grande. Então, quando ele chega ao Brasil, ele já tá com preço mais alto e, consequentemente, isso tem um impacto no preço final pro meu consumidor. O diamante de laboratório é uma cadeia infinitamente mais enxuta", afirma a joalheira.

Um Só Planeta — Foto: Glamour Brasil
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Um Só Planeta — Foto: Divulgação
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